
A movimentação portuária do Nordeste atingiu 296 milhões de toneladas em 2025, representando 21,1% do total nacional de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas pelo setor aquaviário brasileiro, segundo dados do Painel Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) consolidados em fevereiro de 2026.
A performance regional concentra-se no Maranhão, que sozinho detém 223,7 milhões de toneladas (75,6% da movimentação nordestina) por meio de três terminais especializados em commodities minerais e agrícolas, enquanto os demais seis estados produtores — Pernambuco, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba — somam 72,3 milhões de toneladas (24,4%).
O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA), operado pela Vale, lidera isoladamente a movimentação nordestina com 172,4 milhões de toneladas em 2025, volume que equivale a 58,2% de toda a carga movimentada na região e 12,3% da movimentação nacional. O terminal especializa-se exclusivamente em minério de ferro destinado ao longo curso, com 100% da carga classificada como granel sólido e 169,2 milhões de toneladas embarcadas para navegação de longo curso. O terminal mantém-se como o maior do Nordeste e um dos principais ativos portuários brasileiros.
A movimentação portuária brasileira atingiu 1,4 bilhão de toneladas em 2025, alta de 6,1% em relação aos 1,32 bilhões de toneladas registrados em 2024, segundo a Antaq. O minério de ferro manteve liderança nas exportações, com 425,8 milhões de toneladas movimentadas, seguido por soja (139,7 milhões de toneladas, crescimento de 14%) e adubos fertilizantes (49,3 milhões de toneladas, crescimento de 10%). A movimentação de contêineres alcançou recorde de 164,6 milhões de toneladas (crescimento de 7,2%) ou 15,3 milhões de TEUs (crescimento de 10,2%).

Maranhão concentra três terminais especializados
O Maranhão consolida sua posição como estado-líder da movimentação portuária nordestina ao operar simultaneamente três terminais com vocações complementares. Além de Ponta da Madeira, o estado abriga o Porto de Itaqui, que movimentou 36,8 milhões de toneladas em 2025, e o Terminal Portuário Privativo da Alumar, com 14,5 milhões de toneladas. A soma dos três terminais maranhenses perfaz 223,7 milhões de toneladas, volume superior à movimentação conjunta de todos os demais estados nordestinos.
Itaqui especializou-se em granéis sólidos agrícolas e fertilizantes, com soja liderando as movimentações (18,1 milhões de toneladas), seguida por petróleo e derivados semi-elaborados (6,7 milhões de toneladas), adubos fertilizantes (5,3 milhões de toneladas) e milho (4,5 milhões de toneladas). O porto operou com 25,9 milhões de toneladas de granel sólido e 9,1 milhões de toneladas de granel líquido, destinando 32,3 milhões de toneladas para longo curso e 2,5 milhões de toneladas para cabotagem.
O Terminal da Alumar, por sua vez, movimentou predominantemente bauxita (9,7 milhões de toneladas), produtos químicos orgânicos (3,4 milhões de toneladas) e soda cáustica (0,754 milhões de toneladas). A estrutura operacional do terminal priorizou a cabotagem, com 10,1 milhões de toneladas, seguida por vias interiores (9,8 milhões de toneladas) e longo curso (4,4 milhões de toneladas), indicando forte integração com o abastecimento regional e a logística fluvial amazônica.

Pernambuco lidera em petróleo e derivados
Pernambuco posicionou-se como segundo maior estado na movimentação portuária nordestina, com 25,9 milhões de toneladas distribuídas entre Suape (24,3 milhões de toneladas, queda de 2,37%) e Recife (1,6 milhões de toneladas, queda de 7,98%). O Porto de Suape consolidou liderança regional em petróleo e derivados, com petróleo semi-elaborado (7,6 milhões de toneladas), petróleo bruto (7,4 milhões de toneladas) e óleos de petróleo (6,2 milhões de toneladas) representando 87% da movimentação total do porto.
A estrutura de cargas de Suape distribuiu-se em granel líquido (14,7 milhões de toneladas, queda de 7,70%), contêinerizada (7,6 milhões de toneladas, alta de 7,54%) e granel sólido (1,3 milhões de toneladas, alta de 8,31%). O modal de transporte priorizou longo curso (7,8 milhões de toneladas, alta de 5,63%) e cabotagem (9,9 milhões de toneladas, queda de 6,54%), enquanto o comércio exterior registrou importação em alta de 2,62% e exportação em alta de 21,79%.
O Terminal de Uso Privado do Recife operou com movimentação concentrada em granel sólido (1,1 milhões de toneladas, queda de 13,09%), destacando produtos químicos orgânicos (0,881 milhões de toneladas) e adubos fertilizantes (0,239 milhões de toneladas). A navegação de longo curso respondeu por 1,5 milhões de toneladas (queda de 9,01%), enquanto a cabotagem registrou 0,046 milhões de toneladas (queda de 67,68%).

