
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve viajar aos Estados Unidos nesta semana para um encontro bilateral com o presidente Donald Trump. A expectativa é de que a reunião ocorra na quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington. A viagem ainda não foi confirmada oficialmente pelo Palácio do Planalto. O jornal O Globo foi o primeiro veículo a anunciar o encontro, que havia sido acordado pelos dois presidentes em ligação telefônica realizada em janeiro de 2026, após reunião bilateral na 47ª Cúpula da Asean, na Malásia, em outubro de 2025.
Naquela ocasião, os dois líderes conversaram por 50 minutos numa reunião classificada como “muito positiva” pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Uma primeira tentativa de realização da visita, prevista para março, não se concretizou.
A pauta do encontro deve incluir a relação comercial bilateral, com foco nas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, minerais críticos e terras raras, e cooperação no combate ao crime organizado.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, insumo estratégico no contexto da competição global por cadeias de suprimentos fora do domínio chinês. Auxiliares do presidente avaliam como improvável a assinatura de acordos formais sobre o tema neste encontro, que deve servir para aprofundar as discussões.
Contexto internacional adiciona peso à agenda Lula-Trump
O encontro ocorre num momento de alta tensão geopolítica. O ataque conduzido pelos Estados Unidos e Israel ao Irã, nas últimas semanas, tornou o encontro ainda mais estratégico para a diplomacia brasileira. A manutenção da agenda bilateral nesse contexto já seria, por si só, um sinal de estabilidade nas relações entre os dois países, dado o papel central dos EUA no conflito em curso no Oriente Médio.
O barril de petróleo opera acima de US$ 100, pressionado pelas tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O cenário impacta diretamente a política monetária brasileira: o Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano nesta mesma quarta-feira (29), mas reafirmou cautela nos próximos passos diante da incerteza gerada pelo conflito.
Desde o início do tarifaço norte-americano, Lula havia solicitado à sua equipe que viabilizasse a reunião na Casa Branca, local visto pelo governo brasileiro como símbolo de prestígio diplomático. Em novembro de 2025, após a reunião na Asean, os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de 40% imposta sobre vários produtos brasileiros, num sinal de distensão comercial entre os dois países.
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