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Setor produtivo do NE pede alívio nas tarifas dos EUA

Os produtores do Nordeste tentam sensibilizar as autoridades americanas para o problema socio-econômico que a taxação das exportações aos EUA pode provocar
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Presidente executivo da NovaBio e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha Trump tarifa açúcar. Foto: Paulo Almeida/Folha de Pernambuco/Arquivo
Presidente do Sindaçúcar-PE e da NovaBio, Renato Cunha, mostra o impacto que o tarifaço pode ter na exportação do açúcar da cota americana aos EUA. Foto: Paulo Almeida/Folha de Pernambuco/Arquivo

O presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, entregou, nesta quinta-feira (07), um documento ao encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. A carta mostra o impacto sócio-econômico que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil pode ter na cadeia produtiva do açúcar que faz parte da cota americana e é exportado aos EUA. Também foram incluídas informações sobre a produção das frutas do Vale do São Francisco.

A reunião ocorreu na Segunda Secretaria da Câmara dos Deputados. O embaixador foi recebido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e pelo deputado federal, Eduardo da Fonte (PP), presidente da Comissão de Relações Brasil Estados Unidos na Cãmara. Eduardo fez uma exposição sobre o impacto que o tarifaço poderá ter nas cadeias produtivas das frutas do Vale do São Francisco e nas usinas do Nordeste.

As usinas do Nordeste exportam para os Estados Unidos dentro da cota americana do açúcar com um fornecimento médio de cerca de 150 mil toneladas de açúcar por ano aos Estados Unidos. Geralmente, a cota americana paga duas vezes mais do que o preço do produto no mercado internacional.

A cota – com a quantidade de açúcar a ser vendida por países – vai ser divulgada em setembro e até agora não há informações mostrando se a iniciativa ficou de fora da taxação dos 50%, imposta pelos Estados Unidos a maioria dos produtos brasileiros exportados para aquele país.

“A nossa intenção foi mostrar como o setor é organizado, gera empregos formais e contribui para manter o emprego no Nordeste”, resume Renato Cunha. Tanto o parlamentar como o executivo argumentaram que o açúcar do Nordeste e as frutas do Vale do São Francisco deveriam estar na lista de exceção formada por 694 itens que ficaram de fora do tarifaço de Donald Trump.

Segundo Renato, o embaixador saiu sensibilizado da reunião, disse que ia conversar com as autoridades que tratam do assunto em Washington e recomendar que os dois setores entrem para a lista de exceção dos produtos que ficaram de fora da taxação de 50%.

Também participaram da reunião: o assessor político da Embaixada dos EUA em Brasília, John Jacobs, os deputados federais Lula da Fonte e Cezinha de Madureira.

As tarifas e a cota americana

O Nordeste brasileiro tem, na média, uma cota estabelecida, anualmente, em 150 mil toneladas de açúcar a serem fornecidas aos Estados Unidos. Nos últimos anos, foram vendidas, em média, 209 mil toneladas.

A venda é a maior do que a cota inicialmente estabelecida, porque alguns países não conseguem entregar a quantidade e nem a qualidade exigida pelo importador e aí a região consegue aumentar a quantidade vendida aos EUA. A cota americana do açúcar inclui 39 países.

Também produzem a cana-de-açúcar usada para fazer o açúcar da cota milhares de fornecedores da planta, que são empreendedores de médio e pequeno porte que serão impactados pela atual taxação.

O açúcar da cota americana não era taxado até abril último, quando foi estabelecida uma taxação de 10% para o produto entrar nos Estados Unidos. No entanto, o açúcar da cota produzido no Nordeste embarcou antes de abril.

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