
Por Giovanni Lorenzon
Com atenção a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, que falando nesta manhã ainda não deu sinais de que vá apoiar uma queda de juros, há uma certa queda-de-braço com os agentes financeiros.
O mercado insiste em enxergar uma redução de juros em janeiro, de 25 pontos-base, mas o chefe da autoridade monetária tem se mostrado relutante.
Pelas perspectivas de inflação se acomodando e desaceleração da geração de empregos, como trouxeram, respectivamente, o Boletim Focus desta segunda, e o Caged da semana passada, as apostas devem ainda seguir contra a perspectiva contracionista do BC.
A pesquisa semanal do Focus indicou a inflação ao final de dezembro em 4,43% (4,45% na segunda anterior), enquanto o Caged registrou 85 mil vagas, contra a expectativa de 119 mil – muito embora o IBGE, na sua versão trimestral de desemprego, informou novamente taxa historicamente baixa de 5,4%.
Mas, na medida em que o Brasil caminha para fechar o ano com cerca de 80% da dívida pública versus o PIB, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil poderá injetar R$ 28 bilhões na economia em 2026 – insuflando a inflação pela demanda -, ainda há expectativa de que o presidente da autoridade monetária permaneça duro no tom.
De todo modo, em semana com vários indicadores mostrando a atividade econômica, com viés de desaceleração, ainda haverá o PIB do terceiro quadrimestre, na quinta, confirmando essa possibilidade de a economia ficando mais frágil.
Juros nos EUA
Em outra parte, dos Estados Unidos, o viés é de cautela, após recordes nas bolsas. A semana está repleta de indicadores que foram represados durante do shutdown. O PCE, o indicador preferido do Federal Reserve (Fed) será divulgado, mas ainda relativo a setembro.
E a dúvida sobre se há ou não uma bolha de valorização excessiva das companhias de IA. O mercado está desvalorizando os principais índices acionários de Wall St. E o dólar está em viés de baixa no mercado externo.
Na soma dos cenários interno e externo, o dólar sobe no Brasil 0,33%, para R$ 5,353, e o Ibovespa acompanha em baixa os índices de Nova York, em 0,40%, para 158,4 mil pontos – mas ainda segurando o teto histórico.
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