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Tarifa de Trump ameaça 4 mil empregos e terminal salineiro do RN

Os Estados Unidos responderam por 47 % do faturamento externo do setor salineiro potiguar entre 2018 e 2024, com média anual de embarques em torno de 530 mil toneladas
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Produção em terminal salineiro em Macau, no Rio Grande do Norte. Quase metade do sal potiguar é enviado para os Estados Unidos. Foto: Fiern/Divulgação

O Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (SIESAL-RN) divulgou nota técnica nesta segunda-feira (14), alertando que a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao sal brasileiro representa risco à permanência do produto potiguar no mercado norte-americano. Segundo o sindicato, a medida tem potencial de provocar “graves consequências econômicas e sociais”, comprometendo a viabilidade do setor salineiro do estado.

O Rio Grande do Norte é responsável por 98% da produção nacional de sal marinho, segundo dados da FIERN, com destaque para os municípios de Areia Branca, Mossoró, Grossos, Porto do Mangue, Macau e Galinhos. A atividade gera aproximadamente 4 mil empregos diretos e sustenta uma ampla cadeia logística de transporte terrestre e marítimo, armazenamento e manutenção. A base operacional das exportações é o Terminal Salineiro Intersal — Porto Ilha — localizado a 14 quilômetros da costa de Areia Branca.

Entre 2018 e 2024, os Estados Unidos foram o destino de 47% do faturamento externo do sal potiguar, com 27% do volume embarcado — cerca de 530 mil toneladas anuais. A estimativa do SIESAL-RN indica que o impacto da tarifa compromete diretamente esse fluxo comercial, ameaçando a sustentabilidade econômica do Porto Ilha, que opera exclusivamente com sal.

O consumo total de sal nos Estados Unidos é estimado em 50 milhões de toneladas ao ano, sendo 16 milhões importadas. O consumo interno brasileiro, por sua vez, gira em torno de 7 milhões de toneladas, volume considerado insuficiente para absorver o excedente do RN em caso de perda dos mercados internacionais.

Concorrência global e inviabilidade logística

A nota técnica do SIESAL-RN afirma que o sal brasileiro perderá competitividade para concorrentes que enfrentam tarifas mais brandas ou nenhuma tributação adicional nos EUA, como Chile, México, Egito e Namíbia. Além disso, destaca que “trata-se de produto com vendas regionalizadas e não globais”, e que não há viabilidade logística ou comercial para redirecionamento imediato de grandes volumes para outros mercados, como Europa ou Ásia. A exportação para essas regiões enfrentaria custos logísticos superiores ao valor de mercado do produto.

A nota também aponta que não existem alternativas operacionais para compensar a perda do mercado norte-americano, e que a medida compromete diretamente o terminal marítimo potiguar e a manutenção dos postos de trabalho no setor.

FIERN e CNI articulam medidas diplomáticas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) solicitaram ao governo federal a abertura de diálogo com os EUA para suspender temporariamente a aplicação da tarifa. As entidades pediram o adiamento da medida por 90 dias, a fim de avaliar os efeitos da tarifação e buscar alternativas que preservem o setor.

Segundo estimativas da CNI, os efeitos combinados da tarifa podem atingir até 110 mil empregos em todo o país, incluindo impactos indiretos sobre cadeias industriais que utilizam o sal como insumo.

A FIERN também alertou que a tarifa impacta negativamente outros segmentos da economia potiguar, como a fruticultura, a pesca e a indústria de petróleo. Em nota oficial publicada em junho, a entidade defendeu ações coordenadas para proteger os setores exportadores do estado.

Setor estratégico para equiíbrio das contas estaduais

De acordo com levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN e da FIERN, o setor salineiro movimenta aproximadamente R$ 300 milhões anuais na economia estadual, sendo considerado estratégico para o equilíbrio das contas externas regionais. O produto potiguar é destinado majoritariamente à indústria química e alimentícia, e o ciclo de produção concentra-se entre setembro e fevereiro, exigindo capacidade de estocagem e escoamento contínuo.

A ausência de alternativas viáveis ao Porto Ilha agravaria gargalos logísticos, já que o terminal responde por mais de 90% das exportações de sal da região. A sua paralisação comprometeria o transporte de cargas em toda a Costa Branca, região dependente da atividade salineira.

Leia mais: Gás natural deve ampliar em 15% exportação de sal do RN em cinco anos

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