
Por Robert Pedrosa, do site Piauí Negócios
A cajuína, bebida símbolo do Piauí e patrimônio cultural brasileiro, tem potencial para se tornar um dos grandes produtos do agronegócio nacional, chegando a rivalizar com o tradicional suco de uva do Rio Grande do Sul. A afirmação é de Firmino Pires, presidente da Associação dos Produtores de Cajuína do Piauí (Procajuína), entidade que reúne produtores regulamentados no estado.
Firmino cita o suco de uva como referência de sucesso nacional porque é uma bebida similar à cajuína (suco de fruta, com cultura organizada) e atingiu grande produção e mercado no Brasil — enquanto a cajuína ainda é pouco explorada.
“É um produto similar à cajuína. A diferença é que o suco de uva avançou porque teve organização, tecnologia e investimento. A cajucultura ainda carece disso. Então é um potencial que nós temos a explorar. A cajuína pode ser o concorrente direto do suco de uva”, explica o líder dos produtores.
Firmino Pires falou sobre a cultura da cajuína durante palestra proferida por ele no Festival da Cajuína 2025, que terminou no último sábado (13), no Riverside Shopping, em Teresina. Segundo a Cooperativa dos Produtores de Cajuína do Piauí (Cajuespi), organizadora do evento, os 26 empreendedores que expuseram produtos zeraram os estoques, vendendo juntos mais de R$ 30 mil por dia.
Sabor único encanta consumidores fora do Piauí
O presidente da Procajuína destaca que o sabor único da bebida, resultado de um processo de produção exclusivo, encanta consumidores em feiras e eventos fora do estado. No entanto, ele reforça o alcance do mercado nacional em grande escala exige união de todos os atores.
“Para transformar esse potencial em realidade é necessário organização da cadeia produtiva, investimentos em tecnologia e produtividade e apoio do governo, Sebrae, Senar, Embrapa e dos próprios produtores. Assim, teríamos condições de produzir muito mais e levar a cajuína ao Brasil inteiro”, defende.

Menos de 10% da produção sai do Piauí
Hoje, menos de 10% dos 2 milhões de litros produzidos por ano no Piauí são consumidos fora do estado. Já a produção total da cajuína no Brasil não passa de 3 milhões. Para efeito da comparação, a produção anual de suco de uva ultrapassa 100 milhões de litros, 90% dela concentrada no Rio Grande do Sul.
A diferença entre potencial e realidade está na baixa produtividade. Enquanto no Rio Grande do Norte alguns assentamentos chegam a 25 toneladas de caju por hectare, no Piauí a média não passa de 1,5 tonelada. “Falta estudo, tecnologia e organização da cadeia produtiva. A cajucultura precisa de atenção como qualquer outra cultura agrícola de valor comercial”, afirma.
O papel do selo de Indicação Geográfica
Uma das principais estratégias para alavancar a bebida é a conquista do selo de Indicação Geográfica (IG). Esse reconhecimento valoriza produtos cuja reputação está ligada à sua origem, como os vinhos gaúchos e o café da Mantiqueira de Minas Gerais.
A Cooperativa Mista Agroindustrial de Francisco Santos (Coomaf), localizada no município de Francisco Santos, no Piauí, conquistou o registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para produzir a cajuína. Com isso, a Coomaf é a primeira cooperativa formada por agricultores familiares a conseguir o selo do Mapa, o que vai facilitar o acesso ao mercado consumidor.
Para Luís José, agricultor familiar e diretor da Coomaf, a conquista representa uma mudança importante para os cajucultores da cooperativa. “É uma coisa de grande importância para os cooperados, para a agricultura familiar. Um produto certificado é outra coisa, a gente sabe da facilidade de comercializar, não falta quem compra, então foi um passo bem grande que a nossa cooperativa deu”, afirma.
Adoção do selo representa aumento de valor
“Desde 2024, a Procajuína está orientando que as associadas adotem o selo de IG, que pode aumentar em até 30% o valor de mercado da bebida“, explica Firmino Pires, presidente da Associação dos Produtores de Cajuína do Piauí (Procajuína). O registro traz benefícios diretos: proteção do nome “Cajuína do Piauí”, agregação de valor econômico, expansão de mercados e fortalecimento cultural.
Para Firmino, a cajuína deve ocupar o mesmo lugar no Piauí que o vinho e o suco de uva ocupam no Rio Grande do Sul. “É a bebida que mais representa o nosso estado. É tradição, cultura e identidade do nosso povo. Agora precisamos valorizá-la e transformá-la em uma força econômica para todo o Brasil.”
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