
No Nordeste, empreender é também uma forma de maternar. Enquanto celebram neste domingo (11) o Dia das Mães, milhares de mulheres da região seguem tocando seus negócios enquanto cuidam dos filhos e da rotina doméstica. Entre fraldas, tarefas escolares e a administração do dia a dia, elas encontram no empreendedorismo uma alternativa viável para conciliar trabalho, renda e maternidade — muitas vezes, sem abrir mão de nenhum desses papéis.
É o caso da pernambucana Bianca Ane Alves do Nascimento, cliente da agência Recife Centro do Banco do Nordeste (BNB). Proprietária da Cria Ativa Painéis Sensoriais, ela começou a empresa no terraço da casa da mãe, e hoje atua em sede própria, no bairro da Várzea, no Recife. A empresa produz brinquedos e painéis sensoriais voltados ao desenvolvimento cognitivo de crianças, inclusive com neurodivergência.
Bianca chegou a ser aprovada em concurso da Polícia Rodoviária Federal, mas teve que abandonar a formação técnica após uma fratura. De volta a Pernambuco, com um bebê pequeno nos braços, encontrou no microcrédito uma rota para iniciar sua trajetória no setor produtivo.
Com apoio do Crediamigo, programa de microcrédito urbano do BNB, estruturou a Cria Ativa, que hoje tem faturamento anual estimado em R$ 460 mil e mais de dois mil painéis vendidos para escolas, creches, clínicas e hospitais em diversas regiões do país.
No dia 30 de abril, ela assinou contrato de financiamento com o Fampe Mulher — fundo de aval operado pelo Sebrae e apoiado pelo Banco do Nordeste — voltado a empresárias em expansão. A formalização vai permitir investimentos em estrutura, equipamentos e contratação de pessoal. Hoje, a empresa tem três colaboradores fixos e expectativa de ampliar a produção ainda este ano.

Mulheres no campo lideram microcrédito rural
Se no meio urbano os avanços são positivos, no campo os números são ainda mais representativos. Segundo dados do Banco do Nordeste, as mulheres já respondem por 52% dos contratos do Agroamigo, programa de microcrédito voltado à área rural. Em Pernambuco, elas representam 53% da base de clientes, e o estado fica atrás apenas do Piauí, onde as mulheres detêm 55,5% das operações.
Um exemplo desse protagonismo é o da agricultora Camila Gonçalves, de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano. Seguindo os passos da mãe, Dona Julieta, cliente antiga do BNB, Camila divide o tempo entre os cuidados com as filhas pequenas e a lida no Sítio Quixabeira, onde cria gado, carneiros e ovelhas com recursos financiados pelo programa.
Segundo o Banco do Nordeste, em 2024, as mulheres lideraram as contratações do programa de microcrédito rural Agroamigo, com 51,4% dos contratos e 51,6% do montante financiado. Foram mais de 353 mil microempreendedoras rurais beneficiadas, totalizando R$ 4,44 bilhões em crédito contratado. O ticket médio por operação aumentou de R$ 9,4 mil em 2023 para R$ 12,5 mil em 2024, uma alta de 34%. Além disso, as mulheres podem contratar até R$ 15 mil por operação, valor 25% acima dos limites para os homens.
*Com informações do Banco do Nordeste
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