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Pernambuco realiza maior exportação de ovos da sua história via Suape

Mesmo como quarto maior produtor de ovos do país, o Estado enfrentava limitações para acessar mercados externos de forma consistente
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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Produção de ovos Nordeste Pernambuco Ceará IBGE
Avicultura pernambucana encontrou novo mercado para ovos /Foto: Rodrigo Felix/ANPr

O Porto de Suape realiza, nesta sexta-feira (20), a maior exportação de ovos já registrada em Pernambuco, com o embarque de cerca de 5 milhões de unidades destinadas à Serra Leoa e à Mauritânia, na África. A operação envolve a produção das granjas São Luís (São Bento do Una), OvoNovo (Caruaru) e Ovos Enavis (Orobó) e foi estruturada pela DEP Export Solutions, com valor superior a R$ 2 milhões.

A iniciativa representa uma inflexão logística e comercial com potencial para alterar a dinâmica da avicultura no Estado. Embora o valor da operação ainda seja modesto, o caráter inédito do embarque por Suape inaugura uma nova rota de inserção internacional para o setor. Não tem registro recentes de exportações de ovos pelo atracadouro.

Historicamente concentrada no mercado regional, a avicultura pernambucana manteve forte dependência do consumo interno do Nordeste. Mesmo como quarto maior produtor de ovos do país, o Estado enfrentava limitações para acessar mercados externos de forma consistente. A operação rompe esse padrão ao estruturar um canal de exportação via Suape, reduzindo custos e ampliando a competitividade.

O movimento ganha relevância estratégica menos pelo volume embarcado e mais pela sinalização de mercado. A entrada em destinos como Serra Leoa e Mauritânia insere Pernambuco em uma geografia comercial com demanda crescente por proteína animal e menor saturação. Isso abre espaço para contratos recorrentes e ganho de escala — fator essencial para diluição de custos logísticos e ampliação de margens.

A operação integra a estratégia do Pacto pelo Agro, que busca aproximar o agronegócio da infraestrutura portuária e ampliar a capacidade exportadora do Estado.

“Entramos em um mercado complexo e altamente exigente. Nossa vantagem competitiva está na qualidade da produção pernambucana, que atende aos padrões sanitários internacionais”, afirma Diógenes Braga, diretor da DEP Export Solutions.

Porto de Suape
Com este primeiro embarque, Suape passa a explorar uma novo mercado: o do agronegócio/Foto: divulgação/Suape

Para os produtores, o envio vai além de uma venda pontual. “Integrar esse primeiro embarque comprova que estamos no caminho certo em termos de biossegurança e padrão produtivo”, destaca Gabriel Galvão, diretor comercial da Granja São Luís.

Leonardo Barros, da Ovos Enavis, avalia o momento como uma mudança estrutural: “Essa exportação inaugura uma nova fase para a avicultura pernambucana, com potencial de desenvolvimento do mercado local e inserção internacional”.

Mais do que um marco isolado, a operação sinaliza uma mudança na função econômica de Suape. Tradicionalmente associado à indústria e à importação de insumos, o complexo passa a se consolidar como corredor de exportação do agronegócio. O movimento se alinha a uma agenda de integração logística que aproxima polos produtivos do interior — como o Agreste — de estruturas portuárias mais eficientes.

“Esta é a primeira de muitas operações que veremos em Suape com foco em mercadorias do setor agropecuário. Unimos nossa infraestrutura de ponta a uma posição geográfica privilegiada para transformar o Estado em um polo exportador de referência, consolidando o nosso porto como um competitivo hub logístico”, destaca Armando Bisneto. Ele acrescentou que o próximo passo é atrair também as cargas de fruticultura do Vale do São Francisco, segmento que assinou protocolo de intenções com o Pacto pelo Agro.

Do ponto de vista produtivo, o embarque valida investimentos em biossegurança e padronização sanitária. A exigência dos mercados internacionais tende a elevar o nível técnico do setor, com possíveis efeitos sobre produtividade e profissionalização da cadeia.

Nesse contexto, o Pacto pelo Agro atua como instrumento de coordenação entre o Estado e o setor produtivo para enfrentar gargalos históricos. Embora a abertura dessa rota não resolva, por si só, os desafios da avicultura pernambucana, estabelece uma base concreta para expansão. Com continuidade e escala, o Estado poderá migrar de um modelo centrado no mercado regional para uma atuação mais diversificada e integrada ao comércio global.

Para o secretário de Agricultura, Cícero Moraes, a nova rota aberta pela avicultura pernambucana pelo Porto de Suape é apenas um passo no caminho que o Pacto pelo Agro está abrindo para os produtores do Estado e da região. “Temos um agro forte que precisava estar mais próximo de Suape, para que possamos estimular ainda mais as nossas exportações, criando rotas, abrindo novos mercados”, ressalta Cícero.

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