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Lula rebate EUA, defende Pix e aciona Fazenda contra tarifa de 25%

Relatório dos EUA classifica Pix como prática desleal e propõe tarifa de 25%. Lula rebate com dado de superávit e Fazenda avalia impactos na economia
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  1. Lula argumenta que superávit comercial americano de US$ 415 bilhões justificaria Brasil aumentar tarifas, não EUA.
  2. Governo brasileiro determina avaliação dos impactos das tarifas de 25% propostas pelos Estados Unidos na economia.
  3. Relatório USTR critica práticas brasileiras em seis áreas, incluindo Pix, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.
  4. Banco Central é criticado por atuar simultaneamente como regulador e operador do Pix, gerando conflito de interesses.
  5. EUA busca proteger renda de intermediação de cartões e criar efeito demonstração para outros países, analisa professor.
02.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão - GO. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, segura cartaz a favor do Pix durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão, Goiás. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou nesta terça-feira (2) a proposta do governo Donald Trump de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e inverteu a premissa central do argumento norte-americano: o superávit acumulado pelos Estados Unidos na relação bilateral nos últimos 15 anos chegou a US$ 415 bilhões, o que tornaria o Brasil, e não os EUA, a parte com razões econômicas para elevar taxas. “O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”, disse Lula em discurso em Catalão (GO), durante inauguração de novo campus do Instituto Federal Goiano.

Em paralelo, Lula determinou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que avalie os possíveis prejuízos das medidas norte-americanas para a economia brasileira, sinalizando que o governo prepara resposta institucional ao relatório.

O presidente também revelou que, em reunião realizada em maio na Casa Branca com Trump, os dois acordaram prazo de 30 dias para que suas equipes comprovassem quem detém razão na disputa. Até a publicação do relatório da USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), três rodadas de negociações haviam ocorrido sem acordo.

O relatório da USTR, divulgado em 1º de junho e resultado de investigação aberta em 15 de julho de 2025, classifica práticas brasileiras como “irrazoáveis” ou “discriminatórias” em seis áreas: comércio digital e pagamentos eletrônicos, com crítica direta ao Pix; tarifas preferenciais concedidas a México e Índia; proteção de propriedade intelectual; combate à corrupção; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. O documento propõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e abre prazo de manifestação para o governo brasileiro e empresas afetadas até 15 de julho.

Pix contraria sistemas de pagamentos norte-americanos

No caso do Pix, o relatório afirma que o Banco Central do Brasil (BC) atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, gerando conflito de interesses. O USTR considerou injusto que concorrentes privados, entre eles Visa, MasterCard e WhatsApp Pay, sejam obrigados a oferecer condições diferenciadas ao Pix em disponibilidade, visibilidade e limites tarifários.

O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, rejeitou os argumentos do relatório e apontou que o interesse norte-americano é proteger a renda de intermediação cobrada pelas bandeiras de cartão nas transações, que oscila entre 2% e 5%. Segundo ele, a ação dos EUA busca também criar um “efeito demonstração” para outros países que tentem desenvolver infraestruturas públicas de pagamento semelhantes, como a Índia. “O Pix não está impedindo a operação dos cartões. Ele compete, claro, oferecendo um bem público, gratuito e que funciona. Não existe nenhuma proibição de que um bem público não possa ser oferecido por um Estado soberano”, disse o economista.

Nesta terça-feira, a China declarou apoio público ao Brasil. Em nota divulgada durante o Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil, realizado em Pequim, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, afirmou que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania nacional e na manutenção de sua independência e autonomia. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, participou do encontro e reiterou o interesse do Brasil em ampliar a cooperação prática e a coordenação internacional com o país asiático.

*Com informações da Agência Brasil

Leia mais: EUA ameaçam taxar produtos brasileiros em 25% por supostas práticas desleais

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