
Com foco em padrões internacionais de sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade social, o setor brasileiro de frutas passa a contar com o Selo Frutas do Brasil ESG, uma certificação voltada à ampliação da competitividade no mercado global. A iniciativa pretende consolidar a imagem do país como fornecedor confiável de alimentos cultivados com boas práticas ambientais, sociais e de governança.
O selo foi lançado oficialmente na noite desta quinta-feira (27), durante cerimônia realizada em Brasília e conduzida pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho. Desenvolvido após meses de estudos, o selo vai permitir rastrear a produção e reforçar o compromisso do setor com a sustentabilidade e a excelência produtiva.
Durante o lançamento, Guilherme Coelho afirmou que o selo reforça o compromisso do setor com responsabilidade, inovação e respeito ao planeta. A iniciativa busca valorizar o produtor, ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado global e consolidar a fruticultura nacional como referência de qualidade.
Selo visa ampliar competitividade internacional
A certificação pode ter impacto direto na exportação de frutas para mercados mais exigentes, como o da União Europeia e dos Estados Unidos, e deve beneficiar polos de fruticultura irrigada que são grandes exportadores, como o de Petrolina-Juazeiro, no Vale do São Francisco.
O selo indica que o produto é cultivado respeitando o meio ambiente e empresas que apresentam boas práticas de governança. Os produtores interessados em obter a certificação podem pegar mais informações no site da Abrafrutas.
O selo é destinado a empresas associadas à Abrafrutas que adotem metas ESG — sigla para práticas ambientais, sociais e de governança — e sigam um protocolo oficial definido pela associação.
Produção nordestina representa mais de 20% do total nacional
De acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Abrafrutas, a fruticultura brasileira movimenta mais de R$ 80 bilhões por ano e produz aproximadamente 58 milhões de toneladas. A região Nordeste responde por cerca de 21,5% desse volume, sendo a segunda maior produtora do país. A fruticultura regional é voltada tanto ao consumo interno quanto à exportação, com destaque para frutas tropicais como manga, melão, banana, coco, caju, mamão e abacaxi.
O polo Petrolina-Juazeiro, no Vale do São Francisco, é um dos principais centros de fruticultura irrigada do país e responsável por grande parte das exportações brasileiras de frutas frescas. A produção irrigada permite colheitas o ano inteiro e maior controle de qualidade, o que aumenta a competitividade no mercado externo. De acordo com estudo da Embrapa, a cada R$ 1 investido em irrigação pública no Semiárido, são gerados R$ 12,88 em valor da produção agrícola, majoritariamente com frutas.
Exportações batem recorde e exigências ambientais crescem
Em 2024, as exportações brasileiras de frutas somaram mais de 1 milhão de toneladas, com receita de US$ 1,287 bilhão. No primeiro semestre de 2025, o setor já acumula US$ 583 milhões em vendas externas, com crescimento de 27% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho fortalece a imagem do Brasil como grande exportador mundial e evidencia a importância de selos como o ESG para ampliar o acesso a mercados exigentes.
Segundo a CNA, a região Nordeste tem papel estratégico para a fruticultura nacional, não apenas pela extensão territorial, mas também pela capacidade de produção em áreas irrigadas. Estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco são líderes na produção de frutas tropicais. A certificação ESG poderá beneficiar diretamente esses estados ao ampliar o acesso a mercados mais exigentes e reforçar o compromisso com boas práticas ambientais, sociais e de governança.
Certificação será exclusiva para produtores associados à Abrafrutas
O lançamento contou com a presença de produtores de todo o país e autoridades como o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. Também estavam na cerimônia a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; o presidente da Apex-Brasil, Jorge Viana; o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua; e a diretora da Codevasf, Alessandra Rossin.
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