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ZPE Ceará aprova R$ 571 bi em data centers e fábrica de amônia verde líquida

Conselho Nacional das ZPEs aprovou 10 projetos na ZPE Ceará: 9 data centers (Casa dos Ventos e ByteDance) e 1 fábrica de amônia verde da CDV Pecém (R$ 12 bi). Empreendimentos gerarão 30,6 mil empregos diretos e adicionarão R$ 80 bi/ano à balança comercial
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ZPE Ceará está dentro do Complexo Portuário do Pecém
Instalada no Complexoi Portuário do Pecém, a ZPE Ceará foi reconhecida como a melhor zona de livre comércio do mundo. Foto: Ascom Complexo do Pecém

A Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará), localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), teve aprovados R$ 571 bilhões em investimentos durante a 41ª reunião ordinária do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), realizada no dia 3 de novembro. Trata-se do maior volume de recursos já autorizado para uma única ZPE no Brasil desde a criação desse modelo, em 1988.

Os recursos serão destinados a projetos que têm previsão de entrada em operação até 2035, com destaque para setores estratégicos como infraestrutura digital, energia renovável e combustíveis de baixo carbono. Dos 12 projetos empresariais validados pelo conselho, dez estão vinculados à ZPE Ceará e concentram 97% do total investido. Os empreendimentos aprovados consolidam a posição do estado como destino estratégico para a instalação de negócios voltados à transição energética, à digitalização da economia e à indústria de base tecnológica.

Datacenters e energia limpa impulsionam os aportes

Entre os investimentos aprovados, destacam-se nove projetos de datacenters — sendo oito da Casa dos Ventos e um da Bytedance Brasil Tecnologia Ltda., controladora da plataforma TikTok. Esses empreendimentos devem adicionar cerca de R$ 80 bilhões por ano à balança comercial brasileira no setor de serviços digitais, contribuindo para a ampliação da participação brasileira na economia global de dados.

Outro destaque é o projeto da CDV Pecém para instalação de uma fábrica de amônia verde líquida, com investimento estimado em R$ 12 bilhões. A produção será viabilizada por meio de energia renovável e água de reuso, posicionando o estado como maior hub de hidrogênio verde das Américas.

Além disso, cerca de R$ 22 bilhões serão aplicados em infraestrutura elétrica e na implantação de novos parques eólicos e solares. O conjunto dos projetos prevê a geração de 30,6 mil empregos diretos, além de contrapartidas sociais e tecnológicas da ordem de R$ 200 milhões, e investimentos indiretos estimados em mais de R$ 21,7 bilhões.

Estrutura do Pecém garante atratividade global

De acordo com o presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, a aprovação dos investimentos confirma a competitividade do modelo industrial cearense, que integra porto, ZPE e área industrial com infraestrutura logística e energética de alto desempenho. Já o presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, ressaltou que esta foi a maior aprovação de investimentos da história do CZPE, tanto em valores quanto no alcance territorial, beneficiando diretamente regiões do interior do estado.

A presença de cabos submarinos internacionais, a disponibilidade de energia limpa em larga escala e o acesso a água industrial estão entre os fatores que atraem megaprojetos internacionais para o Pecém.

Crescimento da indústria cearense supera médias nacional e regional

A aprovação dos novos empreendimentos ocorre em um contexto de forte expansão da produção industrial do Ceará, que fechou o ano de 2024 com crescimento acumulado de 6,9%, segundo dados do IBGE. O desempenho foi o maior entre os estados pesquisados, superando a média nacional (3,1%) e a média da Região Nordeste (2,5%).

Setores como têxtil (+29,3%), confecção de vestuário (+20,1%), calçadista (+18,3%) e metalurgia (+15,1%) lideraram o avanço, refletindo a consolidação do estado como um dos polos industriais emergentes do país.

Reconhecimento internacional e novos paradigmas de desenvolvimento

Em 2025, a ZPE Ceará foi reconhecida como a melhor zona de livre comércio do mundo pela publicação fDi Intelligence, do grupo Financial Times. A premiação destacou a qualidade da infraestrutura, o ambiente regulatório e a política de incentivo à sustentabilidade adotada pelo estado.

A articulação entre política industrial, atração de investimentos estrangeiros, uso eficiente de recursos naturais e inclusão tecnológica tem sido apontada por analistas como modelo a ser observado por outras regiões brasileiras. Com a entrada em operação dos projetos recém-aprovados, o Ceará tende a se consolidar como protagonista na nova geoeconomia baseada em baixo carbono, dados e tecnologia limpa.

*Com informações do Governo do Ceará

Leia mais: Omnia se une à Casa dos Ventos em data center cearense de R$ 50 bi para TikTok

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