
O setor de resorts no Nordeste se prepara para um Carnaval de alta performance em 2026, consolidando-se como o porto seguro de famílias que fogem da agitação das ruas. Dados monitorados pela Associação Resorts Brasil mostram que a procura por esses empreendimentos deve subir até 10% em ocupação na comparação com o ano passado. Esse movimento não é isolado e acompanha uma melhora na qualidade da receita das empresas, que viram o modelo all inclusive (serviço com tudo incluído) se transformar em um produto de previsibilidade financeira e baixo risco operacional.
A fotografia do mercado em março de 2025, período que abrigou o último Carnaval, já apontava para esse amadurecimento. Uma amostra de 19 resorts de peso na região – incluindo nomes como o Nannai, Beach Park e os Salinas Maceió e Maragogi – movimentou mais de R$ 244 milhões em receita bruta em apenas um mês.
Com uma ocupação média que superou os 80%, o setor hospedou mais de 280 mil pessoas, provando que o descanso se tornou um artigo de luxo tão disputado quanto os camarotes mais caros do país.
Esse apetite pelo isolamento confortável é reforçado pela malha aérea, que despeja um fluxo sem precedentes de turistas no litoral nordestino durante o Carnaval. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a venda de passagens internacionais para o período da folia deu um salto impressionante.
Estados como o Ceará, Pernambuco e Alagoas registram alta de 80,2%, 61,7% e 67,7%, respectivamente. O destino desses viajantes, muitas vezes, é o portão de entrada de complexos hoteleiros que oferecem uma solução completa de lazer sem a necessidade de deslocamentos urbanos.

Previsibilidade e gestão de receitas
Para as operadoras, o Carnaval deixou de ser uma data de incertezas para se tornar um ciclo de caixa robusto. O modelo de negócio atual permite que os grupos hoteleiros trabalhem com diárias médias elevadas, sustentadas por uma programação exclusiva que blinda o hóspede do caos das cidades.
Rodrigo Vaz, vice-presidente comercial da Associação Resorts Brasil, nota que o setor vive um momento de estabilidade técnica. “O que enxergamos para 2026 é continuidade de um ciclo saudável: ocupações altas, crescimento moderado, algo de 5% a 10%, principalmente no interior e litoral, e mais qualidade de receita”, afirma o executivo.
Essa percepção de “solução completa” é o que mantém o mercado menos volátil, permitindo investimentos pesados em expansão. O grupo Amarante, por exemplo que administra o Salinas Maragogi, Salinas Maceió e o Japaratinga Lounge Resort, todos em Alagoas, opera com a expectativa de lotação quase total para os próximos dias de festa.
Segundo o diretor de receita e vendas do grupo, Igor Castelo, o padrão de consumo segue aquecido mesmo com valores de entrada mais altos. “Temos a expectativa de superar 95% de ocupação nos resorts da Amarante, com diária média de R$ 3.665, refletindo o alto padrão dos empreendimentos”, destaca.
O investimento no descanso absoluto
O grupo Amarante sinaliza a confiança no setor com um plano de investimentos de R$ 1,6 bilhão para expandir sua atuação em hotéis de luxo. A estratégia mira justamente o público que busca o conceito de “tudo incluso premium”, onde o serviço de alimentação e bebidas é apenas uma parte de uma experiência maior de acolhimento.
Esse foco no alto padrão em locais como Maragogi e Japaratinga cria uma barreira contra a sazonalidade, garantindo que o feriado prolongado seja aproveitado ao máximo pelo turista de lazer.
Já o Summerville All Inclusive Resort, unidade da Rede Pontes Hotéis & Resorts, é um dos ativos que vêm confirmando a estabilidade do setor em Porto de Galinhas, destino bastante procurado em Pernambuco.
A estratégia da unidade foca na manutenção do fluxo de caixa através de uma ocupação sólida, ancorada em um público fiel de famílias que buscam a conveniência do regime “all inclusive premium” para evitar os gargalos logísticos e a saturação dos polos carnavalescos tradicionais.Para o ciclo de 2026, o empreendimento projeta repetir o desempenho de anos anteriores, investindo em entretenimento segmentado como diferencial competitivo.
“O Summerville apresentou uma ocupação bastante sólida no período de Carnaval nos últimos anos, resultado da forte procura de famílias que preferem experiências all inclusive completas e fora dos grandes centros da folia. Para 2026 vamos manter o mesmo patamar de ocupação, com uma entrega cada vez mais recheada de opções”, afirma Mariana Fernandes, gerente de marketing do resort.

Na ponta do consumo, o perfil do cliente confirma a tendência de troca da folia pelo silêncio à beira-mar. O empresário paulista Leandro Peres, que reside em Pernambuco, resume bem a escolha de quem trabalha em ritmos acelerados durante o ano.
“É uma experiência excelente para quem não gosta muito de toda a aglomeração do período carnavalesco. É trânsito travado, blocos e troças por onde quer que a gente passe. E, como nossa rotina de trabalho é bem frenética, preferimos nos afastar no Carnaval para descansar”, explica.
Estresse zero como meta financeira
A escolha por resorts all inclusive permite que o viajante tenha um controle total sobre o seu tempo e seus gastos, algo que o Carnaval de rua raramente oferece. Para famílias que viajam com crianças, a estrutura de lazer monitorada e a oferta constante de petiscos e bebidas sem custos adicionais funcionam como um redutor de estresse.
Esposa de Leandro, Luciene Peres reforça que a tranquilidade é o principal benefício dessa modalidade de viagem. “Você entra, passa quatro ou cinco dias, e já volta para casa sem enfrentar aquela loucura toda do Carnaval. O Carnaval é lindo, mas a gente prefere ficar ali na praia, na piscina, bebendo uma cerveja ou um drink, com petisco à vontade. É estresse zero”, diz ela.
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