
Relatório divulgado na quinta-feira (24) pela Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) revela que o mercado de gás canalizado em Alagoas encerrou 2025 com um movimento contraditório. Ao mesmo tempo em que ampliou a rede de distribuição e aumentou o número de unidades consumidoras ativas, o estado registrou queda expressiva no volume total de gás distribuído ao longo do ano. A média anual de consumo caiu 20,44% em relação a 2024, em um movimento diretamente associado à retração da demanda industrial.
Os dados apontam que o mercado cativo fechou o ano com 10.438 unidades consumidoras ativas, alta de 1,43% sobre dezembro de 2024, e com 660,83 quilômetros de rede de distribuição, o que representa um avanço de 3,47%. Ainda assim, o volume total de gás distribuído em 2025 ficou em 145,88 milhões de metros cúbicos, com média diária de 400,26 mil metros cúbicos por dia.
A leitura da Arsal é direta ao apontar a origem dessa retração. No relatório, a agência afirma que, embora o mercado cativo tenha apresentado expansão da rede e aumento no número de unidades consumidoras, o recuo do consumo esteve “diretamente associado à queda da demanda do segmento industrial”, o principal responsável pelo perfil de consumo do mercado cativo alagoano.
A média anual de consumo industrial caiu de 407,93 mil metros cúbicos por dia em 2024 para 312,91 mil em 2025, uma retração de 23,29%. No segmento de cogeração e geração, a queda foi de 43,08%, saindo de 0,46 mil metros cúbicos por dia para 0,26 mil. Já o segmento veicular recuou 10,29%, passando de 66,47 mil para 59,63 mil metros cúbicos diários.
Ao mesmo tempo, os segmentos residencial e comercial seguiram em trajetória de crescimento. O consumo médio diário residencial subiu 3,75%, passando de 13,34 mil para 13,84 mil metros cúbicos por dia, enquanto o comercial avançou 7,64%, de 12,65 mil para 13,62 mil.
Também houve crescimento no número total de novas unidades interligadas ao sistema. Segundo o relatório, foram 222 novas unidades conectadas em 2025, contra 127 em 2024, o que representa alta de 74,80%.
Mais indústrias conectadas não significaram maior demanda de gás
O relatório aponta que o número de unidades industriais ativas cresceu, mas o consumo do segmento caiu de forma acentuada. Em 2024, eram 45 unidades industriais ativas. Em 2025, esse número subiu para 48, alta de 6,67%. Ainda assim, o consumo médio do segmento recuou mais de 23% no período.
O documento não detalha as razões específicas dessa diferença, mas deixa claro que a retração do volume total esteve associada à queda da demanda industrial.
“Em 2025, o mercado cativo de gás canalizado em Alagoas apresentou expansão da rede de distribuição e aumento no número de unidades consumidoras. Contudo, o volume total de consumo registrou retração, resultado diretamente associado à queda da demanda do segmento industrial, principal responsável pelo perfil de consumo do mercado cativo. Esse movimento evidencia a forte dependência estrutural do setor em relação ao uso industrial, ressaltando a importância de políticas de diversificação da base consumidora para mitigar os efeitos de oscilações conjunturais e assegurar maior estabilidade ao mercado”, diz trecho do relatório.
Mercado livre avança com novas comercializadoras em Alagoas
Se, por um lado, o mercado cativo mostrou apresentou queda no consumo, por outro o relatório aponta avanço na estruturação do mercado livre de gás em Alagoas. Em 2025, a Arsal deu continuidade ao processo de regulamentação da Lei Estadual nº 9.029/2023, promoveu consultas públicas, publicou resoluções e realizou o credenciamento de novas empresas comercializadoras de gás canalizado.
Entre as medidas adotadas, a agência publicou a Resolução nº 198/2025, que trata da vedação à prática de autonegociação nos processos de aquisição de gás pela concessionária.
No mesmo período, a Arsal registrou novas comercializadoras, entre elas Origem Energia Alagoas, Origem Energia, Petrobras, Indra Comercializadora de Energias, Flexgas, Jupiter Trading e MTX Comercializadora de Gás. Segundo o relatório, esse movimento contribui para ampliar a diversidade de agentes no mercado livre estadual e fortalecer um ambiente de concorrência com maior segurança jurídica.
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