
A Engie Brasil Energia colocou em operação nesta semana o primeiro trecho do sistema de transmissão Asa Branca, entre os municípios de Poções (BA) e Medina (MG). O novo trecho adiciona 334 quilômetros à malha de transmissão e ajuda a aliviar um gargalo que trava a expansão de projetos solares e eólicos na região Nordeste. A linha faz parte de um conjunto maior de obras que deve somar cerca de 1.000 quilômetros de linhas e cinco subestações, com conclusão prevista até o segundo trimestre de 2026.
A construção do trecho Morro do Chapéu II – Poções III começou em agosto de 2024, com a implantação de uma linha de transmissão de 500 kV e a ampliação de duas subestações existentes. A infraestrutura atravessa 19 municípios e representa a primeira entrega parcial do Sistema de Transmissão Asa Branca, operado pela SPE Serra do Assuruá Transmissora, controlada pela Engie.
A Receita Anual Permitida (RAP) contratada para o projeto é de R$ 282,7 milhões. A concessão foi obtida no leilão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2021 e tem validade de 30 anos.
Escoamento limitado de energia travava projetos no interior baiano
Com forte concentração de usinas eólicas e solares, o interior da Bahia enfrenta há anos limitações na capacidade de escoamento da energia gerada. De acordo com dados da Aneel, há mais de 10 gigawatts (GW) de projetos renováveis com outorga aguardando conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A maior parte está localizada em regiões que ainda não contam com infraestrutura de transmissão compatível.
A operação do novo trecho da linha Asa Branca permite o envio de até 2 mil megawatts (MW) da Bahia para os centros de carga do Sudeste, reduzindo o risco de sobreoferta local e ampliando o espaço para novos empreendimentos privados. Segundo o governo baiano, os efeitos esperados incluem aumento na arrecadação municipal, geração de empregos e maior previsibilidade para investidores do setor.
Nordeste lidera matriz renovável, mas depende de novas conexões
A Bahia lidera a produção eólica nacional, com cerca de 30% da capacidade instalada, e avança também na geração solar. O Nordeste como um todo responde por mais de 80% da energia eólica gerada no país. Apesar da relevância na matriz elétrica brasileira, a região ainda opera com gargalos crônicos na infraestrutura de transmissão — o que limita a entrada em operação de novos projetos e pressiona o custo de capital de empreendedores locais.
O trecho entregue nesta quarta-feira (27) conecta os sistemas da Axia (antiga Chesf) e da Cemig, integrando os estados da Bahia e Minas Gerais. As próximas fases do projeto incluem a interligação ao Espírito Santo, com previsão de conclusão total até 2026.
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