
O Brasil entregou nesta terça-feira (31) à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura do Forró Tradicional ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A formalização foi conduzida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em articulação com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A candidatura abrange o que o Iphan classifica como um “supergênero” musical e de dança — baião, xote, xaxado, arrasta-pé, rojão e coco —, com raízes consolidadas na região Nordeste.
A entrega marca o início formal do processo de análise pela Unesco, sem prazo determinado para deliberação. O dossiê foi construído a partir do trabalho conjunto entre o Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, a Associação Balaio Nordeste, coordenadores dos Fóruns de Salvaguarda do Forró em múltiplos estados e os secretários de cultura do Consórcio Nordeste.
A documentação reúne registros históricos, elementos técnicos e compromissos institucionais de governos estaduais com a salvaguarda das matrizes tradicionais. Segundo Juliana Izete Bezerra, assessora de assuntos internacionais do Iphan, a partir da entrega, a instituição fica à disposição para complementar informações durante o processo interno de análise da organização.
A candidatura integra um ciclo de reconhecimentos internacionais da cultura brasileira. Em 2021, o Iphan havia registrado as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em 2024, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram reconhecidos pela Unesco. Em 2025, o Brasil apresentou a candidatura do Maracatu Nação à mesma organização, com decisão ainda pendente. O presidente do Iphan, Leandro Grass, posicionou a entrega do dossiê do forró como parte desta sequência de candidaturas.
Presença do forró
O Forró Tradicional se estrutura sobre formações instrumentais com sanfona, zabumba e triângulo — os chamados trios de forró — além de mestres rabequeiros e bandas de pífano. A manifestação está presente em bailes, festividades, shows e festivais ao longo de todo o ano em todas as regiões do país.
Historicamente, os espaços de forró funcionaram como pontos de encontro de trabalhadores migrantes nordestinos e seus descendentes, com função documentada de preservação de vínculos identitários, transmissão de memória geracional e combate a estigmas historicamente associados a esses grupos. Novas gerações de forrozeiros de diferentes origens foram formadas no Brasil e no exterior.
A decisão final da Unesco sobre a candidatura não tem prazo definido. O processo envolve análise técnica interna da organização, com possibilidade de solicitação de informações complementares ao Brasil. A aprovação depende do cumprimento dos critérios estabelecidos pela Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada pela Unesco em 2003 e ratificada pelo Brasil em 2006.
*Com informações da Agência Gov
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