
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta sexta-feira (24) que submeterá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no início de maio, a proposta de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% — o chamado E32. A medida tem potencial de reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina, volume que, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), seria suficiente para colocar o Brasil em condição de autossuficiência no combustível pela primeira vez. O anúncio foi feito em Uberaba (MG), durante a abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol. A reunião do CNPE ainda não tem data confirmada.
O contexto energético que motivou a proposta é de pressão crescente. O Brasil importa cerca de 15% da gasolina consumida, dependência agravada pelo aumento de 65% no preço internacional do combustível impulsionado pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) registrou alta de 8% no preço médio da gasolina nos postos brasileiros como reflexo direto dessa exposição externa. “Vamos submeter ao CNPE o E32, elevando o teor de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, percentual que já tivemos os testes aprovados quando adotamos o E30. E nós nos tornaremos autossuficientes em gasolina”, afirmou Silveira.
A viabilidade técnica da medida está apoiada em testes realizados durante os estudos conduzidos para o E30 em 2025, que comprovaram a segurança da mistura para uso em motores. Com caráter excepcional e temporário, a iniciativa terá vigência inicial de 180 dias, prorrogáveis por igual período, conforme deliberação do CNPE.
Além de reduzir a dependência externa, a medida contribui para liberar a infraestrutura logística hoje utilizada para importação de gasolina, ampliando a eficiência no abastecimento de outros combustíveis, como o diesel. A proposta se apoia na Lei do Combustível do Futuro, marco legal aprovado em 2025 que ampliou os mecanismos de incentivo ao etanol e aos biocombustíveis no país.
Nordeste como produtor estratégico de etanol anidro
Para o Nordeste, a elevação da mistura representa uma oportunidade direta de ampliação de demanda. A região produz pouco mais de 2 bilhões de litros de etanol por ano, segundo dados do setor, e suas usinas têm priorizado a produção de etanol anidro — exatamente o componente cuja demanda será ampliada pelo E32 — por apresentar mercado interno garantido pela política de mistura obrigatória na gasolina.
A estratégia foi reforçada institucionalmente na Paraíba, onde o Decreto Estadual nº 47.764/2025 instituiu incentivo de ICMS ao Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC) com objetivo de promover o desenvolvimento regional e ampliar as saídas interestaduais do produto. Os estados de Alagoas — maior produtor regional — e Pernambuco também operam com foco crescente no etanol anidro diante da menor atratividade do açúcar no mercado internacional.
O anúncio ocorre em um momento de expansão da produção sucroalcooleira. A Safra Mineira de Açúcar e Etanol deve atingir 83,3 milhões de toneladas no ciclo atual, crescimento de 11,6% em relação ao ciclo anterior.
No país, a expectativa é de produção de 4 bilhões de litros a mais de etanol em 2026, com a oferta nacional podendo superar 40 bilhões de litros na safra 2026/27, segundo projeções do setor. A demanda adicional gerada pelo E32 pode contribuir para absorver parte desse excedente, especialmente relevante para as usinas nordestinas, que operam com custos industriais e logísticos mais elevados que as do Centro-Sul.
*Com informações da Agência Gov
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