
Todos os dez aeroportos nordestinos incluídos na primeira rodada do Programa AmpliAR foram contemplados no leilão realizado nesta quinta-feira (27), na sede da B3, em São Paulo. A GRU Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos, garantiu a maior parte dos terminais — 12 dos 13 concedidos, incluindo nove no Nordeste. A exceção foi o aeroporto de Jericoacoara (CE), arrematado pela Fraport Brasil com deságio de 100%.
A rodada marca o início da execução do Programa de Investimentos Privados em Aeroportos Regionais, o AmpliAR, que busca ampliar a conectividade aérea em regiões com baixa oferta de voos comerciais. A concessão foi formalizada por meio de aditivos contratuais aos contratos existentes, sem cobrança de outorga fixa e com previsão de aportes privados em infraestrutura básica, segurança e operação.
Com os resultados homologados, os investimentos diretos efetivamente contratados somam R$ 731,6 milhões, conforme divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O valor refere-se aos 13 aeroportos regionais arrematados na primeira rodada do Programa AmpliAR e representa uma redução em relação à estimativa inicial de R$ 1,25 bilhão apresentada no edital.
A diferença se explica pela exclusão de sete terminais do cálculo — incluindo Jericoacoara (CE), que teve deságio de 100%, e seis aeroportos que não receberam propostas — além de eventuais ajustes nos valores finais de investimento homologados durante a fase de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Segundo os documentos técnicos anexos ao edital, os investimentos originalmente previstos para os 13 aeroportos concedidos somavam cerca de R$ 986,7 milhões.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, classificou o leilão como um momento histórico para a aviação do Brasil e acrescentou que, a partir de 2026, novas oportunidades vão surgir. “Esse é um marco histórico para a agenda do desenvolvimento do Brasil. Estamos saindo de 59 aeroportos concedidos para 72 concessões, e a nossa meta para os próximos dois anos é de chegarmos a mais de 100 aeroportos concedidos”.
Treze dos 19 aeroportos foram concedidos; seis ficaram sem propostas
O leilão ofertou 19 aeroportos regionais distribuídos entre as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Treze foram efetivamente arrematados, com predominância da GRU Airport, que demonstrou apetite em ampliar sua atuação no segmento regional, assumindo terminais em sete estados. Apenas a Fraport Brasil, responsável pelo Aeroporto de Fortaleza, concorreu e venceu um dos ativos ofertados.
A GRU Airport apresentou propostas com deságio de 0% em todos os 12 aeroportos que arrematou, optando por não reduzir a outorga mínima estipulada pelo edital. Essa estratégia indica confiança na viabilidade operacional dos ativos, priorizando estabilidade contratual e execução dos investimentos exigidos. A ausência de concorrência na maioria dos lotes reforçou a eficiência desse posicionamento.
O formato adotado no AmpliAR permite a entrada de operadores de menor porte, com regras mais flexíveis e sem exigência de outorga onerosa. Estão previstas medidas como reequilíbrio econômico-financeiro, prorrogação contratual e ajustes operacionais de acordo com o porte e o perfil de cada terminal, promovendo uma lógica mais adaptada à aviação regional.

Disputa por Jericoacoara confirma atratividade do destino turístico
Terminal com maior demanda estimada da rodada e um dos mais relevantes sob o ponto de vista turístico, o aeroporto de Jericoacoara (CE) foi o único a registrar disputa no leilão. Localizado no município de Cruz, o equipamento é oficialmente denominado Aeroporto Comandante Ariston Pessoa e serve de acesso ao destino turístico de Jericoacoara, um dos mais procurados do país.
O terminal recebeu três propostas na fase inicial: GRU Airport, com deságio de 0%; PRS Aeroportos, com 5,1%; e Fraport Brasil, com 100%. As duas com maior deságio — Fraport e PRS — avançaram para a fase de lances, como previsto no edital. No entanto, apenas a Fraport apresentou lance final, confirmando a vitória com deságio integral de 100%.
Segundo o modelo econômico-financeiro do edital, Jericoacoara apresentava a maior projeção de movimentação da rodada: 274 mil passageiros por ano até 2030. Além disso, estavam previstos R$ 90,8 milhões em investimentos diretos, que foram desconsiderados da soma final após a proposta com deságio total. A atratividade turística e o potencial de crescimento do terminal explicam o interesse de grupos consolidados no setor.
Investimentos no Nordeste somam R$ 641,7 milhões em nove terminais
Com a vitória da Fraport em Jericoacoara e o deságio de 100%, nove aeroportos do Nordeste foram concedidos à GRU Airport, com valores estimados em R$ 641,7 milhões. Na Bahia, o aeroporto de Paulo Afonso receberá o maior volume de investimentos da região, com R$ 101,3 milhões. Em seguida, estão Barreirinhas (MA), com R$ 86,4 milhões; Guanambi (BA), com R$ 74,6 milhões; e Lençóis (BA), com R$ 73,1 milhões.
Em Pernambuco, foram incluídos os aeroportos de Araripina (R$ 48,3 milhões), Garanhuns (R$ 36,3 milhões) e Serra Talhada (R$ 44,4 milhões). Esses terminais atendem municípios do Agreste e Sertão com demandas por transporte intermunicipal, saúde e escoamento de produção. No Piauí, o aeroporto de São Raimundo Nonato, que atende ao Parque Nacional da Serra da Capivara, terá R$ 41,6 milhões em aportes.
O terminal de Aracati (CE), localizado no litoral cearense e próximo à praia de Canoa Quebrada, completa a lista nordestina sob concessão da GRU Airport, com R$ 35,7 milhões em investimentos estimados. A lista reflete o foco do programa em terminais com vocação turística, potencial de interiorização aérea e estímulo à economia local.
Próximos passos e novas rodadas do AmpliAR
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, os contratos de concessão serão formalizados por meio de aditivos aos contratos já existentes com os operadores vencedores, com vigência prevista a partir do primeiro semestre de 2026. O cronograma prevê período de transição para que os novos gestores se adequem às exigências técnicas, operacionais e regulatórias.
Os operadores privados deverão cumprir obrigações mínimas de investimento e garantir padrões de operação e segurança. Os contratos também preveem gatilhos de reequilíbrio financeiro, caso o desempenho de demanda e receita fique abaixo do projetado. A Anac e a Infra S.A. serão responsáveis por acompanhar a execução das metas de cada terminal concedido.
O governo federal estuda novas fases do programa. Com o leilão inaugural concluído, a previsão é de que mais rodadas do AmpliAR ocorram até 2026, com potencial de atrair até 100 concessões regionais. A estratégia mira a interiorização da malha aérea nacional, especialmente em áreas com baixa conectividade e alto potencial turístico ou de integração regional.
*Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos
Leia mais: Maceió terá 49 voos nacionais e 223 internacionais no verão 25/26











