
A produção industrial do Nordeste fechou 2025 com retração de 0,8%, na contramão da média nacional, que avançou 0,6% no acumulado do ano. Entre os cinco estados nordestinos com participação individual na Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física Regional (PIM-PF), do IBGE, divulgada nesta terça-feira (10), apenas a Bahia registrou crescimento — de 0,3%, abaixo da média do país. Pernambuco recuou 3,8%, Ceará caiu 0,6%, Maranhão perdeu 5,1% e Rio Grande do Norte teve a segunda maior queda nacional, com -11,6%, atrás apenas de Mato Grosso do Sul (-12,9%).
O resultado interrompe um ciclo positivo que vinha sendo registrado na região desde o quarto trimestre de 2023. Até novembro de 2025, a taxa anualizada do Nordeste era de estabilidade (0,0%), mas o desempenho de dezembro — com queda de 5,1% na série dessazonalizada e retração de 4,4% frente a dezembro de 2024 — empurrou o acumulado do ano para o campo negativo. A deterioração entre novembro e dezembro também apareceu nos estados: a Bahia caiu de 1,4% para 0,3% na taxa anualizada, e Pernambuco passou de -3,2% para -3,8%.
Bahia cresce no ano, mas dezembro registra pior resultado desde 2021
O baixo crescimento da Bahia no acumulado do ano contrasta com a volatilidade do último trimestre. Em dezembro, a produção industrial baiana caiu 10,1% frente a novembro na série dessazonalizada — o pior resultado do estado desde março de 2021 (-11,6%) — e recuou 9,2% na comparação com dezembro de 2024.
A queda eliminou o ganho de 3,4% acumulado entre outubro e novembro. Segundo o IBGE, pesaram negativamente as atividades de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel, gasolina automotiva, querosenes de aviação e óleos combustíveis), produtos químicos (propeno não saturado, polietileno linear, etileno não saturado e misturas de alquilbenzenos) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (ventiladores para uso doméstico e eletroportáteis).
| Indicadores Conjunturais da Indústria – Resultados Regionais – Dezembro de 2025 | ||||
|---|---|---|---|---|
| Locais | Variação (%) | |||
| Dezembro 2025/Novembro 2025* | Dezembro 2025/Dezembro 2024 | Acumulado Janeiro-Dezembro | Acumulado nos Últimos 12 Meses | |
| Amazonas | -5,2 | -6,5 | 0,1 | 0,1 |
| Pará | -9,2 | -12,7 | 0,8 | 0,8 |
| Região Nordeste | -5,1 | -4,4 | -0,8 | -0,8 |
| Maranhão | – | -1,9 | -5,1 | -5,1 |
| Ceará | -0,7 | 2,0 | -0,6 | -0,6 |
| Rio Grande do Norte | – | -9,2 | -11,6 | -11,6 |
| Pernambuco | 0,8 | 1,5 | -3,8 | -3,8 |
| Bahia | -10,1 | -9,2 | 0,3 | 0,3 |
| Minas Gerais | -4,7 | 2,0 | 1,3 | 1,3 |
| Espírito Santo | -5,0 | 19,9 | 11,6 | 11,6 |
| Rio de Janeiro | 2,3 | 10,3 | 5,1 | 5,1 |
| São Paulo | -1,6 | -3,2 | -2,2 | -2,2 |
| Paraná | -2,6 | -1,2 | 0,3 | 0,3 |
| Santa Catarina | -2,8 | -0,3 | 3,2 | 3,2 |
| Rio Grande do Sul | -0,5 | 4,9 | 2,4 | 2,4 |
| Mato Grosso do Sul | – | -3,4 | -12,9 | -12,9 |
| Mato Grosso | 1,3 | 2,9 | -5,8 | -5,8 |
| Goiás | -0,5 | 0,1 | 2,4 | 2,4 |
| Brasil | -1,2 | 0,4 | 0,6 | 0,6 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Estatísticas Conjunturais em Empresas * Série com Ajuste Sazonal | ||||
Pernambuco e Ceará sinalizam recuperação em dezembro
Dezembro trouxe sinais divergentes dentro do Nordeste. Na série dessazonalizada, Pernambuco foi um dos três únicos locais com resultado positivo no país, ao lado de Rio de Janeiro (2,3%) e Mato Grosso (1,3%), registrando alta de 0,8%. Na comparação com dezembro de 2024, tanto Ceará (2,0%) quanto Pernambuco (1,5%) superaram a média nacional de 0,4% — base de comparação que considera que dezembro de 2025 teve 22 dias úteis, um a mais que o mesmo mês de 2024 (21).
No Rio Grande do Norte, a retração de 11,6% no acumulado do ano é explicada pela queda na fabricação de óleo diesel e gasolina automotiva, ambos no segmento de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis. Em dezembro, o estado recuou 9,2% contra o mesmo mês de 2024.
O Maranhão perdeu 5,1% no ano, com resultado negativo de 1,9% em dezembro frente ao mesmo mês do ano anterior. O Ceará recuou 0,6% no acumulado, mas a taxa anualizada melhorou entre novembro (-1,3%) e dezembro (-0,6%), indicando desaceleração da queda.
Espírito Santo e Rio de Janeiro puxam crescimento nacional
No fechamento do ano, o setor industrial avançou em 10 dos 18 locais pesquisados pelo IBGE. Nacionalmente, Espírito Santo (11,6%) e Rio de Janeiro (5,1%) lideraram a expansão, impulsionados por indústrias extrativas — petróleo, gás natural e minério de ferro. Santa Catarina (3,2%), Goiás (2,4%), Rio Grande do Sul (2,4%), Minas Gerais (1,3%) e Pará (0,8%) também ficaram acima da média nacional. Paraná (0,3%), Bahia (0,3%) e Amazonas (0,1%) cresceram, mas abaixo dos 0,6% do país.
A pesquisa do IBGE apura dados em 17 unidades da federação com participação mínima de 0,5% na produção industrial nacional, além do Nordeste como agregado regional. O peso de São Paulo, responsável por cerca de um terço da produção industrial brasileira, exerceu a maior pressão negativa sobre a média nacional, com queda de 2,2% no acumulado, puxada por derivados do petróleo (álcool etílico, óleo diesel, gasolina automotiva, asfalto e naftas) e pelo setor farmacêutico.
Quarto trimestre interrompe ciclo positivo da indústria
A perda de ritmo ficou mais evidente no quarto trimestre. No período outubro-dezembro de 2025, o setor industrial nacional recuou 0,5% frente ao mesmo trimestre de 2024, interrompendo a sequência positiva iniciada no quarto trimestre de 2023.
No Nordeste, a passagem do terceiro trimestre (alta de 1,6%) para o quarto (-0,6%) reforçou a tendência de desaceleração. A Bahia passou de 1,8% para -2,0% entre os dois trimestres, e São Paulo aprofundou a queda de -1,1% para -4,2%.
A média móvel trimestral do Nordeste fechou dezembro com queda de 1,8%, a quarta mais intensa entre os locais pesquisados, atrás de Pará (-3,6%), Bahia (-2,3%) e Rio Grande do Sul (-2,1%).
O cenário de juros elevados e a retração em segmentos de derivados de petróleo e biocombustíveis foram determinantes para o desempenho negativo em diversos estados, configurando um freio estrutural à indústria nordestina no fechamento de 2025.
*Com informações do IBGE
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