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Festival movimenta R$ 10 milhões e mostra a força do cacau no Pará

Festival consolidou o Pará como maior produtor de cacau do Brasil e projetou pequenas marcas locais para o mercado nacional e internacional
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O Chocolat Xingu 2025 recebeu 140 mil visitantes nos quatro dias de feira, mostrando a força do cacau no Pará Foto: Márcio Didier
O Chocolat Xingu 2025 recebeu 140 mil visitantes nos quatro dias, mostrando a força do cacau no Pará Foto: Márcio Didier

Parece um contrassenso que um lugar que faz calor sufocante nos 365 dias do ano possa produzir um chocolate delicado e de extrema qualidade. Mas essa é a realidade de Altamira e região, que nos últimos anos vêm mostrando crescimento em toda a sua cadeia produtiva que ajudaram a transformar o Pará no maior produtor de cacau do país. Essa diversidade de produtos e sabores foi mostrada na quarta edição do Chocolat Xingu 2025, um dos maiores festivais da América Latina voltado para o cacau e que chegou ao fim neste domingo (29). Em quatro dias do evento, 140 mil pessoas passaram pelos 220 estandes, com um volume de negócios na casa dos R$ 10 milhões.

Nas quatro edições em Altamira, o festival deu uma visibilidade ao cacau da região e seus derivados que não tinham e ajudou a potencializar toda a cadeia produtiva que já existia às margens da Rodovia Transamazônica. Foi o caso da família Lunelli-Araújo. Proprietários do Sítio Paraíso Orgânico, de 11 hectares e que produz três toneladas por ano de cacau orgânico, receberam no sábado (28) Janaína Torres, eleita em 2024 a Melhor Chef Feminina do Mundo pelo ranking The World’s 50 Best. Uma das estrelas do Chocolat Xingu 2025, ela foi conhecer todo o processo de beneficiamento do cacau e o chocolate produzido pela família.

Enquanto ela conhecia o sítio, o chef Léo Modesto, “cozinheiro de raiz amazônica”, pesquisador e agricultor, como gosta de destacar, preparava o almoço no fogo a lenha improvisado no quintal da casa simples da família Lunelli-Araújo. Intitulado “A comida regenerativa dos quintais agroflorestais da Amazônia”, utilizou apenas ingredientes da biodiversidade da região para preparar peixes em três técnicas diferentes, feijão de corda com folhas locais, como jambu, e vinagrete ao tucupi negro.

Produtores artesanais de chocolate, Jiovana Lunelli e João Araújo receberam em seu sítio os chefes renomados Janaina Torres e Léo Modesto Foto: Márcio Didier

“A partir da nossa participação no Chocolat Festival, a gente teve a oportunidade de apresentar o nosso produto não só na região, mas em outros estados e até internacionalmente. Quando o evento se instalou aqui, havia poucas marcas de chocolate. Com a participação, com a ida dos produtores, dos agricultores ao Chocolat Festival, despertou neles o interesse de verticalizar a lavoura do cacau. Então, hoje tem inúmeras marcas de chocolate e de derivados do cacau que surgiram a partir dessa oportunidade de participar do Chocolat Festival”, destacou Jiovana Lunelli, catarinense que chegou a Altamira aos dois anos de idade e toca o Sítio Paraíso Orgânico com o marido João Araújo.

Festival com o cacau como protagonista

Foi a partir desse pensamento de potencializar o cacau e apresentar os pequenos produtores para o mundo que o empresário Marco Lessa idealizou os festivais de “Chocolat”, nome escolhido para dar uma referência internacional aos eventos. “O nome Chocolat foi escolhido para o festival com a intenção de dar ao evento uma identidade internacional e sofisticada, aproveitando a forte associação cultural entre o chocolate e a Europa, especialmente a França, que é uma referência mundial na produção e consumo do produto”, destacou Marco Lessa.

Idealizador do Chocolat Festival, Marco Lessa busca potencializar pequenos produtores do Pará Foto: Márcio Didier

O evento em Altamira está na quarta edição e é o 43º realizado no Brasil e no mundo. O primeiro foi em Ilhéus, na Bahia, mas o festival também já passou por Belém (Pará), São Paulo (SP), Linhares (Espírito Santo), Óbidos (Portugal), Vila Nova de Gaia (Portugal) e Paris (França) – Participação anual no Salon du Chocolat desde 2009, com estande próprio.

“Os festivais como o Chocolat são fundamentais para dar visibilidade ao pequeno produtor. São nesses espaços que ele consegue mostrar seu produto, contar sua história e acessar diretamente o consumidor final. Além disso, gera oportunidades de negócios, trocas de conhecimento e integração com outros elos da cadeia produtiva. Para quem está começando ou produz em pequena escala, participar de um evento como esse pode representar a abertura de novos mercados e até a valorização de toda uma comunidade”, colocou Marco Lessa.

De acordo com o governador Helder Barbalho, o Pará responde por mais da metade do cacau produzido em todo Brasil. Foto Márcio Didier

Conhecida pela pecuária, aos poucos a região vai mudando a matriz econômica. Prova disso é que o Pará disputa com a Bahia a liderança na produção do cacau. Presente à abertura do evento, o governador paraense Helder Barbalho destacou que o estado produz, atualmente, mais da metade do cacau brasileiro. “O Brasil produziu, em 2024, 287 mil toneladas de cacau. Desse total, 154 mil foram produzidos no estado do Pará. É uma demonstração clara da solidez e da consolidação do Pará como maior produtor de cacau do nosso país”, afirmou Helder Barbalho.

Festival reuniu 90 expositores de chocolate

A Chocolat Xingu 2025 contou com a participação de mais de 90 expositores de chocolate, tanto de Altamira quanto de diversos municípios paraenses. Entre as cidades representadas, destacam-se Medicilândia, que é a maior produtora de cacau do Pará, Brasil Novo, Placas, Vitória do Xingu, Anapu, Uruará, Senador José Porfírio, São Félix do Xingu, Novo Repartimento, Belém, Barcarena, Igarapé-Miri, Marabá, Santa Bárbara do Pará, Mocajuba e Santarém. Mais de 80 marcas de chocolate estavam representadas no no Centro de Eventos Vilmar Soares, que ficou lotado nos quatro dias de festival.

  • O Movimento Econômico viajou a Altamira (PR) a convite do Chocolat Xingu 2025

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