
Com vendas recordes no terceiro trimestre e uma alta de 7% no preço médio do metro quadrado, Maceió se destacou no mercado imobiliário brasileiro em 2025. O valor geral de vendas (VGV) na capital alagoana superou R$ 700 milhões no período, enquanto o acumulado em 12 meses chegou a R$ 2,7 bilhões. O resultado, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida e pelo bom desempenho do mercado de compactos, contrasta com a desaceleração observada em outras capitais do Nordeste no mesmo intervalo.
Os dados foram apresentados na quarta-feira (26), durante o evento Panorama de Mercado e Perspectivas para 2026, promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Alagoas (Sinduscon). A análise é da Brain Inteligência Estratégica e foi conduzida por Lucas Finoti, que apresentou os principais números e tendências do setor na capital e na Região Metropolitana.
Entre julho e setembro, foram vendidas 1.776 unidades residenciais verticais em Maceió, o maior número da série histórica monitorada pela Brain. O desempenho foi atribuído a uma maior participação do Minha Casa Minha Vida nas vendas, estratégias comerciais pontuais e ações promocionais, como feirões imobiliários realizados na cidade.
O volume vendido no trimestre foi significativamente superior ao do período anterior, que registrou 494 unidades. Com o resultado, o acumulado de 12 meses atingiu 5.922 unidades vendidas, também recorde para a capital.
Segundo Finoti, o desempenho de Maceió no terceiro trimestre foi o melhor entre as capitais do Nordeste. “Enquanto outras regiões mostraram um comportamento mais tímido ou estável, Maceió surpreendeu com crescimento expressivo, puxado por segmentos populares e produtos com tíquete mais acessível”, destacou o analista.
Para o vice-presidente do Sinduscon, Alfredo Breda, o desempenho do mercado imobiliário de Maceió em 2025 confirma a tendência de consolidação observada desde o período pós-pandemia. Segundo ele, o ano não registrou avanço significativo em relação a 2024, mas manteve patamar elevado de lançamentos e vendas, mesmo com o cenário adverso de juros.
“O mercado imobiliário vem se consolidando desde o pós-pandemia. Você pega o ano de 2022, o 2023 já foi melhor, o 2024 foi melhor ainda, e o 2025 não vai ser melhor, mas vai ser igual, muito parecido. Tanto é que o número de lançamentos, o número de unidades vendidas, está muito parecido com o de 2024”, afirmou.

Metro quadrado sobe e VGV atinge R$ 2,7 bilhões em 12 meses
A valorização do metro quadrado foi outro ponto de destaque. O preço médio geral subiu 7% no intervalo de um ano, passando de R$ 11.879 no terceiro trimestre de 2024 para R$ 12.728 no mesmo período de 2025.
Entre as tipologias, os imóveis de um dormitório apresentaram o maior avanço com 12% de alta, atingindo R$ 17.992/m², puxados principalmente pelos compactos voltados para investidores. As unidades de dois dormitórios, que concentram a maior parte da oferta do programa Minha Casa Minha Vida, tiveram alta de 11%, com o metro quadrado passando de R$ 8.577 para R$ 9.532.
Já os imóveis de três dormitórios subiram 5% no período e os de quatro dormitórios mantiveram estabilidade, reflexo da baixa oferta e da ausência de novos lançamentos nesse segmento.
O Valor Geral de Vendas também confirma o bom momento do setor. Segundo os dados da Brain, no terceiro trimestre, foram movimentados R$ 706 milhões em novos empreendimentos verticais lançados em Maceió. No acumulado de 12 meses, o VGV somou R$ 2,7 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 2,961 bilhões registrados no mesmo intervalo anterior, uma queda considerada natural diante da retração no volume de lançamentos no segundo trimestre.
Para Alfredo Breda, a manutenção de um bom desempenho, mesmo com taxas de juros elevadas, revela a maturidade do setor e a resiliência da demanda. Ele ressalta, porém, que o ambiente de incerteza dificultou a expansão da atividade neste ano.
“Imagine o risco que corre. Você vai lançar com essa taxa de juros, o custo da construção aumenta e você não pode repassar para o consumidor, porque a renda não aumentou tanto assim. A gente acredita muito que o ano que vem deva ser melhor. Há uma tendência de baixa de taxa, e como é um ano eleitoral, circula mais dinheiro, tudo isso ajuda a economia”, observou.

Do total lançado no ano, os empreendimentos classificados como padrão médio concentraram a maior parte dos valores, representando 39,8% do VGV. Já os projetos do Minha Casa Minha Vida responderam por 21,8% do montante, mesmo tendo maior número de unidades.
Minha Casa Minha Vida amplia espaço no mercado em Maceió
O programa federal tem ganhado espaço significativo no mercado de Maceió. Em 2025, as unidades enquadradas nas faixas 1 a 3 do Minha Casa Minha Vida representaram 47,7% dos lançamentos e 45,1% das vendas. A expansão do teto de financiamento e o bom desempenho das faixas 2 e 3 são apontados como fatores determinantes para essa participação.
“O Minha Casa Minha Vida consolidou-se como o principal motor de crescimento do mercado residencial na capital, especialmente diante das restrições de crédito que ainda afetam o público de renda média”, avaliou Lucas Finoti.
As unidades de dois dormitórios lideram tanto os lançamentos quanto as vendas, com 76,9% de participação entre os produtos lançados em 2025. Já os compactos de um dormitório, mesmo sem novos lançamentos relevantes no trimestre, mantiveram bom escoamento, reforçando o apelo entre investidores e locadores.
Apesar da recuperação nos lançamentos no terceiro trimestre, o estoque de imóveis disponíveis segue em trajetória de queda. Em setembro, havia 3.725 unidades em estoque em Maceió e 339 na Região Metropolitana. A velocidade de vendas (VSO) no acumulado de 12 meses ficou acima de 60%, patamar considerado saudável pela Brain.
A maior parte do estoque atual é composta por compactos (43,9%), seguidos por produtos econômicos (18%) e padrão médio (13,2%).
Produtos com metragem entre 36 m² e 50 m² apresentam os melhores índices de escoamento. Em contraste, imóveis da faixa entre 71 m² e 85 m², produtos voltados à classe média, seguem com desempenho mais lento, refletindo o impacto dos juros altos e da restrição de crédito no segmento.
Breda também comentou sobre a distribuição territorial dos empreendimentos em Maceió, destacando a força do programa Minha Casa Minha Vida na parte alta da cidade. Segundo ele, regiões como Petrópolis, área próxima ao Aldebaran e entorno do Parque Shopping, em Cruz das Almas, têm concentrado novos lançamentos nas faixas 3 e 4 do programa habitacional.
“O Minha Casa Minha Vida vai continuar forte na parte alta da cidade, não tem o que se discutir. Já invadiu ali próximo ao Aldebaran, tem muita coisa sendo construída em Petrópolis e ali no entorno do Parque Shopping. Mas há essa divisão entre alto e baixo porque o Farol continua sacrificado por conta do problema da Braskem”, explicou.
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