
A direção nacional do PL confirmou, nesta sexta-feira (8), a substituição do ex-ministro do Turismo Gilson Machado no comando do Diretório Municipal do Recife. O cargo passa a ser ocupado pelo vereador Paulo Muniz, aliado da família Ferreira, que dirige a legenda em Pernambuco sob liderança do ex-prefeito do Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira. Gilson e Anderson foram companheiros de chapa nas eleições de 2022, quando disputaram, respectivamente, o Senado e o Governo do Estado. Mas desde lá não têm uma boa relação.
A tesouraria municipal também sofreu alteração: deixa a função André Correia, ligado ao deputado estadual Alberto Feitosa e a Gilson Machado, e assume André Trajano, integrante do núcleo político dos Ferreira.
A mudança ocorre na mesma semana em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A medida impede o uso de redes sociais e qualquer comunicação externa. Bolsonaro, fiador político de Gilson no partido, está incomunicável desde a segunda-feira (4). Aliados do ex-ministro afirmam que a troca no comando só aconteceu porque o ex-presidente não pôde ser consultado.
Segundo nota do PL, a alteração “é um movimento natural” e “faz parte do processo de organização do partido na capital para as eleições de 2026”, apesar de o próximo pleito ser municipal, em 2024.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, destacou a importância do Recife para os planos do PL. “O Recife é uma peça-chave na nossa estratégia para 2026. Estamos trabalhando para ampliar nossa atuação e fortalecer ainda mais a presença no estado”.
Gilson e Anderson querem o Senado
Para analistas, a substituição também está ligada à definição da candidatura do PL ao Senado. Anderson Ferreira, pré-candidato ao cargo, já declarou que não há espaço para duas candidaturas na legenda e que “o correligionário não pode colocar seu projeto pessoal sobre o projeto do partido”.
Gilson Machado, por sua vez, criticou o que chamou de “violência verbal desnecessária e deselegante” e defendeu que a decisão final sobre sua candidatura dependia de Jair Bolsonaro, que chegou a reforçar publicamente seu nome para o Senado. Com o ex-presidente impedido de se manifestar, não houve intervenção para mantê-lo no comando municipal.
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