
Fernando de Noronha inaugurou, nesta sexta-feira (15), a primeira etapa da Usina Solar Noronha Verde, projeto que vai substituir gradualmente o uso de biodiesel e descarbonizar o abastecimento de energia elétrica do arquipélago. Com investimento superior a R$ 350 milhões, a iniciativa teve 4.800 placas solares instaladas e já iniciou os testes de injeção de energia na rede local.
A estrutura entregue corresponde a 15% da planta total e marca o início de uma mudança estrutural na matriz energética da ilha, hoje abastecida predominantemente pela Usina Tubarão. O projeto, liderado pela Neoenergia, deverá ser concluído até o fim de 2026, com entrada em operação plena prevista para o início de 2027.
Quando estiver totalmente finalizada, a usina contará com mais de 30 mil painéis fotovoltaicos, capacidade instalada de 22 MWp e um moderno sistema de armazenamento em baterias (BESS, na sigla em inglês) com 49 MWh, volume suficiente para abastecer o equivalente ao consumo de cerca de 9 mil residências no continente.

Redução de emissões e maior segurança energética
A iniciativa altera de forma estrutural a matriz energética da ilha. Atualmente, o fornecimento de eletridade em Fernando de Noronha depende predominantemente da Usina Tubarão, que utiliza biodiesel para geração. Com a entrada em operação da Noronha Verde, a expectativa é reduzir de forma significativa as emissões de carbono, além de diminuir a dependência do transporte de combustíveis do continente e ampliar a segurança do sistema elétrico, especialmente em períodos de maior fluxo turístico.
Para o diretor-presidente da Neoenergia Pernambuco, Saulo Cabral, a entrega da primeira fase simboliza o cumprimento de um compromisso assumido com a sociedade. “A descarbonização da geração de energia da Ilha de Fernando de Noronha foi um compromisso assumido pela Neoenergia com toda a sociedade. A entrega da primeira fase da Usina Noronha Verde, dentro do prazo acordado com os governos federal e estadual, reitera o comprometimento da empresa com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente”, destacou.
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, ressaltou que o empreendimento está alinhado à estratégia estadual de desenvolvimento sustentável. “O dia de hoje marca o avanço na transição energética e na descarbonização de Fernando de Noronha. Um lugar só pode ser bom para os seus visitantes quando é bom para seus moradores”, afirmou.
Na avaliação do administrador do arquipélago, Virgílio Oliveira, os benefícios vão além da agenda ambiental. “Além da questão ambiental, da redução da emissão do carbono, que por si só é importantíssima para a nossa ilha, também temos um ganho de infraestrutura espetacular. Isso vai dar um conforto de infraestrutura energética muito maior para os moradores e também para os turistas que visitam Noronha”, disse.
Engenharia adaptada às exigências ambientais da ilha
A complexidade do projeto exigiu uma engenharia compatível com as restrições ambientais e logísticas de uma unidade de conservação federal. A diretora técnica da Caruso, Carolina Claudino, explicou que a atuação da empresa vai além do licenciamento ambiental. “Estamos acompanhando diariamente as atividades em campo, coordenando e executando programas ambientais e comunicação social junto à população local”, comentou.
O empreendimento foi licenciado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O projeto conta ainda com parceria do Ministério de Minas e Energia e apoio do Governo de Pernambuco.
Fernando de Noronha como laboratório sustentável
A Usina Noronha Verde integra o programa Mais por Noronha, conjunto de iniciativas desenvolvidas pela Neoenergia para transformar o arquipélago em um laboratório de sustentabilidade. Ao longo dos últimos anos, o programa acumulou projetos voltados à eficiência energética, à mobilidade sustentável e ao incentivo à microgeração distribuída.
O programa também incluiu a instalação de duas usinas solares para abastecimento de veículos elétricos, com 12 eletropostos distribuídos em pontos estratégicos da ilha, a disponibilização de 14 veículos elétricos, o estímulo ao uso de bicicletas elétricas e a substituição de todos os medidores de energia, tornando Noronha o primeiro local do Nordeste a operar com Redes Elétricas Inteligentes.
Em novembro de 2025, a empresa inaugurou a primeira usina solar fotovoltaica flutuante do arquipélago, instalada no Açude do Xaréu, com potência de 622 kWp e geração estimada em 1.083 MWh por ano, suficiente para suprir cerca de 50% do consumo da Compesa na ilha e evitar a emissão de 717 toneladas anuais de CO₂.
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