
Recifes de coral distribuídos ao longo do litoral nordestino receberão investimento total de R$ 14 milhões por meio do projeto Coral Vivo Regenera, do Instituto Coral Vivo (ICV), aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 14 de maio de 2026. O banco aportou R$ 6,6 milhões em recursos não reembolsáveis, provenientes do Fundo Socioambiental, na terceira operação contratada no âmbito da Chamada Pública BNDES Corais, descrita pelo banco como a maior iniciativa do país voltada à recuperação de ecossistemas recifais.
O projeto abrange nove unidades de conservação e áreas prioritárias entre a Bahia e o Ceará, com atuação específica na APA Costa dos Corais (AL/PE), no Parque Nacional Marinho de Abrolhos (BA), no Parque Nacional Fernando de Noronha (PE), na APA Recifes de Corais em Rio do Fogo (RN) e na APA Piaçabuçu (AL). A Chamada BNDES Corais, lançada em abril de 2024, cobre recifes rasos e bancos de corais ao longo de aproximadamente 3 mil quilômetros da costa brasileira, do Maranhão ao Espírito Santo.
Estações de regeneração e técnicas de restauração
O Coral Vivo Regenera prevê a implantação de Estações Coral Vivo de Regeneração Ambiental (ECoViRA) nas áreas prioritárias. As estruturas concentrarão pesquisa, tratamento e regeneração de espécies coralíneas por meio de técnicas de propagação larval e microfragmentação, inclusive para espécies ameaçadas de extinção.
Em Rio do Fogo, no Rio Grande do Norte, a ECoViRA será instalada na APA Recifes de Corais, um dos territórios identificados como prioritários pela iniciativa. Em Alagoas, a APA Costa dos Corais, em Maragogi, receberá outra estação, enquanto a APA Piaçabuçu abrigará atividades complementares em terra.
O projeto inclui ainda monitoramento de branqueamento e mortalidade dos recifes, rastreamento da diversidade críptica dos ecossistemas, identificando espécies e genótipos mais resistentes a eventos extremos, e aperfeiçoamento do uso recreativo sustentável nas áreas recifais. O ICV conta com cooperação técnica de dez instituições, entre elas USP, UFRPE, UFRN, UFC, UFAL, UFS, ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente.
Contexto de perda global dos corais
Os recifes de coral ocupam menos de 0,1% da superfície oceânica, mas abrigam um terço de toda a biodiversidade marinha, segundo dados citados pelo BNDES. A cobertura recifal global já recuou pela metade em decorrência de mudanças climáticas, poluição costeira e sobrepesca. No Nordeste brasileiro, os recifes sustentam cadeias produtivas de pesca artesanal e turismo de base comunitária em estados como Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
O projeto prevê ações de educação ambiental em escolas públicas pelo Programa Literatura Atlântica e apoio a alternativas de renda para comunidades tradicionais costeiras. O ICV foi fundado em 2013 com raízes em pesquisa iniciada nos anos 1990 no Museu Nacional da UFRJ e mantém parceria contínua com a Petrobras no Projeto Coral Vivo original.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que a operação integra estratégia do banco de combinar proteção ambiental e inclusão social nos territórios. O presidente da instituição, Aloizio Mercadante, destacou que os recifes protegem a costa, sustentam a pesca, impulsionam o turismo e geram renda para comunidades dependentes do mar.
*Com informações do BNDES
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