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Redes regionais e programas sociais sustentam consumo e preços no NE

Levantamento da Abras indica que o Nordeste apresentou variação mais contida nos preços do hortifrúti e das cestas básica e ampliada, enquanto o consumo no país teve deflações mais acentuadas impulsionadas pela melhora do mercado de trabalho
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Consumo no Nordeste reflete a atuação de polos irrigados, redes locais de distribuição e a influência do Bolsa Família. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Nordeste registrou, em julho, a menor queda nos preços do hortifrúti entre as regiões brasileiras (–3,26%, de R$ 68,15 para R$ 65,93), a segunda menor retração no custo da cesta ampliada (–0,34%, de R$ 730,98 para R$ 728,48) e a cesta básica mais barata do país (–0,71%, de R$ 306,71 para R$ 304,53), revela levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A estabilidade do consumo alimentar na região é sustentada pela força das redes regionais de abastecimento e pela ampla cobertura dos programas sociais, pilares que reduzem a volatilidade de preços mesmo diante de oscilações nacionais.

O consumo nos lares brasileiros em supermercados avançou 4% em julho frente ao mesmo mês de 2024, com alta acumulada de 2,6% no ano e crescimento de 2,4% em relação a junho, já descontada a inflação do IPCA/IBGE. O movimento reflete a recomposição da renda familiar e a recuperação do mercado de trabalho, que trouxe a taxa de desemprego para 5,8% no trimestre encerrado em junho, o menor patamar desde 2012.

Segundo o vice-presidente da Abras, Márcio Milan, “o crescimento interanual de 4% reflete um movimento sustentado pela melhora da renda e do mercado de trabalho. No recorte mensal, julho costuma apresentar retração por causa das férias escolares, quando muitas famílias optam por consumir fora de casa. Este ano, esse efeito foi menos intenso, tanto em relação a junho quanto ao mesmo período de 2024”.

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Arte: ME

Cesta básica do Nordeste é a mais barata do país

O valor médio da cesta básica no Nordeste ficou em R$ 304,53 em julho, o menor entre todas as regiões brasileiras. A retração mensal de –0,71% foi a segunda maior entre as regiões, acima da média nacional (–0,44%), que levou a cesta brasileira de R$ 353,42 para R$ 351,88. O valor da cesta ampliada nordestina, composta por 35 itens, caiu –0,34% (de R$ 730,98 para R$ 728,48), índice que também indica estabilidade, com variação menor do que em outras regiões, como o Centro-Oeste (–1,51%).

No hortifrúti, a queda de –3,26% (de R$ 68,15 para R$ 65,93) foi a mais branda do país, muito abaixo da média nacional de –9,06%, o que reforça a regularidade do abastecimento e a proteção da renda alimentar na região. A configuração regional reflete a atuação de polos irrigados, redes locais de distribuição e a influência do Bolsa Família, que permanece como âncora do consumo alimentar em milhares de municípios.

Programas sociais sustentam o consumo, mesmo com redução de beneficiários

Em julho, quase 1 milhão de famílias deixaram de receber o Bolsa Família, cenário impulsionado pela elevação da renda formal e pela redução do desemprego. Ainda assim, o consumo das famílias de baixa renda se manteve. “O menor volume de recursos destinados ao programa de transferência de renda indica que as famílias que passaram a se sustentar apenas com a renda do trabalho mantiveram a autonomia financeira e ainda fortaleceram o seu poder de compra no varejo alimentar”, afirmou Márcio Milan.

No Nordeste, 9,8 milhões de famílias continuam recebendo o benefício, representando quase metade do total nacional. Em julho, o programa destinou R$ 13,16 bilhões a 19,6 milhões de famílias, frente aos R$ 14,2 bilhões pagos a 20,83 milhões no mesmo mês de 2024. Mesmo com a redução nos repasses, a base do consumo alimentar popular segue sustentada por uma combinação entre transferência direta de renda e avanço gradual do emprego formal.

Quadro nacional mostra deflação de alimentos e mercado aquecido

No cenário nacional, a cesta de 12 produtos básicos registrou retração de –0,44% em julho. O preço médio brasileiro caiu de R$ 353,42 para R$ 351,88. Seis itens apresentaram redução de preço no mês: arroz (–2,89%), feijão (–2,29%), café torrado e moído (–1,01%), queijo muçarela (–0,91%), macarrão sêmola de espaguete (–0,59%) e farinha de trigo (–0,37%). Outros quatro tiveram quedas residuais: carne bovina (–0,06%), farinha de mandioca (–0,01%), margarina cremosa (–0,06%) e leite longa vida (–0,11%). Apenas o açúcar refinado (0,63%) e o óleo de soja (0,46%) registraram aumentos.

A melhora nos indicadores de emprego, com a taxa de desemprego em 5,8% no trimestre encerrado em junho, sustentou a recomposição da renda e fortaleceu o poder de compra das famílias. Mesmo com a redução no número de beneficiários do Bolsa Família, a autonomia financeira das famílias recém-inseridas no mercado de trabalho contribuiu para manter o ritmo do consumo nacional e evitar retração entre as camadas populares.

Leia mais: NE tem apenas 4 redes de supermercados entre as 50 maiores do país

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