
A aplicação de uma taxa adicional de 25% aos produtos brasileiros destinados aos Estados Unidos podem afetar as exportações pernambucanas de açúcar, uvas, chapas de PET, inhame, mel, peixes frescos e refrigerados, lagostas congeladas, sucos e preparações vegetais, barcos e embarcações. A nova taxação foi anunciada no dia 1º de junho último. A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) divulgou uma nota técnica apontando que os produtos que permanecem fora da lista preliminar de exceções desta taxação representam mais de 69% das exportações de Pernambuco destinadas aos Estados Unidos em 2025.
Segundo o gerente de Política Industrial da Fiepe, Maurício Laranjeira, a nova taxação aumenta a incerteza para empresas que vendem ao mercado norte-americano. “A incerteza afeta tanto os exportadores brasileiros quanto os compradores norte-americanos, especialmente em negociações internacionais que exigem planejamento de longo prazo”, comentou o executivo, acrescentando que o acompanhamento do tema está sendo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e entidades representativas do setor produtivo.
A medida ainda não tem efeito imediato e deverá passar por consulta pública e audiências antes de uma decisão final. A CNI está se articulando para participar de uma audiência pública no dia 06 de julho para tratar desta taxação.
Foram incluídos na lista de exceções da proposta de taxação norte-americana: mangas, coque de petróleo não calcinado e querosenes de aviação, reduzindo os possíveis impactos sobre esses segmentos, que também exportam por Pernambuco.
Tarifa de Trump e as exportações pernambucanas aos Estados Unidos
Em 2025, as exportações de Pernambuco aos Estados Unidos movimentaram US$ 126,2 milhões (FOB). A pauta exportadora foi formada por produtos do setor sucroenergético, petroquímico, agroindustrial, pesqueiro e da fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.O principal produto exportado foi o açúcar de cana-de-açúcar, com vendas de US$ 30,1 milhões, representando cerca de 24% do total embarcado para os Estados Unidos, segundo um levantamento da Fiepe baseado em dados oficiais.
Depois do açúcar, os mais exportados foram o coque de petróleo não calcinado, com US$ 25,5 milhões, e as uvas frescas, com US$ 10,5 milhões. Os outros produtos mais vendidos por Pernambuco para os Estados Unidos foram os seguintes (com os respectivos valores das transações): chapas de PET (US$ 10,0 milhões), embarcações de recreio e esporte (US$ 6,0 milhões), mangas frescas ou secas (US$ 5,5 milhões ), querosene de aviação (US$ 5,5 milhões), inhames (US$ 4,9 milhões); farinhas, sêmolas e pós de frutas (US$ 4,6 milhões);
peixes frescos ou refrigerados (US$ 4,0 milhões). Os dez produtos citados movimentaram vendas de US$ 106,6 milhões, correspondendo a 84% de todas as exportações pernambucanas destinadas ao mercado norte-americano.
“A saída para diminuir os efeitos desta futura taxação é trabalhar com a diplomacia, recorrendo as instâncias devidas, porque estas empresas podem perder um mercado que era cativo”, contou Maurício.
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