
O Conselho de Administração do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) comunicou, nesta terça-feira (21), a saída de Paulo Câmara da presidência da instituição. O ex-governador de Pernambuco, filiado ao PSB, se fasta do cargo em meio a um ciclo iniciado em março de 2023 e marcado por resultados expressivos em crédito e desenvolvimento regional. Como antecipou o Movimento Econômico, o Wanger Antônio de Alencar Rocha, atual diretor financeiro e de crédito, assume como presidente interino.
A decisão foi oficializada por meio de um memorando em que declara “fato relevante” aprovado durante reunião do colegiado. De acordo com o documento, o mandato de Paulo Câmara foi estendido até esta data, conforme o artigo 150 da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76) e o estatuto social do banco.
Wagenr Rocha também acumulará, temporariamente, a função de conselheiro de administração. A escolha de um interino, e não de um substituto definitivo, abre espaço para um possível retorno de Paulo Câmara ao comando do BNB a partir de janeiro de 2026, quando se encerra o período de quarentena previsto para ex-dirigentes de instituições públicas federais.
BNB atingiu recordes de crédito
Durante a gestão de Paulo Câmara, o BNB atingiu recordes em volume de crédito e expansão operacional. De janeiro a setembro de 2025, as contratações somaram R$ 49,8 bilhões, um crescimento de 18,4% em relação ao mesmo período de 2024. Os desembolsos subiram 14,4%, chegando a R$ 47,5 bilhões.
O programa Crediamigo, voltado ao microcrédito produtivo, registrou R$ 9,7 bilhões em operações, avanço de 13,4% frente aos nove primeiros meses do ano anterior. Os números preliminares do terceiro trimestre indicam que o banco segue em ritmo de expansão em todos os segmentos.
O Ministério da Fazenda já havia confirmado, no início de outubro, que a saída de Paulo Câmara foi uma decisão pessoal, comunicada de forma antecipada ao governo federal.
Além da nomeação interina de Wanger Rocha, o Conselho reconduziu cinco diretores para o novo ciclo de gestão 2025-2027: Ana Teresa Barbosa de Carvalho, Antônio Jorge Pontes Guimarães Júnior, José Aldemir Freire, Leonardo Victor Dantas Cruz e o próprio Rocha.
Foi eleito ainda Raimundo Vandir Farias Junior para a Diretoria de Negócios, em substituição a Luiz Abel Amorim de Andrade. Mestre em Administração pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e com MBA em Gestão Empresarial pela FGV-SP, Farias Junior tem mais de duas décadas de atuação no banco e foi premiado por desempenho em 2024.
Banco tem foco nas micro e pequenas empresas
Criado em 1952, o Banco do Nordeste é a principal instituição pública de fomento ao desenvolvimento econômico do Nordeste, com foco em financiamento a micro e pequenas empresas, infraestrutura e inovação produtiva.
Durante sua gestão, Paulo Câmara priorizou a ampliação das linhas de crédito produtivo e o fortalecimento da presença do banco em políticas de desenvolvimento regional. A saída ocorre num momento de recomposição de cargos federais e em meio à proximidade do calendário eleitoral de 2026.
Veja o comunicado do conselho do BNB
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