Nova empresa quebra jejum na navegação de cabotagem

Empresa vai operar na cabotagem em 5 portos, entre eles, Suape e Pecém com logística integrada e já negocia com a ferrovia Transnordestina.

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Cabotagem Norcoast
Navio da Norcoast que fará operação de cabotagem/Foto: divulgação

Em fevereiro de 2024, uma joint venture vai quebrar um jejum de várias décadas na navegação por cabotagem, no Brasil, dando origem a Norcoast. Fruto da parceria (50%-50%) entre a brasileira Norsul e a alemã Hapag-Lloyd, ela será a quarta empresa a operar neste restritíssimo mercado de navegação costeira. Entre os cinco portos onde seus navios farão paradas estão Suape (PE) e Pecém (CE).

A Norsul opera há 60 anos na cabotagem com granel, mas entra na joint venture para transportar contêiner. O negócio contará com navios da Hapag-Lloyd, que possui uma frota de 258 porta-contêineres e é uma das principais empresas de transporte marítimo regular do mundo.

CEO da Norcoast Gustavo Pachoa
CEO da Norcoast Gustavo Paschoa/Foto: divulgação

Com operação independente, a nova empresa terá com CEO Gustavo Paschoa, executivo com experiência no setor de transporte e logística brasileiro, incluindo cargos de gestão na Norsul, Damco, DSV e Penske Logistics. Paschoa explica que o negócio surgiu da percepção de oportunidade num setor que, nos últimos 15 anos, teve taxa média de crescimento de 11% ao ano. “Essa taxa tende a se perpetuar diante da demanda reprimida”, reforça.

Isso ocorre porque a matriz de transporte brasileira é dominada pelo modal rodoviário. Atualmente, os caminhões respondem por 80% de tudo que é transportado no Brasil, contra 13% da cabotagem. Segundo Paschoa, se forem retirados do modal marítimo os óleos combustíveis e o gás, a cabotagem responderia apenas por 5%.

Outro fator de estímulo é o processo de descarbonização global. Oitenta por cento da carga transportada no mundo ocorre pelo modal marítimo, que emite apenas 3% dos gases de efeito estufa. Empresas aderentes à governança ambiental, social e corporativa ou seja, ao ESG (do inglês, Environmental, social, and corporate governance), tendem a repensar seus modelos de negócios buscando meios de reduzir suas emissões.

Crescimento da cabotagem

No entanto, há um obstáculo para o crescimento da cabotagem, que é a regularidade. Mas, com quatro embarcações irmãs, a Norcoast pretende superá-lo. Esse é um ponto chave no negócio. “Termos quatro navios com capacidade 3.500 de TEUs e teremos periodicidade semanal. Por serem similar entre si, os navios não geram variação na oferta de capacidade, o que permite um planejamento preciso do transporte”, explica o CEO.

A empresa é habilitada para fazer transporte multimodal e vai operar com logística integrada. Como não dispõe de caminhões, firmou contratos com transportadas locais e com ferrovias. No Nordeste, está negociando com a Transnordestina para transitar carga por Pecém.

Os portos do Ceará e de Pernambuco são estratégicos para a operação. “A ideia é fomentar o polo industrial de Suape e o futuro polo de hidrogênio verde de Pecém. Entendemos que esses portos serão portas de entrada para o fluxo que vamos estabelecer no país. Eles têm conexão com rotas internacionais. Vamos poder escoar para exportação, via cabotagem, com transbordo em Suape e Pecém. Tanto de Norte a Sul, como no sentido inverso até Manaus (AM)”, diz Paschoa. Além desses três portos, a Norcoast vai operar em Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Com os quatro navios, um sistema digital e logística integrada, a Norcoast espera superar a concorrência com o caminhão. O serviço multimodal abrangerá uma distância de até 400 km a partir dos portos onde atuará. A empresa pretende atrair novos clientes mostrando que, com planejamento, o custo do transporte será inferior ao rodoviário, com ganho de cerca de 50% no tempo de entrega da mercadoria.

No momento, duas embarcações da Hapag-Lloyd estão sendo relocadas das operações de trade do Chile e da África do Sul com o Brasil. Elas vão trocar de bandeiras e serão tripuladas com mão de obra 100% brasileira. A expectativa é que os trâmites junto ao Tribunal Marítimo e à Capitania dos Portos sejam concluídos até fevereiro de 2024 para a operação ter início a partir do Porto de Santos.

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