
Com 42 metros de altura e vista panorâmica para o mar da Pajuçara, a roda-gigante Massay-ó-k já atrai visitantes e atenção online. Recém-inaugurada em Maceió, a atração virou assunto nas redes sociais após viralizar um vídeo mostrando a ausência da cabine número 13, detalhe que rapidamente ganhou contornos políticos e intensificou o debate local.
O vídeo que levantou o assunto foi publicado inicialmente por um visitante, intrigado com a numeração da atração. Nas imagens, ele mostra a sequência das cabines e destaca que, entre os números 12 e 14, há uma cabine identificada como 12B, e não 13. O conteúdo viralizou e, em seguida, foi usado por Leonardo Dias, vereador de Maceió e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, para sugerir motivação política na decisão. “Nem na roda-gigante de Maceió tem o número 13”, ironizou o parlamentar, em publicação nas redes.
A reação dividiu opiniões e gerou debate nas redes sociais. Maceió foi a única capital do Nordeste onde Bolsonaro superou Lula nas eleições presidenciais de 2022, o que acabou servindo de combustível para a tentativa de associar a ausência da cabine ao viés político.
Ao que parece, a motivação está mais ligada à superstição do que a um viés político, segundo apurou a reportagem. Até o momento, a empresa responsável pela roda-gigante, a Interparques, não se manifestou oficialmente sobre o episódio.
Roda-gigante é batizada com nome indígena e marca requalificação orla
A nova atração está instalada no Parque Massay-ó-k, espaço anteriormente conhecido como Praça Multieventos, na orla da Pajuçara. O local foi completamente revitalizado na gestão do prefeito JHC e ganhou nome indígena em homenagem à origem da cidade. O termo “Massayó”, do tupi-guarani, significa “aquele que tapa o alagadiço” e batizou o antigo engenho que deu origem ao povoado de Maceió.
Com paisagismo renovado, iluminação em LED, arquibancadas de madeira e novo mobiliário urbano, o parque passou a integrar elementos históricos à experiência turística e de lazer. A roda-gigante, batizada de Roda Massay-ó-k, é o símbolo dessa nova fase e representa a união entre tradição, cultura e modernização à beira-mar.
A roda-gigante será fixa e deve movimentar até R$ 2 milhões por mês na economia local, segundo projeção da Prefeitura de Maceió. A expectativa é de que receba até 1.300 visitantes por dia.
Operada pela holding Interparques, responsável por outras grandes rodas-gigantes no Brasil, como a Roda Rico (SP), a FG Big Wheel (SC) e a roda de Canela (RS), a estrutura conta com cabines climatizadas, com passeio previsto de 18 minutos de duração. Os ingressos já estão à venda, com valores a partir de R$ 35 por pessoa. Para quem deseja exclusividade, há cabines fechadas para até seis pessoas por R$ 269.
O entorno da roda-gigante também foi planejado como espaço de lazer, com lojas, lanchonetes, cafeteria, espaços instagramáveis e áreas de contemplação. A proposta é unir modernidade e experiência cultural para turistas e moradores.

Ausência de número revela superstição em atrações
Apesar das interpretações políticas, a exclusão da cabine 13 não é novidade nem exclusividade de Maceió. A prática é comum em grandes atrações turísticas e meios de transporte pelo mundo. A icônica London Eye, de Londres, por exemplo, também não possui cabine 13. O mesmo ocorre em companhias aéreas como Lufthansa, Air France e Ryanair, que omitem a fileira 13 de suas aeronaves.
O receio com o número 13 também é comum em edifícios comerciais e hotéis nos Estados Unidos, Canadá e China, onde o 13º andar costuma ser excluído da numeração dos elevadores. Trata-se de uma convenção global baseada em fatores culturais e de superstição, adotada por empresas para evitar desconfortos de clientes.
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