
O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo (12) no Globo de Ouro 2026, em Los Angeles. O filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu duas das principais categorias da premiação: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. É a primeira vez que o Brasil conquista simultaneamente dois troféus na mesma edição da cerimônia.
A vitória reafirma o protagonismo do cinema nacional em festivais internacionais e marca o retorno do país às principais disputas da temporada. A última conquista brasileira na categoria havia sido em 1999, com Central do Brasil. No ano passado, Fernanda Torres vencera como Melhor Atriz em Filme de Drama, abrindo uma sequência de retomada da presença nacional em Hollywood.
O anúncio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver, que saudou o público com um “Parabéns”, em português. O diretor subiu ao palco com o elenco e iniciou o discurso com uma saudação ao país: “Alô, Brasil”.
Kleber Mendonça agradeceu à Vitrine Filmes, à produtora Emilie Lesclaux, à equipe técnica e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento.”
Na sequência, o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama foi apresentado pelos atores Diane Lane e Colman Domingo, que destacaram as performances indicadas como “cheias de vulnerabilidade e estilo”. Ao ser anunciado, Wagner Moura subiu ao palco e discursou em português. “Viva a cultura brasileira”, afirmou, ao agradecer a Kleber, a quem chamou de “gênio”, e dedicou a conquista “a todos os artistas brasileiros que seguem produzindo com verdade, mesmo nas dificuldades”.
A trajetória de O Agente Secreto começou no Festival de Cannes, onde estreou em competição pela Palma de Ouro. A exibição ficou marcada por uma apresentação de frevo na Croisette, que simbolizou o caráter político e cultural do filme. Desde então, o longa percorreu festivais em Toronto, Veneza, San Sebastián e Nova York, com recepção crítica unânime e menções em rankings internacionais de melhores filmes do ano.
História e ambientação de “O Agente Secreto”
Rodado principalmente no Recife, com locações complementares em Olinda, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, O Agente Secreto se passa no fim da ditadura militar brasileira, entre 1979 e 1981. A narrativa acompanha um ex-jornalista perseguido pelo regime, interpretado por Wagner Moura, que se infiltra em um aparelho clandestino do governo enquanto busca provas sobre o desaparecimento de um amigo.
O roteiro combina elementos de thriller político e drama histórico, explorando a tensão entre vigilância estatal e resistência civil. As cenas urbanas foram gravadas em bairros do Recife Antigo, Boa Vista e Casa Amarela, além de espaços simbólicos como a Torre Malakoff e o Edifício Holiday. As sequências de Brasília reproduzem corredores e gabinetes do poder; no Rio e em São Paulo, foram filmadas as passagens de espionagem e os interiores de repartições militares.
Kleber Mendonça Filho concebeu o filme como uma expansão de temas já abordados em O Som ao Redor e Aquarius, mantendo o olhar sobre controle, poder e memória. A fotografia de Pedro Sotero utiliza luz natural e textura analógica para recriar o clima opressivo do período, com trilha sonora que mescla composições originais e faixas de Tânia Maria, também integrante do elenco.
Repercussão e projeção
Após o anúncio das vitórias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou mensagem em homenagem ao diretor e à equipe. “Viva o cinema brasileiro, que segue sendo sinônimo de orgulho nos principais palcos do mundo.” O texto destacou o papel do filme em preservar a memória das vítimas da repressão e em representar a “capacidade de resistência do povo brasileiro”.
O longa consolidou o Brasil como destaque na temporada internacional de premiações, reforçando a projeção da Vitrine Filmes e da Rec Produtores Associados no circuito mundial. A equipe confirmou o relançamento do filme em salas brasileiras com cópias remasterizadas e tradução simultânea para festivais europeus.
Impacto no setor audiovisual brasileiro
A conquista ocorre em meio à recuperação do cinema nacional, que voltou a registrar aumento de bilheteria e presença em festivais. Dados da Ancine mostram que, em 2025, as produções brasileiras arrecadaram R$ 468 milhões, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.
O desempenho de O Agente Secreto fortalece a política de internacionalização do audiovisual brasileiro e renova o interesse de distribuidoras estrangeiras por coproduções. Segundo a Vitrine Filmes, o título foi adquirido por mais de 40 países, incluindo Estados Unidos, França, Japão e Coreia do Sul.
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