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Embate dá lugar a discurso institucional na abertura do ano da Alepe

Sessão que marcou o início dos trabalhos de 2026 na Alepe teve defesa da autonomia do Legislativo e discursos por diálogo institucional
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O encontro entre o presidente Álvaro Porto e a governadora Raquel Lyra respeitou o limite do protocolo Fotos: Roberto Soares/Alepe
O encontro entre o presidente Álvaro Porto e a governadora Raquel Lyra respeitou o limite do protocolo Foto: Roberto Soares/Alepe

O clima era de tensão no meio da tarde desta segunda-feira (2), na Rua da União. Na calçada do Prédio Miguel Arraes, onde funciona o plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), os secretários estaduais e deputados estaduais governistas se aglomeravam esperando a chegada da governadora Raquel Lyra, para participar da abertura do ano legislativo na Casa em que enfrenta graves problemas políticos. Ao ingressar no plenário, sob protesto de manifestantes nas galerias, a governadora foi aplaudida pelos aliados, ignorada pela oposição. O encontro com o presidente da Alepe, Álvaro Porto, crítico recorrente do Governo, foi protocolar. Aos poucos, o clima de confronto foi substituído por críticas respeitosas de parte a parte. Uma sessão respeitosa, como deveria ser. E foi.

A sessão marcou a primeira reunião plenária ordinária de 2026 e reuniu, além da governadora Raquel Lyra (PSD), a vice-governadora Priscila Krause (PSD), secretários estaduais e parlamentares das bancadas de governo e oposição. A condução dos trabalhos ficou sob responsabilidade do presidente da Alepe, deputado estadual Álvaro Porto (PSDB), que abriu oficialmente o ano legislativo em um contexto de forte tensão política entre os Poderes.

Após o ambiente inicial de protestos nas galerias — com manifestações de servidores da Polícia Civil e militantes pelo passe livre no transporte público —, os discursos adotaram tom institucional, com cobranças, mas dentro do rito parlamentar.

Álvaro Porto diz que a Alepe está com “as mãos estendidas ao entendimento e à conciliação” Foto: Roberto Soares/Alepe

Autonomia da Alepe

Presidente da Alepe, o deputado estadual Álvaro Porto (PSDB) afirmou que a Casa seguirá conciliando o calendário eleitoral de outubro com as pautas estruturais do Estado. Segundo ele, a Casa precisa manter o papel de “caixa de ressonância dos anseios de todos os pernambucanos”.

O parlamentar lembrou que, desde 2023, o Legislativo aprovou todos os projetos enviados pelo Executivo estadual, incluindo autorizações para mais de R$ 13 bilhões em operações de crédito, mas deixou claro que isso não implica subordinação institucional. “Não serei silente diante das agressões, não me apequenarei perante aqueles que, por motivos inconfessáveis, nos querem como um Poder subalterno”, declarou.

Álvaro Porto afirmou ainda que a Assembleia permanece com “as mãos estendidas ao entendimento e à conciliação”, mas sem com independência. Ele destacou que a fiscalização do uso dos recursos públicos seguirá como prioridade. “Para que isso aconteça com eficiência, lá na ponta, é obrigação e prerrogativa desta Casa zelar pela aplicação adequada do dinheiro público. Assim foi feito e assim será.”

Ao final do discurso, Álvaro Porto também pediu desculpas públicas aos deputados por eventuais “impropriedades” cometidas no passado e defendeu a harmonia entre os Poderes.

A governadora Raquel Lyra afirmou que a população não espera “barulho e distração”, mas trabalho e União Foto:  Yacy Ribeiro/Secom

Raquel é a cooperação institucional

A governadora Raquel Lyra, por sua vez, destacou em sua mensagem “o respeito à democracia, ao papel do Parlamento” e à necessidade de “cooperação institucional”. Em um discurso de aproximadamente 18 minutos, a gestora afirmou que o Estado deve estar acima das disputas políticas. “O que o povo espera de nós, Executivo e Legislativo, não é barulho, distração e política pequena. É trabalho, união de propósito e coragem para construir o futuro.”

A governadora afirmou que Pernambuco encerrou 2025 entre os dez estados com maior volume de investimentos realizados no País, citando a recuperação da capacidade de investimento e parcerias com o Governo Federal, municípios, movimentos sociais e a própria Alepe.

Na área da segurança pública, Raquel Lyra apontou que o Estado registrou, em 2025, a menor taxa de mortes violentas da série histórica. Em infraestrutura, citou o início das obras do Arco Metropolitano, a recuperação de 1.500 quilômetros de rodovias e a concessão parcial da Compesa. No campo social, mencionou a entrega de 22 mil habitações, a ampliação do ensino integral e programas de combate à fome, como o Mães de Pernambuco e as cozinhas comunitárias. “Nada disso seria possível sem a parceria institucional com esta Casa.”

Ao final, a governadora lembrou que projetos considerados estratégicos devem ser analisados no início do ano legislativo, como alterações na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 e novos pedidos de autorização para empréstimos, que motivaram convocação extraordinária durante o recesso. “Faço aqui um chamado: que coloquemos Pernambuco acima das disputas. O futuro já começou e não pode ser interrompido.”

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