Ceará equilibra contêineres e granéis
O Ceará movimentou 25,3 milhões de toneladas divididas entre o Terminal Portuário do Pecém (20,5 milhões de toneladas) e o Porto de Fortaleza (4,8 milhões de toneladas). Pecém destacou-se pela diversificação de cargas, operando com contêineres (8,1 milhões de toneladas), granel sólido (8,6 milhões de toneladas) e carga geral (3,7 milhões de toneladas). As principais mercadorias incluíram contêineres (8,1 milhões de toneladas), minério de ferro (3,7 milhões de toneladas), carvão mineral (3,1 milhões de toneladas) e farelo e pó (2,9 milhões de toneladas).
O modal de transporte dividiu-se equilibradamente entre longo curso (8,3 milhões de toneladas) e cabotagem (7,8 milhões de toneladas), com vias interiores respondendo por 0,733 milhões de toneladas. Fortaleza, por sua vez, concentrou operações em granel líquido (2,5 milhões de toneladas) e granel sólido (1,8 milhões de toneladas), destacando petróleo e derivados semi-elaborados (1,7 milhões de toneladas) e trigo (1,1 milhões de toneladas). O transporte dividiu-se igualmente entre longo curso (2,2 milhões de toneladas) e cabotagem (2,2 milhões de toneladas).
Bahia opera com três portos especializados
A Bahia movimentou 12,0 milhões de toneladas distribuídas entre Salvador (6,0 milhões de toneladas), Aratu (5,8 milhões de toneladas) e Ilhéus (0,216 milhões de toneladas). O Porto de Salvador consolidou especialização em contêineres, com 4,9 milhões de toneladas movimentadas e granel sólido (1,1 milhões de toneladas). O transporte priorizou longo curso (3,7 milhões de toneladas) e cabotagem (1,8 milhões de toneladas), com vias interiores respondendo por 0,338 milhões de toneladas.
O Porto de Aratu operou com granel líquido (4,1 milhões de toneladas) e granel sólido (1,7 milhões de toneladas), destacando petróleo e derivados semi-elaborados (2,3 milhões de toneladas), adubos fertilizantes (1,5 milhões de toneladas) e produtos químicos orgânicos (1,0 milhões de toneladas). O transporte concentrou-se em longo curso (5,1 milhões de toneladas), com cabotagem residual (0,304 milhões de toneladas).
Ilhéus registrou movimentação concentrada em minério de cobre (0,169 milhões de toneladas) e cobre (0,024 milhões de toneladas), operando exclusivamente em longo curso (0,216 milhões de toneladas) com predominância de granel sólido (0,170 milhões de toneladas).

Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba complementam
O Rio Grande do Norte movimentou 3,9 milhões de toneladas divididas entre Areia Branca (3,4 milhões de toneladas, alta de 0,36%) e Natal (0,495 milhões de toneladas, alta de 21,10%). Areia Branca especializou-se em sal (3,5 milhões de toneladas), operando com granel sólido (3,4 milhões de toneladas) e distribuindo entre cabotagem (1,4 milhões de toneladas, alta de 349,87%) e longo curso (0,975 milhões de toneladas, alta de 10,66%).
Natal destacou crescimento expressivo em conteinerizada (0,072 milhões de toneladas, alta de 239,78%), carga geral (0,175 milhões de toneladas, alta de 46,82%) e longo curso (0,487 milhões de toneladas, alta de 38,20%). As principais mercadorias incluíram trigo (0,243 milhões de toneladas), madeira e manufaturas (0,137 milhões de toneladas) e contêineres (0,075 milhões de toneladas).
Sergipe operou com 1,5 milhões de toneladas distribuídas entre o Terminal Marítimo Inácio Barbosa (0,886 milhões de toneladas) e o Terminal Aquaviário de Aracaju (0,607 milhões de toneladas). O TMIB destacou cimento (0,273 milhões de toneladas), óleos de petróleo (0,146 milhões de toneladas) e adubos fertilizantes (0,134 milhões de toneladas), enquanto Aracaju concentrou-se em petróleo bruto (0,607 milhões de toneladas).
A Paraíba movimentou 1,2 milhão de toneladas pelo Porto de Cabedelo, operando com granel líquido (0,595 milhões de toneladas) e granel sólido (0,589 milhões de toneladas). As principais cargas incluíram petróleo e derivados semi-elaborados (0,579 milhões de toneladas), óleos de petróleo (0,273 milhões de toneladas) e trigo (0,145 milhões de toneladas), dividindo transporte entre longo curso (0,651 milhões de toneladas) e cabotagem (0,531 milhões de toneladas).
Contexto nacional da movimentação portuária
Os portos públicos nacionais movimentaram 497 milhões de toneladas (crescimento de 4,5%), enquanto os terminais privados alcançaram 906,1 milhões de toneladas (crescimento de 7%). O Porto de Santos manteve-se como maior instalação pública do país, com 142,8 milhões de toneladas (crescimento de 3%). A navegação de longo curso registrou 1,01 bilhão de toneladas (crescimento de 6%), cabotagem alcançou 303,7 milhões de toneladas (crescimento de 3,4%) e navegação interior atingiu 91,3 milhões de toneladas (crescimento de 19,7%).
A Antaq projeta que a movimentação nacional alcançará 1,44 bilhões de toneladas em 2026 (crescimento de 2,7%) e 1,59 bilhões de toneladas em 2030, sustentada pela expansão contínua da produção agrícola, consolidação das exportações minerais e crescimento do comércio internacional.
A participação nordestina de 21,1% do total nacional posiciona a região como eixo estratégico do escoamento de commodities minerais (Maranhão) e petroquímicas (Pernambuco e Bahia), enquanto Ceará e demais estados consolidam vocação em contêineres, granéis agrícolas e abastecimento regional.
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