
Os bairros do Mutange e Bebedouro, em Maceió terão de volta a circulação do Veículo Leve sobre Trilho (VLT), após ter sido desativado em 2020 em decorrência do afundamento de solo na região, fruto das atividades de extração de sal-gema pela Braskem. As obras já foram iniciadas e a previsão é que a reativação da linha ocorra em 2027.
Segundo informações da Defesa Civil de Maceió, neste momento os serviços estão concentrados na etapa inicial de terraplanagem do solo, preparação necessária para a instalação futura dos trilhos. O cronograma prevê que a reativação da linha ocorra até o ano de 2027, após a conclusão das fases de contenção, implantação do novo sistema ferroviário e instalação de tecnologias de monitoramento em tempo real.
A retomada do uso ferroviário na área será feita com base em critérios técnicos rigorosos e não prevê a construção de estações nos bairros afetados. De acordo com a Defesa Civil de Maceió, a operação do VLT será apenas de passagem, respeitando todas as recomendações de segurança, sem promover ocupações permanentes no local.
Para que a circulação do VLT volte a ser possível na área afetada, a Defesa Civil de Maceió estabeleceu uma série de exigências técnicas que precisam ser rigorosamente cumpridas ao longo da obra. Entre as principais condições, está a realização das obras de contenção e estabilização da encosta no bairro do Mutange, consideradas fundamentais para mitigar o risco de deslizamentos na região.
Também será necessário implantar um sistema de monitoramento em tempo real ao longo dos trilhos, especialmente no trecho da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, permitindo a identificação de qualquer alteração na geometria da linha férrea ou deformação nos dormentes, garantindo assim uma operação segura.

Outro ponto apontado pelo órgão municipal é a continuidade do preenchimento das cavidades subterrâneas identificadas nos estudos geotécnicos. Cavidades como as de número 27 e 15 já foram totalmente preenchidas, enquanto as de número 20 e 21 estão em processo de conclusão. A presença dessas cavidades exige atenção redobrada, uma vez que elas impactam diretamente a segurança da estrutura ferroviária.
Todo o trecho da linha férrea inserido na área afetada, independentemente da reativação do VLT, deverá permanecer sob monitoramento permanente da Defesa Civil e de demais órgãos competentes, como forma de garantir a integridade da operação e do território.
VLT terá circulação limitada e sem reocupação urbana
Segundo a Defesa Civil, o trem poderá passar pela região afetada, mas não haverá retorno de construções fixas ou estações nos bairros de Mutange e Bebedouro. O uso da área será restrito ao trajeto do VLT, sem autorização para qualquer tipo de ocupação permanente, respeitando a política de gestão de desastres adotada para a área afetada pela mineração.
“O uso do local será momentâneo, somente pelo tempo necessário para a passagem do trem. Não serão construídas paradas ou estações. A política do desastre não nos permite viabilizar o retorno de construções que ocupem essa região”, afirmou Abelardo Nobre, coordenador-geral da Defesa Civil de Maceió.

O trecho a ser reativado está inserido em uma área sob constante observação desde que a atividade de extração de sal-gema foi apontada como responsável pela instabilidade do solo, que levou à desocupação de cinco bairros da capital. A região permanece com restrição de uso urbano, e qualquer obra ou circulação precisa de aval técnico.
Além das medidas de engenharia, o projeto também envolve a instalação de tecnologia de ponta para o monitoramento dos trilhos e do solo, com sensores e sistemas capazes de emitir alertas em caso de qualquer instabilidade. A meta é garantir que a circulação do VLT ocorra de forma totalmente segura e controlada.
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