
A tarifa média real da passagem aérea em voos domésticos no Brasil foi de R$ 642,19 entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), consultados no painel interativo da instituição na última sexta-feira (12). O valor foi corrigido pela inflação oficial e refere-se apenas ao bilhete aéreo, sem incluir taxas de embarque ou serviços adicionais. Em relação ao mesmo período de 2022, a queda nos preços dos bilhetes foi de 11%.
As cidades com maior número de embarques nos primeiros dez meses de 2025 foram Rio de Janeiro (15,4%), São Paulo (13,5%) e Guarulhos (11,9%). No recorte nordestino, Salvador (5,69%), Recife (4,63%) e Fortaleza (3,86%) aparecem como os principais pontos de origem de passageiros, totalizando 13,98% dos embarques nacionais no período.
Segundo levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em dados da Anac, o valor médio do bilhete aéreo era de R$ 721,57 em 2022, caiu para R$ 680,28 em 2023, R$ 646,83 em 2024 e chegou a R$ 642,19 em 2025 — sempre considerando o intervalo de janeiro a outubro e os valores corrigidos pelo IPCA.
A redução das tarifas, de acordo com o ministério, reflete medidas de estímulo ao setor adotadas nos últimos anos, entre elas a negociação com a Petrobras para redução do preço do querosene de aviação (QAV), que representa cerca de 40% dos custos das companhias. Em outubro de 2025, o preço do QAV estava 29% menor que o valor registrado em outubro de 2022.
Ainda segundo a pasta, houve aumento na oferta de passagens com preços mais acessíveis. A proporção de bilhetes vendidos por menos de R$ 500 subiu sete pontos percentuais no período e passou a representar mais da metade dos assentos comercializados em 2025.
Demanda cresce 24% e setor pode bater recorde anual
Com passagens mais baratas, o número de passageiros também cresceu. Entre janeiro e outubro de 2025, mais de 83 milhões de pessoas utilizaram o transporte aéreo comercial no Brasil, número 24% superior ao registrado no mesmo período de 2022, quando foram transportados 67,1 milhões de passageiros.
Caso a média de crescimento se mantenha nos últimos dois meses do ano, o total de passageiros transportados em voos domésticos pode ultrapassar 100 milhões em 2025, o que representaria um recorde para a aviação civil no país, segundo estimativa do ministério.
Nordeste consolida posição entre os principais emissores de passageiros
O Nordeste respondeu por 13,98% dos embarques nacionais em voos domésticos entre janeiro e outubro de 2025. As três capitais com maior volume de passageiros na região — Salvador, Recife e Fortaleza — estão entre os dez maiores aeroportos emissores do país, à frente de centros como Confins e Curitiba.
Apesar da relevância regional, os dados revelam alta concentração da malha aérea em poucas capitais, sem presença significativa de cidades médias ou interioranas entre os principais emissores de voos. Aeroportos como os de Maceió, Teresina, Natal, Aracaju, Juazeiro do Norte e Petrolina não aparecem entre os 20 mais movimentados do país no ano.
Média histórica da tarifa aérea é de R$ 670 desde 2002
Segundo o painel consolidado da ANAC, a tarifa média real de voos domésticos no país, considerando todo o período de janeiro de 2002 a outubro de 2025, foi de R$ 670,27. O yield médio real acumulado no período foi de R$ 0,6138 por quilômetro voado, com distância média de 1.377 km por passageiro.
O painel interativo da Anac permite consultar os percentuais de participação por cidade de origem e volume de assentos vendidos, mas não disponibiliza o valor médio da tarifa por cidade ou por região, o que limita comparações diretas entre capitais e estados.
Os dados apresentados nesta matéria foram extraídos dos painéis públicos da Anac, atualizados com base nas informações fornecidas pelas companhias aéreas. Os valores consideram apenas as tarifas efetivamente pagas pelos passageiros, corrigidas pelo IPCA, e não incluem serviços adicionais. As consultas foram realizadas em 12 de dezembro de 2025.
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