- Publicidade -

Petrobras retoma fertilizantes na Bahia com R$ 100 mi e 90% da capacidade

Fafen-BA, em Camaçari, voltou a operar em janeiro após sete anos de interrupções; unidade responde por 5% da demanda nacional dos fertilizantes ureia e amônia. Engeman, do Recife, opera as duas fábricas nordestinas da estatal
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~5:59
  1. Petrobras retoma Fafen-BA com R$ 100 milhões, operando a 90% de capacidade desde janeiro de 2026.
  2. Fábrica baiana produz 1.300 toneladas diárias de ureia, 1.300 de amônia e 178 de ARLA 32 automotivo.
  3. Engeman vence licitação e assume operação de duas fábricas nordestinas com contrato de R$ 1 bilhão por cinco anos.
  4. Fafen-SE também retomou produção com 1.800 toneladas diárias de ureia, atendendo 7% da demanda nacional.
  5. Três fábricas Petrobras juntas responderão por 20% da demanda nacional de ureia após reativações.
Visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras na Bahia (Fafen-BA) por ocasião da Retomada das Operações em Camaçari, na Bahia. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula visita Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras na Bahia (Fafen-BA), por ocasião da Retomada das Operações pela Petrobras. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Com investimento de R$ 100 milhões e operação retomada em janeiro de 2026, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA) já funciona com 90% de sua capacidade instalada e atende cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados, segundo a Petrobras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da estatal, Magda Chambriard, visitaram a unidade em Camaçari nesta quinta-feira (14) em cerimônia de celebração da retomada.

A planta produz 1.300 toneladas diárias de ureia, 1.300 toneladas diárias de amônia e 178 toneladas diárias de ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo). A operação e manutenção foram contratadas à Engeman, empresa pernambucana fundada em 1983 e premiada pela própria Petrobras como melhor fornecedora na categoria manutenção industrial. A Engeman venceu a licitação aberta pela estatal após o encerramento do contrato com a Unigel, com assinatura em setembro de 2025 e contrato estimado em R$ 1 bilhão, válido por cinco anos, para operar as duas fábricas nordestinas.

O percurso da unidade entre o fechamento e a retomada atravessou três fases. Em março de 2018, a Petrobras anunciou o encerramento das atividades nas fábricas da Bahia e de Sergipe no âmbito do plano de desinvestimentos da companhia. As unidades foram hibernadas em janeiro de 2019 e, em 2020, arrendadas à Unigel, que as operou até 2023, quando paralisou as atividades sob a justificativa de inviabilidade econômica associada ao preço do gás natural. A partir daquele ano, a Petrobras decidiu retomar o segmento e, após acordo com a Unigel, reassumiu as duas fábricas.

Fafen-SE: Sergipe também voltou à produção

A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, retomou a produção de amônia em 31 de dezembro de 2025 e de ureia em 3 de janeiro de 2026. Com capacidade instalada de 1.800 toneladas diárias de ureia, equivalente a 7% do mercado nacional, a unidade opera em regime contínuo, 24 horas por dia, sete dias por semana, despachando cerca de 60 caminhões de fertilizante por dia para estados como Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia, segundo o gerente-geral da planta, Carlos Renato Sarruf Guimarães.

Somadas, Fafen-BA e Fafen-SE têm capacidade de produzir 3,1 milhões de toneladas de fertilizantes por ano. Adicionada a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, reativada em abril de 2026 com investimento de R$ 870 milhões e capacidade de 720 mil toneladas anuais de ureia (8% do mercado nacional), as três unidades da Petrobras passam a responder por cerca de 20% da demanda nacional de ureia, segundo o diretor de Processos Industriais e Produtos da estatal, William França.

A retomada da Fafen-SE seguiu trajetória semelhante à da baiana. Implantada em 1980, a unidade sergipana foi hibernada em 2018, arrendada à Unigel em 2019 e paralisada em março de 2024, após duas interrupções sucessivas desde 2023. A Engeman assumiu a operação de ambas as fábricas após vencer o processo licitatório aberto pela Petrobras. A reativação das duas unidades gerou 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos, segundo dados da Agência Petrobras.

Dependência externa e meta nacional

O Brasil importa entre 85% e 87% dos fertilizantes consumidos pela agricultura, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em 2025, as importações atingiram 45,5 milhões de toneladas, novo recorde histórico, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O país é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, com cerca de 8% do consumo global. Os principais fornecedores externos são Rússia, China, Canadá, Marrocos e Belarus, segundo o Ministério da Agricultura.

O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, estabelece como meta reduzir a dependência externa de 85% para 45% até 2050. A Petrobras projeta elevar sua participação na oferta nacional para 35% nos próximos anos, com a entrada da UFN III, em Três Lagoas (MS), cuja conclusão está prevista para 2029 com investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão. A viabilidade econômica da retomada das Fafens foi possível após a redução do preço do gás natural, que passou de cerca de US$ 16 para entre US$ 6 e US$ 7 por milhão de BTU no mercado livre, segundo Chambriard.

Defesa da produção nacional de fertilizantes e combustíveis

Durante o evento em Camaçari, Lula afirmou que o Brasil importa cerca de 90% dos fertilizantes consumidos pela agricultura e defendeu a produção nacional como instrumento de redução dessa dependência. O presidente criticou a política de desinvestimentos da gestão anterior da Petrobras, citando a venda da BR Distribuidora como exemplo de decisão que retirou da estatal capacidade de influir nos preços e na distribuição de combustíveis. Lula defendeu ainda a presença do Estado em setores estratégicos e relacionou o crescimento econômico à inclusão social, mencionando programas como ProUni, Fies e Pé-de-Meia.

Em declaração sobre política externa, o presidente afirmou que o Brasil mantém relações com potências mundiais com base em soberania e que temas como democracia e soberania nacional não estão sujeitos a negociação com governos estrangeiros, em referência a conversa recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Chambriard afirmou que a Petrobras não interrompeu sua presença na Bahia e que a retomada da Fafen-BA expressa o compromisso da companhia em ampliar a entrega de fertilizantes, petróleo, gás e biocombustíveis a partir de suas operações no estado. A presidente da estatal destacou ainda que a viabilidade das fábricas só se tornou possível após a redução do preço do gás, patamar que tornou o negócio economicamente sustentável.

Leia mais: BNB tem melhor primeiro trimestre da história com lucro de R$ 488 milhões

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -