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Moda e tecnologia: financiamentos crescem 900% no polo têxtil em PE

Polo têxtil de PE captou R$ 831 mi no BNB em 2025, alta de 909%. Santa Cruz do Capibaribe concentrou R$ 470 mi, 56% do total, com crescimento de 2.700% sobre 2024
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  1. Santa Cruz do Capibaribe concentra R$ 470 milhões em financiamentos do BNB em 2025, representando crescimento de 2.700% ante 2024.
  2. Setor têxtil e confecções do polo faturou R$ 15,6 bilhões em 2024, superando significativamente o desempenho do Porto Digital de Recife.
  3. Arrecadação de ICMS da indústria têxtil atingiu R$ 126,6 milhões em janeiro, maior valor histórico, superando supermercados e medicamentos.
  4. Polo emprega 32 mil trabalhadores formais e gerou 2.478 novas vagas entre 2024 e outubro de 2025 em Pernambuco.
  5. Tecnologia integra cadeia produtiva com plataformas de IA para vendas, como Modall, recebendo investimento de fundos de capital semente.
Ondas Kids Moda Praia Infantil, de Santa Cruz do Capibaribe (PE) polo têxtil Pernambuco
Ondas Kids Moda Praia Infantil, de Santa Cruz do Capibaribe (PE), se consolida no mercado nacional com o apoio do Brasil Mais Produtivo (B+P), programa do governo federal implementado em parceria com Sebrae, Senai e outras instituições. Foto: Sebrae-PE/Reprodução

Um município de 123 mil habitantes no Agreste de Pernambuco, a 185 km do Recife, onde 41% da população vive de moda e confecções, concentrou R$ 470 milhões em financiamentos do Banco do Nordeste (BNB) em 2025, valor que representa mais da metade dos R$ 831 milhões captados por todo o setor têxtil pernambucano no ano. O volume registrado em Santa Cruz do Capibaribe é 2.700% acima dos R$ 16,8 milhões contratados no município em 2024. “De 2023 para 2024, já houve um aumento de 30%. Agora foram quase 1.000%. Essa dinâmica se desdobra em outros investimentos e geração de emprego em toda a cadeia produtiva”, afirma Hugo Luiz de Queiroz, superintendente do BNB em Pernambuco.

Os recursos, originados principalmente do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), foram aplicados em confecção de peças, comércio de tecidos, tingimento, estamparia e fabricação de acessórios. O salto creditício ocorre sobre uma base econômica já consolidada. Em 2024, as empresas do setor têxtil e de confecções de Santa Cruz do Capibaribe faturaram R$ 6,2 bilhões, o mesmo volume registrado pelo Porto Digital no mesmo ano, segundo levantamento da CDL Santa Cruz do Capibaribe.

O polo tecnológico avançou para R$ 7,4 bilhões em 2025, crescimento de 19%, segundo dados do próprio distrito. Somando Caruaru (R$ 6,0 bilhões) e Toritama (R$ 3,4 bilhões), o Polo de Confecções do Agreste atingiu R$ 15,6 bilhões em faturamento em 2024, mais do dobro do registrado pelo Porto Digital no mesmo período.

Em janeiro de 2025, a indústria e o comércio de tecidos e confecções do estado registraram a maior arrecadação de ICMS da história do setor: R$ 126,6 milhões, superando supermercados (R$ 104,4 milhões) e medicamentos (R$ 92,6 milhões).

A estrutura produtiva que sustenta esse volume é formada majoritariamente por pequenos negócios. Levantamento da Receita Federal aponta 6.413 indústrias de confecção nos três municípios do polo, das quais 99,3% se enquadram como MEI, microempresa ou empresa de pequeno porte. O polo emprega mais de 32 mil trabalhadores formais em Pernambuco e gerou 2.478 novas vagas entre 2024 e outubro de 2025, segundo dados do Novo Caged.

Tecnologia e inovação entram na cadeia produtiva

O crescimento do crédito no polo tem atraído negócios de tecnologia voltados à própria cadeia têxtil. A empresa Entrega+, sediada em Santa Cruz do Capibaribe, desenvolveu o Modall, plataforma de vendas via WhatsApp com inteligência artificial que automatiza atendimentos, organiza funis comerciais e amplia a conversão de clientes.

A solução recebe aporte do Fundo de Investimento em Participações FIP Nordeste Capital Semente, modalidade de capital semente gerida pelo BNB voltada a negócios em estágio inicial com potencial de escala. A empresa foi reconhecida pelo Sebrae como uma das 10 startups mais inovadoras do Brasil em 2025, sendo a única de Pernambuco e a única representante do setor de moda no ranking.

Para Haim Mesel, gestor do fundo, os empreendimentos que surgem na região são conduzidos por uma geração formada dentro do próprio ambiente têxtil. “São filhos e filhas de quem construíram o polo. Pessoas que entendem o mercado pela vivência”, afirma. A agenda de modernização se estende também à gestão de resíduos.

A Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe lançou o programa ReCria Moda Santa Cruz, voltado à gestão e ao reaproveitamento de resíduos têxteis, com implantação de um Centro de Reciclagem de Resíduos Têxteis estruturado com tecnologias limpas, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto do Meio Ambiente de Pernambuco (IMOA).

Polo têxtil estadual e expansão do crédito

No plano estadual, os recursos do FNE disponíveis ao setor incluem o FNE Inovação, linha que financia a implementação de produtos, serviços ou processos novos e também a contratação de consultorias especializadas no acompanhamento e monitoramento de projetos quanto a impactos sociais e ambientais.

A linha conecta diretamente com iniciativas como o ReCria Moda Santa Cruz, programa municipal de reciclagem de resíduos têxteis lançado em parceria com a ABDI e o IMOA. A aceleração do crédito em 2025 indica que a modernização tecnológica e a ampliação da base produtiva do polo devem manter o setor como demandante relevante do fundo nos próximos ciclos.

*Com informações do BNB

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