- Publicidade -

Ceará e Piauí concedem subsídios para manter voos regionais

Estados ampliam atuação da Latam com novos voos entre Parnaíba e Fortaleza e subsídios para fortalecer a malha regional no Nordeste, com rota para Juazeiro do Norte
- Publicidade -
Avião turbojato da Latam aterrisou na manhã desta quarta-feira, no Aeroporto de Noronha Foto: Acervo ATDEFN voos
Companhia aérea Latam recebeu subvenção econômica dos governos do Ceará e do Piauí para voos para Juazeiro do Norte e Parnaíba. Foto: Acervo ATDEFN

A expansão da malha aérea no Nordeste ganhou novos desdobramentos com a adoção de incentivos fiscais estaduais e o início de articulações para a criação de uma companhia aérea regional pública. A movimentação ocorre em resposta à retração de rotas em cidades médias da região, agravada pela concentração do mercado e por cortes promovidos por operadoras como a Azul.

No Ceará, um ato conjunto das secretarias do Desenvolvimento Econômico (SDE) e do Turismo (Setur) autorizou a concessão de subvenção econômica à Latam para ampliar a conectividade aérea de Juazeiro do Norte. Formalizada na terça-feira (19), a medida tem amparo na Lei nº 16.580/2018 e no Decreto nº 36.641/2025, e prevê voos diretos entre o município e o hub da companhia em Fortaleza. O termo foi assinado pelos secretários Domingos Filho (SDE) e Eduardo Bismark (Setur).

No Piauí, a Portaria nº 330/2025, publicada pela Secretaria da Fazenda, concedeu regime especial de tributação sobre o querosene de aviação (QAV) à mesma companhia. A norma, em vigor entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2027, viabiliza a rota direta entre Parnaíba e Fortaleza, anunciada em maio e com início de operação previsto para 13 de setembro. Segundo o governador do Ceará, Elmano de Freitas, “é fundamental para nosso turismo e para gerar emprego e renda aos cearenses”.

A nova rota contará com duas frequências semanais, com possibilidade de ampliação na alta estação, e será operada em aproximadamente 55 minutos. A expectativa é fortalecer o fluxo turístico na Rota das Emoções, que conecta o litoral cearense ao Delta do Parnaíba e aos Lençóis Maranhenses.

Voos integrados a circuito turístico

De acordo com o secretário do Turismo do Ceará, Eduardo Bismark, “isso reforça o Aeroporto de Fortaleza como hub para o Norte, Nordeste, para o Brasil inteiro e também para o exterior. Criamos, assim, um circuito turístico completo: o visitante inicia sua experiência em alguma praia do Ceará, como Fortim, Cumbuco, Amontada ou Preá, segue por toda Rota das Emoções, tendo como opção retornar pelo aeroporto da Parnaíba e, em apenas 55 minutos de voo, está novamente em Fortaleza. Evitando assim longas jornadas de conexão ou estrada. A Latam oferece stopover para aqueles que desejarem aproveitar Fortaleza”, afirmou.

Mesmo com os desafios estruturais, o Nordeste ultrapassou a marca de 19 milhões de passageiros transportados em voos domésticos e internacionais em 2025. O desempenho, de acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, é resultado direto dos investimentos públicos e privados realizados na aviação regional.

Consórcio articula estatal aérea enquanto demanda regional cresce

No plano federal, a criação de uma companhia aérea estatal regional entrou no radar do Ministério do Turismo. Em 19 de maio, durante o Visit Brasil Summit, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o ministro Celso Sabino anunciou a possibilidade de uma parceria com o Consórcio Nordeste para viabilizar o projeto.

“O consórcio de governadores do Nordeste trabalha para a concessão de benefícios para que uma nova companhia possa voar regionalmente dentro do Nordeste, ou até mesmo com a possibilidade da criação de uma companhia estatal para voar dentro do Nordeste, coordenada pelo próprio consórcio”, disse o ministro.

A proposta é impulsionada por um cenário de reconfiguração do setor. A fusão entre Azul e Gol, ainda em análise, pode ampliar a concentração e reduzir a concorrência em rotas regionais. Ao mesmo tempo, operadoras de menor porte como MAP Linhas Aéreas, Azul Conecta e Abaeté Linhas Aéreas enfrentam limitações operacionais diante da baixa rentabilidade das conexões em cidades médias.

Além de incentivos estaduais sobre o QAV, como no Ceará, Pernambuco e Piauí, empresas instaladas no Nordeste podem acessar redução de até 75% no IRPJ via Sudene, mecanismo citado como potencial facilitador da estatal aérea. A viabilidade da proposta, contudo, dependerá de coordenação federativa e definição de um modelo operacional eficiente.

Leia mais: Azul terá 532 voos extras no Recife durante a alta temporada

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -