
O Porto de Suape realiza, nesta sexta-feira (20), a maior exportação de ovos já registrada em Pernambuco, com o embarque de cerca de 5 milhões de unidades destinadas à Serra Leoa e à Mauritânia, na África. A operação envolve a produção das granjas São Luís (São Bento do Una), OvoNovo (Caruaru) e Ovos Enavis (Orobó) e foi estruturada pela DEP Export Solutions, com valor superior a R$ 2 milhões.
A iniciativa representa uma inflexão logística e comercial com potencial para alterar a dinâmica da avicultura no Estado. Embora o valor da operação ainda seja modesto, o caráter inédito do embarque por Suape inaugura uma nova rota de inserção internacional para o setor. Não tem registro recentes de exportações de ovos pelo atracadouro.
Historicamente concentrada no mercado regional, a avicultura pernambucana manteve forte dependência do consumo interno do Nordeste. Mesmo como quarto maior produtor de ovos do país, o Estado enfrentava limitações para acessar mercados externos de forma consistente. A operação rompe esse padrão ao estruturar um canal de exportação via Suape, reduzindo custos e ampliando a competitividade.
O movimento ganha relevância estratégica menos pelo volume embarcado e mais pela sinalização de mercado. A entrada em destinos como Serra Leoa e Mauritânia insere Pernambuco em uma geografia comercial com demanda crescente por proteína animal e menor saturação. Isso abre espaço para contratos recorrentes e ganho de escala — fator essencial para diluição de custos logísticos e ampliação de margens.
A operação integra a estratégia do Pacto pelo Agro, que busca aproximar o agronegócio da infraestrutura portuária e ampliar a capacidade exportadora do Estado.
“Entramos em um mercado complexo e altamente exigente. Nossa vantagem competitiva está na qualidade da produção pernambucana, que atende aos padrões sanitários internacionais”, afirma Diógenes Braga, diretor da DEP Export Solutions.

Para os produtores, o envio vai além de uma venda pontual. “Integrar esse primeiro embarque comprova que estamos no caminho certo em termos de biossegurança e padrão produtivo”, destaca Gabriel Galvão, diretor comercial da Granja São Luís.
Leonardo Barros, da Ovos Enavis, avalia o momento como uma mudança estrutural: “Essa exportação inaugura uma nova fase para a avicultura pernambucana, com potencial de desenvolvimento do mercado local e inserção internacional”.
Mais do que um marco isolado, a operação sinaliza uma mudança na função econômica de Suape. Tradicionalmente associado à indústria e à importação de insumos, o complexo passa a se consolidar como corredor de exportação do agronegócio. O movimento se alinha a uma agenda de integração logística que aproxima polos produtivos do interior — como o Agreste — de estruturas portuárias mais eficientes.
“Esta é a primeira de muitas operações que veremos em Suape com foco em mercadorias do setor agropecuário. Unimos nossa infraestrutura de ponta a uma posição geográfica privilegiada para transformar o Estado em um polo exportador de referência, consolidando o nosso porto como um competitivo hub logístico”, destaca Armando Bisneto. Ele acrescentou que o próximo passo é atrair também as cargas de fruticultura do Vale do São Francisco, segmento que assinou protocolo de intenções com o Pacto pelo Agro.
Do ponto de vista produtivo, o embarque valida investimentos em biossegurança e padronização sanitária. A exigência dos mercados internacionais tende a elevar o nível técnico do setor, com possíveis efeitos sobre produtividade e profissionalização da cadeia.
Nesse contexto, o Pacto pelo Agro atua como instrumento de coordenação entre o Estado e o setor produtivo para enfrentar gargalos históricos. Embora a abertura dessa rota não resolva, por si só, os desafios da avicultura pernambucana, estabelece uma base concreta para expansão. Com continuidade e escala, o Estado poderá migrar de um modelo centrado no mercado regional para uma atuação mais diversificada e integrada ao comércio global.
Para o secretário de Agricultura, Cícero Moraes, a nova rota aberta pela avicultura pernambucana pelo Porto de Suape é apenas um passo no caminho que o Pacto pelo Agro está abrindo para os produtores do Estado e da região. “Temos um agro forte que precisava estar mais próximo de Suape, para que possamos estimular ainda mais as nossas exportações, criando rotas, abrindo novos mercados”, ressalta Cícero.
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