
A cadeia produtiva da macaúba entrou em nova fase na sexta-feira (29), com a inauguração de um centro técnico agroindustrial em Montes Claros (MG), voltado à pesquisa, cultivo e processamento da palmeira nativa para uso em combustíveis sustentáveis. O projeto, executado pela Acelen Renováveis, prevê a instalação, até 2028, de uma biorrefinaria no município baiano de São Francisco do Conde, dedicada à produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e Diesel Verde, com base na matéria-prima cultivada no semiárido. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integra a carteira do Novo PAC.
O centro recebeu investimento de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões foram financiados pelo BNDES. A estrutura reúne viveiros automatizados, módulos de clonagem, laboratórios de melhoramento genético e unidades de extração de óleo. O objetivo é consolidar a macaúba como alternativa viável para a produção de biocombustíveis em larga escala.
“A macaúba é uma planta que ninguém dava valor, e hoje está aqui, sendo transformada num produto com alto valor agregado. Isso é o Brasil mostrando que é possível fazer uma revolução energética com inclusão social e com geração de emprego”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a inauguração.
A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira nativa do Cerrado e da Caatinga, com potencial de produção superior a 4 mil litros de óleo por hectare e adaptabilidade a áreas de baixa fertilidade — o que a posiciona como solução energética em regiões do semiárido.

Expansão técnica e estruturação da cadeia produtiva
A unidade de Montes Claros atuará como base para distribuição de mudas e protocolos de cultivo em propriedades rurais localizadas no Norte de Minas e na Bahia. O plano prevê o plantio de 180 mil hectares até 2026, com 36 mil já em implantação. A agricultura familiar responderá por cerca de 20% da produção, com meta de inclusão de 10 mil famílias na cadeia.
“Com o Acelen Agripark, inauguramos o maior centro mundial dedicado à macaúba, transformando essa planta em solução energética escalável”, afirmou Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis, empresa responsável pela implementação do projeto.
A colheita da macaúba será realizada em sistemas agroindustriais integrados, com aproveitamento de áreas degradadas, baixo uso de insumos e potencial de recuperação ambiental. A rastreabilidade da matéria-prima e a padronização dos óleos extraídos fazem parte da estratégia para inserção nos mercados nacional e internacional.
Nordeste como eixo da industrialização energética
A matéria-prima cultivada no semiárido mineiro e baiano será processada na primeira biorrefinaria brasileira dedicada exclusivamente à macaúba, com sede prevista em São Francisco do Conde (BA). A unidade terá capacidade estimada de 1 bilhão de litros por ano de SAF e Diesel Verde, com início das operações industriais programado para 2028.
A instalação da planta na Bahia insere o Nordeste como eixo estratégico da produção nacional de biocombustíveis de nova geração. O projeto reforça a vocação da região para integração entre agricultura, ciência e transição energética — combinando políticas de recuperação de solo, geração de renda rural e descarbonização do setor de transportes.
O SAF possui composição compatível com o querosene de aviação tradicional e pode ser utilizado em aeronaves sem adaptação técnica. O uso do óleo de macaúba reduz até 80% das emissões de carbono em comparação ao combustível fóssil, segundo dados do setor.
A próxima fase do projeto inclui a ampliação de viveiros satélites, implantação de unidades demonstrativas e formação de consórcios produtivos em territórios rurais do Nordeste, com articulação entre polos agrícolas, centros técnicos e a planta industrial.
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