
Sergipe é o único estado do Nordeste com duas distribuidoras no ciclo de reajuste tarifário anual de 2026 e concentra os dois maiores índices da região. A Companhia Sul Sergipana de Eletricidade (Sulgipe) registrou efeito médio de 12,87%, o mais alto do bloco nordestino, aprovado na sexta-feira (22) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Energisa Sergipe, que atende a maior parte do estado, teve reajuste de 6,86% aprovado em 22 de abril, o segundo maior índice regional. Ambos já estão em vigor.
A Sulgipe tem sede em Estância (SE) e fornece energia para 177.060 unidades consumidoras em 14 municípios: Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itabaianinha, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Santa Luzia do Itanhy, Tobias Barreto, Tomar do Geru e Umbaúba, em Sergipe, além de Jandaíra e Rio Real, na Bahia.
A área de concessão totaliza 5.816 km², sendo 4.434 km² em Sergipe e 1.382 km² na Bahia. Os percentuais variam por segmento: consumidores residenciais da classe B1 terão alta de 9,71%; o efeito médio para a baixa tensão é de 10,13%; e a alta tensão registra o maior impacto, com 22,91%. A Aneel apontou alta dos encargos setoriais, custos de transporte e componentes financeiros como principais fatores.
O restante do Nordeste registrou índices significativamente menores no mesmo ciclo. Na Bahia, a Neoenergia Coelba teve efeito médio de 5,85%, com impacto residencial de 3,93%. No Ceará, a Enel registrou 5,78%; no Rio Grande do Norte, a Neoenergia Cosern ficou em 5,40%; em Alagoas, a Equatorial atingiu 5,43%; e em Pernambuco, a Neoenergia teve o menor índice médio do bloco, com 4,25%.
Concentração de reajustes de energia em Sergipe
O índice da Sulgipe supera em mais de 6 pontos percentuais o da Energisa Sergipe e em mais de 8 pontos o da Neoenergia Pernambuco, o menor do bloco. A diferença se acentua no segmento de alta tensão: enquanto a Sulgipe aplicou 22,91% nessa categoria, a maioria das distribuidoras nordestinas ficou entre 7% e 10% no mesmo grupo.
O porte reduzido da área de concessão é um fator estrutural relevante: com 177 mil unidades consumidoras distribuídas em 5.816 km², a Sulgipe opera em escala significativamente inferior às grandes distribuidoras da região, o que eleva o custo médio de fornecimento e amplifica o peso dos encargos setoriais e dos componentes financeiros sobre a tarifa. A Energisa Sergipe, por sua vez, atende mais de 919 mil unidades consumidoras, base cerca de 5 vezes maior, o que dilui os mesmos tipos de custo e resulta em índice proporcionalmente menor.
*Com informações da Aneel
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