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Wanger Rocha é cotado para assumir interinamente presidência do BNB

A nomeação do diretor financeiro e de crédito seria uma forma de conter as investidas de políticos sobre o banco
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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Wagner Rocha diretor financeiro do BNB
Wagner Rocha, diretor financeiro do BNB/Foto: divulgação

Com o afastamento do presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, o nome mais cotado para assumir interinamente o comando da instituição é o de Wanger Antônio de Alencar Rocha, servidor de carreira do banco e eleito em maio de 2023 para a Diretoria Financeira e de Crédito da instituição. Paulo Câmara deve regressar ao comando do BNB em janeiro de 2026.

Câmara deve ser afastado na próxima reunião do Conselho de Administração, que ainda não tem data anunciada. O motivo está ligado à exigência de quarentena de 36 meses prevista pela Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016), que restringe a nomeação de dirigentes com vínculo partidário recente. Ex-governador de Pernambuco pelo PSB, Câmara só estaria elegível para exercer funções executivas em estatais a partir de janeiro de 2026 — três anos após sua saída da política partidária, como determina a legislação. Paulo Câmara se desfiliou do PSB em 2023.

Desempenho do BNB

Nos bastidores, comenta-se que o presidente Lula não tem interesse em afastar definitivamente Paulo Câmara porque sob sua gestão o banco tem alcançado desempenho histórico. De fato, em 2025 o banco deve alcançar o melhor desempenho em 73 anos. No primeiro semestre de 2025, o banco contratou R$ 34,8 bilhões em crédito, alta de 19,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, e obteve lucro líquido de R$ 1,38 bilhão, avanço de 35,6%. A carteira de crédito administrada alcançou R$ 165,7 bilhões, crescimento de 15,7%. Ao longo de 2024, foram aplicados R$ 61,3 bilhões em crédito, consolidando uma média anual de R$ 60 bilhões no biênio 2023–2024 — 41% acima da média registrada entre 2019 e 2022.

A noticia do afastamento de Paulo Câmara gera inquietação no banco, que sempre foi alvo de políticos, em especial do Centrão. Sua saída, ainda que temporária, deixa flancos abertos para negociações desta natureza. Por esta razão, a indicação do diretor financeiro afastaria essa possibilidade. Além disso, o ex-governador de Pernambuco tem transitado muito bem entre funcionários e o empresariado da região.

Aguarda-se uma reunião do Conselho de Administração do banco para este mês de outubro. No radar do mercado e de especialistas em políticas públicas, está o desafio de manter o ritmo de crescimento e os bons indicadores do banco em um momento de transição institucional.

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