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Disputa com EUA acende alerta sobre novas funções do Pix, diz especialista

Especialista vê impacto limitado da pressão dos EUA; Nordeste segue como segunda maior base regional de usuários do Pix
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~5:05
  1. Pix ultrapassa 7 bilhões de transações mensais
  2. Nordeste é segunda região com mais usuários
  3. Investigação americana pode afetar novas funcionalidades
  4. Pix tem 7,1 bilhões de transações em maio
  5. Nordeste lidera digitalização dos pagamentos regionais
Pagamento com Pix
Sistema brasileiro Pix ultrapassa 7 bilhões de transações e o Nordeste é a segunda região com maior número de usuários, segundo o Banco Central. Foto: Divulgação

Desde que o governo americano abriu uma investigação comercial contra práticas brasileiras ligadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, o Pix voltou ao centro do debate. O sistema, que cresceu 49% no último ano e chegou a 7,37 bilhões de operações mensais, tem o Nordeste como segunda maior base regional de usuários. Segundo analistas, porém, o principal impacto da disputa não deve ocorrer sobre o funcionamento do Pix, mas sobre a expansão de novas funcionalidades associadas ao sistema.

Dados de maio do Banco Central apontam que o Pix totalizou 7,1 bilhões de transações, que ultrapassaram R$ 2,9 trilhões em valores. O Nordeste segue como a segunda região com o maior número de transações, atrás do Sudeste e à frente das demais regiões do Brasil.

Levantamento do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira (FGVCemif), divulgado em 2025, mostra que Rio Grande do Norte (63,8%), Bahia (60,69%), Pernambuco (60,56%), Sergipe (59,62%) e Ceará (58,99%) figuram entre os estados com maior proporção de usuários do sistema, evidenciando o avanço da digitalização dos pagamentos e da inclusão financeira na região.

O alto volume de transações dentro do Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI) colocou o sistema brasileiro na investigação comercial dos Estados Unidos, aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da Seção 301 do Trade Act de 1974. O mecanismo permite ao governo norte-americano investigar atos, políticas e práticas considerados desleais ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

Pressão americana pode afetar novas funcionalidades no Pix

No caso do Pix, o debate envolve o papel do Banco Central como regulador e operador do sistema, em um mercado onde também atuam bancos, fintechs, instituições de pagamento e empresas globais de tecnologia. A discussão ocorre em paralelo ao novo tarifaço anunciado pelo governo Donald Trump contra exportações brasileiras, que pode ter efeito a partir de 15 de julho.

O presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), Rodrigo de Abreu Pinto, explicou ao Movimento Econômico que a disputa tende a ter impacto limitado sobre o funcionamento do Pix. Segundo ele, não há sinais de que o governo federal pretenda alterar regras que ajudaram a popularizar o sistema, como a gratuidade e a obrigação de instituições com mais de 500 mil contas ativas disponibilizarem o Pix.

“O impacto tende a ser limitado, já que não há sinais de que o atual governo pretenda realizar qualquer mudança nas regras que tornaram o Pix popular, como a gratuidade e a obrigação de instituições com mais de 500 mil contas ativas disponibilizarem o Pix”, afirma.

Apesar de não ver ameaça direta ao funcionamento do Pix, Rodrigo avalia que há riscos em torno da expansão de novas funcionalidades associadas ao sistema. Para ele, a pressão regulatória e comercial pode estimular restrições por parte de parceiros privados, especialmente em soluções que dependem de integração tecnológica.

“Há risco concreto de parceiros passarem a limitar funcionalidades relacionadas ao sistema. Estamos vendo isso com a Apple, que vem restringindo o Pix por aproximação via NFC em iPhones”, diz.

Rodrigo de Abreu Pinto, presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD)
Presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais, Rodrigo de Abreu acredita que não há sinais de que o governo federal pretenda alterar regras do Pix. Foto: Assessoria

No caso do Nordeste, o presidente do IFD avalia que a pressão externa não deve reduzir a utilização do sistema. A popularidade do Pix na região, segundo ele, está associada aos ganhos práticos percebidos pelos usuários, independentemente de renda, origem social ou posicionamento político.

“O Pix é tão popular na região que, independentemente da origem, da classe social ou até mesmo do posicionamento político, os usuários compreendem os benefícios trazidos pelo sistema e não deixarão de utilizá-lo em razão de críticas ou pressões vindas do governo norte-americano, sobretudo porque não foram apresentados argumentos consistentes contra o Pix”, afirma Rodrigo.

Cartões também avançam

Apesar da expansão do sistema de pagamento, o mercado de cartões também mantém trajetória de crescimento no Brasil. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o setor de cartões de crédito, débito e pré-pagos deve crescer entre 9,5% e 11,5% em 2026, ultrapassando pela primeira vez a marca anual de R$ 5 trilhões em transações.

A popularização dos pagamentos por aproximação e a digitalização do consumo têm sustentado a expansão do setor de cartões, em paralelo à consolidação do Pix nas transações de maior frequência.

Na prática, os dois meios tendem a seguir ocupando espaços complementares em um mercado de pagamentos cada vez mais digitalizado, com o sistema brasileiro consolidado como infraestrutura essencial para transferências instantâneas e pagamentos cotidianos.

“O Pix não foi desenhado para excluir o setor privado, mas para funcionar como um trilho sobre o qual bancos, fintechs e empresas de tecnologia possam desenvolver soluções”, afirmou Rodrigo de Abreu.

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