Mulheres lideram mercado de vendas diretas no Brasil

Apesar de estudarem mais e serem maioria do mercado de vendas diretas, mulheres ainda ganham menos que os homens

Compartilhe:

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no facebook
Compartilhar no email

Por Juliana Albuquerque

O Brasil ocupa a 6ª colocação no ranking mundial no mercado de vendas diretas, segundo dados da Federação Mundial das Associações de Vendas Diretas de 2020. O mercado é opção de renda e trabalho para mais de 4 milhões de brasileiros, sendo 58% desse quantitativo representado por mulheres, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).

Andréa Viana
Andrea Viana é gerente do Sebrae Delas. Foto: Divulgação

Segundo a gestora do Sebrae Delas na Região Metropolitana do Recife, Andréa Viana, o desemprego e a possibilidade de incrementar a renda do lar são os maiores motivadores para a adesão das mulheres nesse sistema de trabalho. “Cerca de 82% empreendem mais por necessidade e 49% das mulheres empreendedoras são chefes de família (Pnad 2020)”, revela a gestora.

Foi o caso de Adriana Chagas, que em 2015, após ser demitida de uma empresa na qual trabalhou por 25 anos, se viu diante da necessidade de encontrar uma nova fonte de renda para prover os custos do lar. Diante do desafio, ela teve a ideia de formatar sua própria marca de venda direta de brigadeiro, a Dona Drica.

Dona Drica
Adriana Chagas, nome à frente da Dona Drica

“Começamos a produzir com o material que tínhamos em casa. Colocamos num recipiente e fomos no dia seguinte para a entrada do restaurante da universidade em que minha filha estudava. Ficamos cerca de duas horas para vender uns 10 doces e faturar R$ 30”, recorda Chagas.

Apesar da animação inicial, a vendedora se viu diante uma questão crucial para a manutenção do negócio: muito trabalho e pouco lucro diante dos custos envolvidos no processo.

“Atividades com pouca inovação resultam em negócios mais vulneráveis, sendo necessário também focar em produtos com mais valor agregado para impactar num maior faturamento”, explica a gestora do Sebrae Delas, Andréa Viana.

Dentro dessa linha de raciocínio, Adriana Chagas percebeu que precisaria de um diferencial de mercado para ampliar vendas e lucros, uma vez que considerou o brigadeiro um produto já muito comum e com bastante concorrência.

“Queríamos algo diferente, talvez inovador no mercado. Foi quando certo dia ganhei um Alfajor de doce de leite e fiquei maravilhada com a explosão do sabor. A partir daí surgiu a ideia de fazer Alfajor para vender. Inicialmente, minha filha mais velha vendia na faculdade e a mais nova, no colégio. A cada dia vendendo mais; isso nos deixou animadas para seguir com o produto”, diz a empreendedora, que decidiu se capacitar no Sebrae e abriu sua empresa formal, que tem se consolidado no mercado na Região Metropolitana do Recife.

Capacitação das mulheres é chave para sucesso

mulher empreendedora
58% de quem trabalha com vendas diretas são mulheres. Foto: Pixabay

A gestora do Sebrae Delas Andréa Viana aponta que, apesar de estudarem mais e serem maioria no mercado de vendas diretas, as mulheres ainda ainda ganham menos que os homens. Para ter uma ideia do percentual de escolaridade, basta dizer que 68% das mulheres com idade para trabalhar têm ensino médio completo ou superior completo.

“Essa participação feminina no segmento poderia ser melhor e com resultados financeiros maiores, se elas investissem mais em capacitação”, pondera a gestora. Além do investimento necessário em capacitação, Andréa Viana pondera outra situação que pode ser um entrave ao crescimento da mulher como empreendedora.

“Considerando a tripla jornada como um dos obstáculos para as mulheres empreendedoras, mulheres dedicam 17% menos horas ao próprio negócio porque chegam a trabalhar 10,5 horas por semana a mais que os homens com afazeres domésticos e com os filhos [segundo a Pnad]”, complementa.

Girlane
Girlene Roma vende cosméticos e agora se capacita para atuar na venda direta de seguros e previdência. Foto: Divulgação

Girlene Roma sabe bem disso. Apesar de não ser a principal provedora da família, trabalhou por mais duas décadas fora de casa num emprego de carteira assinada. Com dois filhos, um na pré e outro já na adolescência, viu na demissão a oportunidade de recomeçar e se inserir no mercado através da venda direta.

“A possibilidade de criar minha própria rotina de trabalho, ter mais tempo com a família e ainda ajudar meu marido nos custos do lar me atraiu muito nessa nova jornada”, revela a vendedora, que trabalha na área há cerca de oito anos. Ela se identificou tanto com a atividade que buscou se qualificar, desta vez, noutro segmento – o de seguros e previdência.

“Hoje, apesar de ainda vender cosméticos, meu foco está em me capacitar para atuar dentro do segmento de venda direta de seguros e previdência. Para isso, tenho me dedicado muito à capacitação, pois ganhar dinheiro [nesta área] não é fácil. Quem realmente quer se destacar e ter um bom desempenho nas vendas tem que investir em capacitação, seja através das oferecidas pelo Sebrae, ou nas oferecidas nas próprias empresas de vendas diretas”, argumenta Girlene.


Leia também – Para lidar com apagão de talentos, CESAR acelera profissionais plenos

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Mais Notícias