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Agricultura biossalina e erva‑sal: inovação no semiárido nordestino

Com investimento de R$ 20 milhões e suporte técnico da Embrapa, comunidades do semiárido contarão com cultivo de erva‑sal adaptada a solos salinos para geração de renda e forragem no Nordeste
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A erva-sal tolera elevadas concentrações de sal no solo e tem potencial de produzir até 10 toneladas de matéria seca por hectare ao ano. Foto: Clarice Rocha/Embrapa

A erva-sal (Atriplex nummularia), uma planta forrageira adaptada a ambientes de alta salinidade e baixa disponibilidade hídrica, foi escolhida pela Embrapa como base tecnológica de um novo projeto que busca ampliar o acesso à água e fortalecer a produção agropecuária em comunidades do interior nordestino.

A iniciativa integra o projeto “Produção Biossalina: Tecnologia Social Integrada ao Processo de Dessalinização para Acesso à Água, Produção de Alimentos e Geração de Renda no Semiárido”, nome-síntese “Sal da Terra”, que deve mobilizar cerca de R$ 20 milhões para ações voltadas ao avanço de pesquisas, testes em campo e transferência de tecnologia em agricultura biossalina no Nordeste.

Coordenado pela Embrapa Solos (RJ) e executado pela Embrapa Semiárido (PE), o projeto tem apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da Organização das Nações Unidas (ONU) e articulação com redes técnicas e sociais da região.

A Embrapa Semiárido desenvolve estudos com agricultura biossalina desde 2006, com foco em irrigação com rejeitos da dessalinização, recuperação de solos salinizados e adaptação de halófitas ao clima do Semiárido.

O anúncio do projeto ocorreu durante a edição 2025 do Semiárido Show, realizada no final de agosto na sede da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE). Considerado o maior evento de inovação tecnológica para o Semiárido brasileiro, o evento reuniu milhares de visitantes e lideranças da agricultura familiar e da pesquisa agropecuária.

Produção de forragem e recuperação ambiental com erva-sal

A Embrapa destaca que a erva-sal será usada como fonte de alimentação animal, planta de cobertura e instrumento de recuperação ambiental. O plantio deve ser feito com espaçamento de até 3 metros entre plantas e entre linhas, com irrigação por água salobra ou rejeitos da dessalinização.

A planta tolera elevadas concentrações de sal no solo e tem potencial de produzir até 10 toneladas de matéria seca por hectare ao ano, dependendo do regime hídrico. A recomendação técnica é que seu uso componha até 30% da dieta de ruminantes, em especial caprinos e ovinos, preferencialmente na forma de feno.

Além do uso forrageiro, a erva-sal também é indicada para fitorremediação e fixação de solos degradados, tendo sido testada com êxito em projetos-piloto de recuperação de áreas improdutivas em municípios de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte.

Comunidades rurais do Semiárido serão capacitadas

O projeto Sal da Terra prevê a implantação de unidades demonstrativas, cursos de capacitação, assistência técnica e articulação com políticas públicas. A meta é beneficiar diretamente comunidades rurais com alta vulnerabilidade social e ambiental, ampliando o uso de tecnologias sustentáveis para convivência com o Semiárido.

“A convivência com o Semiárido exige inovação. Ao incorporar espécies adaptadas a solos salinos e condições adversas, estamos fortalecendo a capacidade produtiva das comunidades e contribuindo para a sustentabilidade da região”, afirmou o pesquisador da Embrapa Semiárido, Jailson Lopes.

As primeiras ações do projeto já estão sendo iniciadas em territórios rurais de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, com previsão de expansão para outras áreas do Nordeste conforme os resultados de campo.

Financiamento e articulação institucional

O financiamento, proveniente do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FNDCT), foi viabilizado por meio de encomenda tecnológica, modalidade de contratação direta destinada a instituições com expertise comprovada.

De acordo com o pesquisador Diogo Porto, que participou da articulação do projeto, a Embrapa foi escolhida por deter um “know-how histórico e consolidado em agricultura biossalina”.

Com duração prevista de três anos, o projeto será executado em parceria com a Finep, responsável pela operação dos recursos, e com a Funarbe, encarregada da gestão financeira.

*Com informações da Embrapa

Leia mais: Mecanização e irrigação isolam o agro nordestino em ilhas de produtividade

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