Na Páscoa da crise, setores econômicos se dividem entre otimismo e cautela

Expectativa é que a Páscoa deste ano promova uma leve recuperação em relação às perdas registradas por comércio e turismo durante auge da pandemia do Covid-19

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Semana Santa é sempre sinônimo de otimismo para o comércio e dessa vez esse sentimento está ainda mais forte. Depois de dois anos de restrições impostas pela pandemia da Covid-19, empresários do setor acreditam que as vendas do período vão ser boas, mesmo com a crise econômica que assola o país.
Para a Câmara dos Dirigentes Lojistas do Recife (CDL), apesar do momento de queda no poder de compra das famílias, a Páscoa de 2022 promete ser de retomada e deve dinamizar segmentos tradicionais do período, como o de doces, bebidas, embalagens, peixes, vinhos e ingredientes alimentícios.

“A Páscoa é um evento que atinge pontualmente o comércio. Há uma expectativa que este ano seja um pouco melhor do que o ano passado porque nós já sentimos o consumidor voltando ao varejo e circulando mais, devido à diminuição das medidas restritivas. O fator contra é a inflação galopante, que vem atingindo muito o bolso do consumidor, que vê sua renda diminuída e fica mais cauteloso. É um fator que nos preocupa, mas achamos que para o setor específico de chocolates vai haver um aumento em torno de 10% com relação ao ano passado”, afirma Fred Leal, presidente da CDL Recife.

Ovos de Páscoa - Semana Santa
Comércio se divide sobre crescimento no faturamento no período da Páscoa/Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Mesmo com os obstáculos econômicos atuais, os varejistas seguem na expectativa pela chegada dos clientes conforme a data se aproxima. O empresário Marcos Souza, dono da Center Doces, loja especializada em chocolates, bombons e ingredientes para a fabricação de ovos de Páscoa caseiros, apostou todas as fichas na renovação dos estoques.

“Estamos muito otimistas, esperando um acréscimo médio entre 10% e 15% nas vendas, com preços direto da indústria, produtos de excelente qualidade e valores especiais para quem compra à vista. Estamos nos preparando para esta ser a melhor Páscoa dos últimos anos”, contou.

Supermercados sentem impacto da inflação

Na outra ponta, quem tem circulado pelas lojas e supermercados nesse período que antecede a Semana Santa deve estar percebendo menos ovos de Páscoa disponíveis. Os tradicionais corredores enfeitados com a guloseima mais buscada do período deram lugar a pequenas ilhas, com poucas opções e preços bem elevados. Com poder de compra reduzido, quem faz questão de manter a tradição tem procurado opções mais baratas, como as barras e caixas com bombons de chocolate.

O setor de supermercados já sente os impactos do novo cenário econômico. Mesmo assim, a projeção da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes) para esta Páscoa é de crescimento de 10% nas vendas. “A gente já observa uma oscilação nos preços e consequente mudança no perfil do consumidor. As próprias indústrias vêm ofertando menos opções e quantidades dos Ovos de Páscoa”, destaca Silvana Buarque, superintendente da Apes.

Produtos importados, negociados no fim de 2021, sofreram maiores reajustes por conta da valorização do dólar

Ainda de acordo com a entidade, em relação ao ano passado, os itens da Semana Santa que mais variaram de preço são aqueles que dependem do dólar, ou seja, importados. Apesar de uma leve baixa observada recentemente na cotação da moeda norte-americana, os produtos mais vendidos nesta época já haviam sido negociados e importados no final do ano passado e no de 2022, com o dólar bem mais alto.

Para a Apes, a alta no preço dos combustíveis também pesou, encarecendo ainda mais itens nacionais. Entre as maiores majorações observadas, o bacalhau e o azeite tiverem aumento expressivo.

No cenário nacional, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) prevê um aumento de 5% no volume de vendas dos ovos de Páscoa neste ano, algo em torno de 9,5 toneladas, o que ainda está abaixo das 10 mil toneladas vendidas em 2019, ou seja, antes da pandemia. Ainda segundo a entidade, o preço médio do doce deve ficar 12% mais caro. No Recife, alguns estabelecimentos já oferecem facilidade no pagamento, como o parcelamento no cartão de crédito na compra do doce.

Turismo na Semana Santa será o vetor da retomada

Fora das gôndolas, a Semana Santa também é uma boa oportunidade de descanso e diversão. Festas e shows que aconteceriam no período carnavalesco foram reagendados para o feriadão da Páscoa, o que movimenta o setor de eventos e impulsiona o turismo, sobretudo em cidades do interior, destinos muito procurados no período.

Expectativa é que viagens ao interior do Estado sejam mantidas e que o turismo tenha bons resultados no feriado de Páscoa deste ano

“Estamos com uma expectativa muito boa para os próximos dias. O governo estadual sinalizou que não vai impedir a realização dos grandes eventos na Semana Santa e por isso acreditamos que o setor, juntamente com o turismo, serão os grandes vetores da retomada econômica nesse período”, analisa Bernardo Peixoto, presidente da Fecomércio Pernambuco.

Sobre a intenção de comemorar a data, Peixoto acredita que os fatores econômicos adversos não devem impedir as famílias de comemorar, mesmo que de maneira mais discreta e com menos fartura que nos anos anteriores.

“A inflação em mais de 10% é um complicador, mas acreditamos que a população não vai deixar de comer o tradicional peixe, trocar ovos de Páscoa e viajar para o interior na Semana Santa. Esperamos um aumento real do consumo na casa dos 4%, quando você considera toda a cadeia que é beneficiada, como turismo, alimentação, bebidas, entre outros”, completa Bernardo Peixoto.


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