
O Piauí está prestes a dar início ao seu programa de créditos de carbono, com a meta de gerar até R$ 20 milhões em créditos até 2030. Reconhecido como referência nacional em energias renováveis, o estado firmou, na terça-feira (8), um acordo internacional com empresas especializadas para estruturar, financiar e desenvolver o programa estadual de redução de emissões. A iniciativa visa integrar o estado ao mercado voluntário de carbono e fomentar o combate ao desmatamento.
A assinatura ocorreu em Genebra, na Suíça, sede da multinacional Mercuria Energy Group, uma das maiores tradings de energia e commodities do mundo, com faturamento de US$ 176 bilhões em 2023. A empresa será a responsável pelo financiamento inicial, com um aporte estimado entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões, dependendo dos custos de implementação. Os recursos serão direcionados por meio do fundo Silvania, que possui US$ 500 milhões destinados a soluções climáticas e programas jurisdicionais.
Parcerias e estruturação técnica
O acordo foi formalizado entre a Mercuria, por meio do fundo Silvania, e a Investe Piauí, sociedade de economia mista do governo estadual. Além disso, o projeto contará com o apoio técnico da empresa brasileira Systemica, que tem o BTG Pactual entre seus sócios, e com a liderança da empresa de serviços ambientais Geonoma no desenvolvimento da plataforma.
O programa será estruturado dentro dos padrões do ArTrees (Architecture for REDD+ Transactions), um dos selos mais exigentes do mercado voluntário internacional. A certificação é fundamental para garantir a credibilidade dos créditos de carbono gerados e atrair compradores globais, como grandes empresas e governos interessados em compensar emissões.
Redução do desmatamento no Piauí
Segundo o grupo envolvido no projeto, se o Piauí conseguir reduzir o desmatamento da Mata Atlântica em 10% ao ano, o estado poderá gerar mais de 20 milhões de créditos de carbono em cinco anos. Esses créditos poderão ser comercializados com empresas e países que buscam cumprir suas metas de neutralização de carbono.
Dados do MapBiomas divulgados em maio de 2025 apontam que o Piauí registrou uma área desmatada de aproximadamente 142.871 hectares em 2024 — mais que o triplo da registrada em 2019, quando foram desmatados 42.022 hectares. A expectativa é que, com o novo programa, esse cenário se reverta com o apoio de uma plataforma de monitoramento em tempo real, processos de consulta pública e estratégias eficazes de conservação ambiental.
Acordo com a Mercuria

Segundo o governador Rafael Fonteles, a assinatura do contrato representa um avanço estratégico que alia preservação ambiental à geração de renda. “O projeto que será implementado no estado vai promover a redução efetiva de emissões de gases de efeito estufa e gerar recursos econômicos para as comunidades envolvidas”, destacou o gestor.
A Mercuria atuará no estado por meio do Fundo Silvania, que conta com US$ 500 milhões voltados a soluções baseadas na natureza, como a conservação florestal e a restauração de ecossistemas. “Queremos trazer capital para a natureza e para a população indígena, incentivando a proteção da biodiversidade. Sem investimento, é difícil manter a floresta em pé”, afirmou Marco Dunand, CEO e fundador da Mercuria Energy Group.
Investimentos ambientais
O presidente da Investe Piauí, Victor Hugo, destacou o impacto da parceria: “Hoje celebramos um grande passo rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável para o Piauí, com estruturação de um programa estadual de créditos de carbono”.
Já o secretário de Meio Ambiente, Feliphe Araújo, reforçou que o projeto envolve frentes como a regularização ambiental rural, combate ao desmatamento ilegal e investimento em equipamentos para as brigadas municipais de combate a queimadas. “É uma aliança estratégica para proteger o meio ambiente e impulsionar o desenvolvimento sustentável do nosso estado”, concluiu.
* Com informações do Governo do Estado do Piauí
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