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Suape ignora crise no Golfo Pérsico e cresce 29% no primeiro trimestre

​Setor de combustíveis e gases impulsiona Porto de Suape, que movimentou 6,5 milhões de toneladas e registrou alta de 43% em derivados de petróleo
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Suape - abastecimento de granel líquido
A resiliência do setor mostra que, apesar das tensões internacionais, o porto consolidou seu papel na segurança energética regional. ​No balanço geral, o porto atingiu a marca de 6,5 milhões de toneladas de carga bruta. Foto: Suape/divulgação

O Porto de Suape fechou os primeiros três meses de 2026 com um desempenho acima da média nacional, impulsionado pelas operações de granéis líquidos e gases. Mesmo com a instabilidade global gerada pelo conflito no Golfo Pérsico, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta, o complexo pernambucano movimentou 4,2 milhões de toneladas apenas neste segmento. O volume representa um salto de 43% na comparação com o mesmo período de 2025.

​As cargas de energia, que incluem óleo bruto, derivados de petróleo, GLP (gás de cozinha), etanol e biodiesel, tornaram-se o coração financeiro do atracadouro. Esse grupo de produtos já responde por 65% de tudo o que passou pelos cais de Suape entre janeiro e março.

A resiliência do setor mostra que, apesar das tensões internacionais, o porto consolidou seu papel na segurança energética regional. ​No balanço geral, o porto atingiu a marca de 6,5 milhões de toneladas de carga bruta movimentada.

O resultado é 29% superior aos 5,04 milhões registrados no primeiro trimestre do ano anterior. O diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, destaca que o avanço ratifica a posição do complexo como um hub logístico fundamental para o desenvolvimento do Nordeste e do Brasil.

O papel estratégico dos derivados de petróleo

A liderança de Suape na movimentação de líquidos não é por acaso. O porto serve como o principal ponto de redistribuição de combustíveis para os estados vizinhos. “Encerramos esse primeiro trimestre com a satisfação de ver o Porto de Suape em um ritmo de avanço consistente. O aumento de quase 30% na movimentação total é um reflexo direto da nossa eficiência operacional”, comemora Armando Monteiro Bisneto.

​Além dos combustíveis, outros setores mostraram fôlego renovado. Os granéis sólidos, como trigo e coque de petróleo, somaram 390,7 mil toneladas no período. Embora representem um volume menor que os líquidos, o crescimento percentual foi o mais expressivo do porto: 64,7% de aumento na comparação acumulada.

​A movimentação de cargas unitizadas, transportadas em contêineres, também seguiu em ritmo de alta, ainda que mais moderado. Foram registrados 167,5 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), o que significa um crescimento de 3,4% frente ao resultado do primeiro trimestre de 2025.

Cabotagem domina 70% das operações

Um dos dados mais relevantes do relatório trimestral é a força da navegação de cabotagem, que ocorre entre portos da mesma costa. Essa modalidade registrou uma alta expressiva de 52%, atingindo 4,5 milhões de toneladas. Atualmente, a cabotagem já representa 70% de toda a fatia operacional do complexo portuário pernambucano.

​Dentro desse cenário, os desembarques de mercadorias continuam predominantes, respondendo por 69% do volume total da cabotagem, com alta de 27%. Por outro lado, os embarques, que representam o escoamento da produção, cresceram 34%, revelando que Suape está enviando cada vez mais produtos para outros portos brasileiros.
​O Porto de Suape também tem buscado estreitar laços com o setor produtivo do interior.

“Os resultados do trimestre também ratificam o compromisso de Suape com o Pacto pelo Agro, demonstrando que nossa estrutura está plenamente alinhada às demandas de escoamento e abastecimento desse setor vital”, explica José Constantino, diretor de Desenvolvimento e Gestão Portuária.

Infraestrutura e histórico de investimentos

Atualmente, Suape ocupa a posição de sexto porto público mais movimentado do país. No ano de 2025, o complexo encerrou o ciclo com a marca de 24,2 milhões de toneladas operadas. Esse desempenho histórico é atribuído à localização estratégica no “cotovelo” da América do Sul e ao uso intensivo de tecnologias que aceleram o atracamento e a descarga de navios.

​Inaugurado há 47 anos, o porto já atraiu um montante acumulado de R$ 74,5 bilhões em investimentos da iniciativa privada. Esse capital sustenta um ecossistema com 90 empresas em funcionamento, responsáveis pela geração de mais de 30 mil empregos diretos e indiretos na região.

​Com o desempenho do primeiro trimestre, a expectativa da gestão é manter o ritmo de crescimento para bater novos recordes ao final de 2026. A diversificação das cargas e a robustez do segmento de gases e líquidos colocam o complexo em uma posição de vantagem competitiva, mesmo diante de um cenário econômico e geopolítico desafiador.

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