
A economia de Pernambuco deve receber uma injeção de R$ 410,9 milhões durante o período da Páscoa em 2026. O número faz parte de um levantamento do Hub de Dados do Comércio, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE). Apesar do volume expressivo, o montante representa uma queda de 2,9% com relação ao ano passado, sinalizando uma acomodação nas decisões de compra dos consumidores.
Para Bernardo Peixoto, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, a data mantém sua relevância estratégica no calendário do primeiro semestre. “A Páscoa permanece como uma das datas relevantes para o comércio no primeiro semestre e, mesmo diante do aumento dos preços de alguns itens tradicionais, o período deve movimentar cerca de R$ 410,9 milhões na economia pernambucana”, afirma.
Inflação do chocolate e bacalhau acima do índice geral
O levantamento aponta que principal vilão do consumo nesta temporada é o preço dos itens típicos, que subiram muito acima da inflação geral de 3,81%. O chocolate lidera as altas, com um salto de 26,3% nos últimos 12 meses. Outros produtos como o achocolatado (17,9%), o bacalhau (13,3%) e o vinho (11%) também registraram reajustes de dois dígitos.
Rafael Lima, economista da Fecomércio-PE, explica que esse movimento força o cliente a buscar alternativas. “A projeção para 2026 indica uma acomodação no consumo em relação ao ano anterior, influenciada principalmente pela elevação de preços de itens associados à Páscoa. O chocolate, por exemplo, acumulou alta de 26% em 12 meses, derivada de um choque de oferta no mercado internacional de cacau”, analisa.
Endividamento trava o potencial de vendas
Além dos preços altos, o nível de comprometimento da renda familiar é um fator decisivo para a retração. O estudo econométrico da federação identificou que, para cada aumento de um ponto percentual no endividamento das famílias nos meses anteriores à data, a movimentação financeira no estado reduz cerca de R$ 6,19 milhões.
Por outro lado, o levantamento aponta que o otimismo do consumidor pode reverter parte desse cenário: cada ponto de melhora no Índice de Consumo das Famílias (ICF) tem o potencial de injetar R$ 4,02 milhões adicionais nas vendas da festividade.
Formalização de pequenos negócios em alta
Um reflexo positivo do período é o avanço na formalização de empreendedores, destaca a federação. A expectativa, ressalta, é que Pernambuco alcance a marca de 8.898 Microempreendedores Individuais (MEIs) formalizados em março e chegue a 9.965 em abril.
Esse movimento sazonal é impulsionado por pequenos produtores e comerciantes que se preparam para atender à demanda por ovos artesanais, pescados e serviços vinculados à Semana Santa.
O presidente Bernardo Peixoto orienta que a adaptação é o caminho para o lojista garantir o fechamento de caixa. “O consumidor tende a ajustar sua cesta de compras e o comerciante que observar essas mudanças de comportamento, oferecendo alternativas de produtos e faixas de preço distintas, encontra melhores condições para aproveitar o fluxo de vendas do período”, argumenta.
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