
O Brasil voltou a ampliar sua presença no mercado internacional de carne de frango. Após registrar, em maio de 2025, o primeiro e único caso de gripe aviária numa granja comercial localizada no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, o país enfrentou uma série de restrições impostas por dezenas de países. No entanto, desde 18 de junho, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou o Brasil livre da doença, 30 países já retiraram as barreiras sanitárias, incluindo Peru, Jordânia e Hong Kong.
A retomada tem permitido ao setor recuperar fôlego e retomar os embarques, mesmo diante de um cenário ainda instável. Somente entre janeiro e junho de 2025, as exportações brasileiras de carne de frango movimentaram mais de US$ 4,871 bilhões — o maior valor já registrado para o período, consolidando o Brasil como o maior exportador mundial, com mais de 35% de participação nas vendas globais.
Hong Kong puxa fila de importadores de frango nordestino
A retirada das restrições por parte de Hong Kong tem impacto direto sobre as exportações da Região Nordeste, onde o país asiático é o principal destino dos embarques. Em 2024, Hong Kong respondeu por 47,22% do valor total exportado pela região e por 43,21% do volume comercializado, de acordo com relatório do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE).
Além de Hong Kong, países africanos como Serra Leoa e Guiné também se destacaram entre os compradores da carne de frango nordestina, com crescimento de 216,24% e 105,56%, respectivamente. Alagoas foi o estado que mais avançou, aumentando em 20,21% o valor exportado — em contramão à tendência de retração observada na maioria dos estados da região.
Nordeste avança, mas tem participação modesta nas exportações
O Nordeste brasileiro tem registrado crescimento contínuo na produção de carne de frango. No segundo trimestre de 2024, o abate de frangos na região atingiu 66,66 milhões de cabeças — um salto de 16,51% no número de aves e de 17,28% no peso total, em comparação com o mesmo período de 2023. Pernambuco e Bahia lideraram o desempenho, com alta de até 13,67%.
Apesar dos avanços, a participação do Nordeste nas exportações nacionais ainda é tímida. Entre janeiro e agosto de 2024, a região embarcou 3,96 mil toneladas, o equivalente a apenas 0,15% do total exportado pelo Brasil no período. Em valores, foram US$ 4,23 milhões — queda de 30,4% em relação ao ano anterior.
Desafios persistem, mas perspectivas são positivas
Apesar da recuperação das exportações, o Brasil ainda enfrenta restrições sanitárias impostas por mercados relevantes como China, União Europeia, Canadá e Chile, além de outras cinco nações que mantêm embargos temporários. Outros 22 países adotaram restrições limitadas a áreas específicas, como o município de Montenegro ou o estado do Rio Grande do Sul.
O desafio agora é consolidar a confiança sanitária e diversificar os mercados compradores. A demanda crescente na Ásia, África e Oriente Médio indica que há espaço para o Brasil — e para o Nordeste — ampliarem sua atuação global no setor avícola. A estrutura portuária em desenvolvimento, aliada à vocação produtiva de estados como Bahia, Pernambuco e Alagoas, pode abrir novas frentes para a carne de frango nordestina.
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