
Paulo Cordeiro Cavalcanti Filho, produtor rural de São Bento do Una, vive o que ele próprio define como um “salto de 30 anos em apenas três”. Até pouco tempo atrás, tocava a fazenda da família no modo tradicional, herdado do pai: muito esforço físico, pouca tecnologia e produção limitada. Foi com acesso ao crédito do Banco do Nordeste, por meio do programa Agroamigo, que ele conseguiu mecanizar a propriedade e transformar radicalmente sua realidade.
Paulo é um dos ganhadores Prêmio Banco do Nordeste da Agricultura Familiar e Microfinança Rural 2025. A iniciativa reconhece agricultores que transformaram suas propriedades com apoio técnico e crédito oferecidos pelo Banco do Nordeste, por meio dos programas Agroamigo e Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
Com o financiamento, Paulo comprou trator, forrageira, silagem, plantou palma forrageira e implantou inseminação artificial no rebanho. O resultado foi imediato: sua produção de leite dobrou, saltando de 400 para 800 litros diários — e a meta agora é alcançar 1.000. A área plantada de milho para ração, antes restrita a seis hectares, passou para 30, graças à mecanização. “Sem o banco, isso levaria três décadas”, ressalta.
Ele conta que sempre achou que seria difícil conseguir o crédito, mas o processo foi desburocratizado e eficiente. Com o maquinário, substituí o trabalho manual de até 20 pessoas que nunca consegui contratar, pois sempre fomos apenas três aqui. Agora, temos condições de estar sempre em crescimento”, conta Paulo, que toca a fazenda com o filho e um funcionário.
Empreendedorismo feminino no BNB
A força do microcrédito também se revela nas trajetórias de mulheres que empreendem no campo, unindo tradição, talento e coragem para construir novos caminhos. Entre as homenageadas do Prêmio Banco do Nordeste da Agricultura Familiar e Microfinança Rural 2025, duas histórias chamaram atenção pelo protagonismo feminino e impacto comunitário: Sebastiana Maria da Conceição, do Sítio Cachoeira (Cedro), e Elizabete Cristina Cabral de Moura, de Surubim.

Assim como Paulo, elas foram beneficiadas pelo microcrédito orientado, uma das mais poderosas ferramentas de transformação social no campo. A agricultora Sebastiana Maria da Conceição, do Sítio Cachoeira, no município de Cedro, tem baixa escolaridade, mas uma veia empreendedora natural. Ela foi a primeira da comunidade a procurar o Banco do Nordeste, em 2010, para financiar um forno a lenha e comprar vacas leiteiras.
Hoje, ela e as duas filhas tocam um pequeno negócio de bolos, doces e sequilhos. Produz cerca de 20 bolos por semana, vende na feira e faz entregas regulares em Cedro e Salgueiro. “Eu viva com as mãos abanando, não sabia o que fazer. Ai tive a ideia de buscar ajudo do Banco do Nordeste”, recorda.
Ao lado das duas filhas, que a ajudam na produção, Sebastiana consolidou um negócio que não só gera renda, mas inspira outras mulheres da comunidade a seguirem o mesmo caminho. “Foi o crédito que mudou minha vida. Agora tenho renda, tenho clientes, e ainda incentivei outras mulheres da comunidade a também buscarem o banco”, diz Sebastiana.

Já Elizabete Cristina Cabral de Moura, de Surubim, é o retrato de uma retomada com propósito. Filha de agricultores, ela cresceu no campo, se formou em Pedagogia e se especializou em Educação Inclusiva, mas foi ao retornar às raízes que encontrou realização profissional. Com apoio do Agroamigo, montou seu próprio negócio em casa, transformando o leite da fazenda da família em queijos, manteigas, bolos e doces.
Além de gerar renda e ampliar a presença de mulheres no empreendedorismo rural, Elizabete também exerce um papel de liderança local: promove oficinas, participa de eventos e atua junto à associação da comunidade, estimulando outras mulheres a empreender. “Eu mostro que é possível crescer sem sair do campo. O crédito me deu as condições, e agora eu quero levar isso adiante, inspirando outras mulheres a acreditarem que também podem”, afirma.
A edição 2025 do Prêmio Banco do Nordeste da Agricultura Familiar e Microfinança Rural, reconheceu essas e outras histórias de sucesso do Agroamigo. Ao todo, sete produtores de Pernambuco foram homenageados por suas iniciativas empreendedoras. Em comum, todos encontraram no crédito orientado não apenas apoio financeiro, mas um instrumento de autonomia, dignidade e desenvolvimento.
O Banco do Nordeste tem ampliado o alcance do Agroamigo e do Crediamigo, programas voltados para agricultores familiares e pequenos empreendedores rurais, com foco em desburocratização, orientação técnica e impacto social. Mais que números, o que essas histórias mostram é que, com acesso ao crédito certo, na hora certa, o pequeno pode muito.

“É importante destacar que esse prêmio representa o momento de reconhecimento que o Banco do Nordeste faz para as histórias de empreendedores, que através da instituição conseguiram trazer crescimento para suas famílias. Isso comprova que o Banco Nordeste efetivamente leva desenvolvimento as vidas dos seus clientes”, diz o superintendente do Banco do Nordeste em Pernambuco, Hugo Queiroz,
Confira todos os premiados de 2025:
Categoria Agricultura Familiar
- Empreendedorismo Feminino: Elizabete Cristina Cabral de Moura (Surubim)
- Inovação e Tecnologia: Paulo Cordeiro Cavalcanti Filho (São Bento do Una)
- Sustentabilidade: José Aparecido Freitas da Silva (Garanhuns)
Categoria Agroamigo
- Empreendedorismo Feminino: Sebastiana Maria da Conceição (Salgueiro)
- Inovação e Tecnologia: Valdejane da Silva Cavalcante (São Bento do Una)
- Sustentabilidade: Maria Edilena de Lucena Soares (Ipojuca)
- Crescer com o Agroamigo: Miguel Pereira da Silva (Caruaru)
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