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Fim da ‘taxa das blusinhas’ mobiliza Congresso em meio à reforma tributária

Para compensar fim da taxa das blusinhas, há propostas que visam abatimento de impostos que vão ser substituidos na reforma tributária
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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~4:32
  1. Fim da 'taxa das blusinhas' provoca enxurrada de 112 emendas no Congresso Nacional para discussão tributária.
  2. Polo de Confecções do Agreste é um dos setores mais afetados pela extinção do imposto de importação de 20%.
  3. Eduardo da Fonte propõe tratamento tributário igual entre produtos nacionais e importados até US$ 50 para consumidor final.
  4. Mendonça Filho apresenta REIC e PROVANA, criando benefícios em tributos em processo de extinção pela reforma tributária.
  5. Reforma tributária não resolve desafio completo do comércio eletrônico internacional e custo Brasil permanece elevado em múltiplas áreas.
taxa das blusinhas
Taxa das blusinhas gerou avalnache de emendas no Congresso Nacional/Imagem gerada por IA: Movimento Econômico

O fim da taxa das blusinhas, noma dado ao imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50, provocou uma enxurrada de emendas no Congresso Nacional. Até a última segunda-feira (18), prazo final para apresentação das propostas, deputados e senadores protocolaram mais de 112 emendas à medida provisória que altera as regras de tributação simplificada das remessas postais internacionais, segundo o levantamento do Congresso em Foco. Um dos setores mais afetados pela medida é o Polo de Confecções do Agreste.

A proposta do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) defende tratamento tributário isonômico para produtos nacionais vendidos ao consumidor final por valor equivalente a até US$ 50, enquanto a do senador Fernando Dueire (PSD-PE) propõe preservar a alíquota de 20% do Imposto de Importação.

Já o deputado federal Mendonça Filho (PL) apresentou duas emendas. Uma cria o Regime Especial de Isonomia Competitiva (REIC), permitindo que indústrias do setor de vestuário abatam tributos como PIS, Cofins e IPI sobre vendas de produtos nacionais de até US$ 50.

A segunda proposta institui o Programa de Apoio ao Pequeno Varejista Nacional (PROVANA), voltado para empresas do Simples Nacional e prevê subvenção equivalente a 20% da receita bruta obtida com vendas de produtos nacionais dentro dessa faixa de valor.

A REIC aresentada por Mendonça Filho surge num momento delicado da transição para a reforma tributária. A questão prática importante é que PIS, Cofins e IPI estão justamente entre os tributos que serão substituídos gradualmente pela CBS e pelo IBS. Ou seja, cria-se um benefício apoiado em tributos em processo de extinção.

O PROVANA, voltado aos pequenos varejistas do Simples Nacional, dialoga melhor com o ambiente da reforma tributária porque tenta criar uma compensação temporária para empresas de menor porte, mais vulneráveis à concorrência digital global.

Reforma x comercio eletrônico

Mas há um pano de fundo mais amplo nessa discussão: a reforma tributária não resolveu integralmente o desafio do comércio eletrônico internacional. Ela melhora a tributação sobre consumo interno, mas não elimina diferenças estruturais entre produzir no Brasil e importar produtos de baixo valor da Ásia, via plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

O custo Brasil continua elevado em áreas como crédito, logística, energia, burocracia regulatória e encargos trabalhistas. Assim, mesmo com maior tributação sobre importados, muitos segmentos industriais ainda terão dificuldade de competir apenas pelo preço.

Outro aspecto importante é que a digitalização do consumo alterou profundamente o varejo global. A concorrência deixou de ser apenas entre empresas nacionais. Hoje, pequenos comerciantes brasileiros disputam mercado diretamente com gigantes globais operando em escala planetária e com cadeias produtivas extremamente eficientes. Se o cenário seguir como está, o setor de confecções vai realmente enfrentar muitas dificuldades.

Brinquedos Estrela
Brinquedos Estrela/Montagem gerada por IA/Movimento Econômico

Estrela

A fábrica de brinquedo Estrela entrou em recuperação judicial. A empresa se tornou um símbolo da infância de várias gerações brasileiras com personagens como Topo Gigio, o ratinho italiano criado nos anos 1950, e a boneca Susi – que antecedeu a Barbie. A fabricante diz que não aguentou a concorrência crescente de alternativas digitais de entretenimento e os impactos econômicos acumulados sobre sua estrutura financeira. Resumo: as crianças se divertem cada vez menos com brinquedos e cada vez mais com celulares.

Ministro da Pesca no Recife

O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, chega a Pernambuco na quinta-feira (21) para cumprir agenda em Itapissuma, onde visitará projetos de bioindústria, a Itaostra e a Colônia de Pescadores Z10. Na sexta-feira (22), no Recife, acompanha a capacitação do Programa Nacional de Regularização de Embarcação de Pesca (PROPESC). O programa busca atualizar o cadastro das embarcações de pesca no país.

Mobilização educativa

A Sicredi Recife está promovendo palestras educativas durante a 13ª Semana Nacional de Educação Financeira (SNEF). Até 22 de maio, os encontros são destinados a jovens estudantes de escolas municipais da capital e região metropolitana e empresas associadas à cooperativa que vão aprender sobre como construir um futuro com planejamento financeiro.

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