A Carrilho Infraestrutura iniciou há poucos dias a construção do novo terminal de armazenamento de combustíveis do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, uma obra de R$ 430 milhões, investimento do Grupo GDE – Grupo Dislub Equador, que irá gerir o terminal.
A planta contará com 13 tanques com capacidade para 130 milhões de litros, alfandegamento e conexão direta ao porto, ampliando a capacidade de movimentação de derivados no eixo Norte-Nordeste. O projeto, que prevê dois anos de execução e a geração de 500 empregos diretos, tem financiamento do Banco do Nordeste (BNB) e foi concebido para permitir expansão futura da capacidade de armazenagem.
A nova obra insere-se em uma estratégia de diversificação operacional da Carrilho Infraestrutura, braço industrial da pernambucana Construtora Carrilho. Desde 2010, a empresa tem direcionado investimentos para segmentos de logística complexa, com ênfase em armazenamento e transporte multimodal de combustíveis, particularmente em regiões onde a carência de infraestrutura especializada ainda cria gargalos logísticos.
Carrilho fortalece presença no setor
Além de Pecém, a empresa já entregou projetos de grande porte em localidades como Itacoatiara (AM), com o maior porto flutuante do Brasil, e terminais em Porto Velho (RO), Santarém (PA) e Sinop (MT), todos voltados à integração dos fluxos do agronegócio e de combustíveis.
Nestas localidades, o problema não é só a logística para aquisição de materiais, mas a contratação da própria mão de obra. “Para superar esse problema, enviamos nossos profissionais para formar a mão de obra local. São pessoas que nunca tiveram uma carteira assinada”, explica Carlos Carrilho.

Apesar das dificuldades, a Carrilho Infraestrutura apostou no segmento e com isso vem ganhando força no mercado de infraestrutura pesada, fazendo parte de um movimento em que grupos de capital nacional com forte especialização técnica e capacidade de atuação avançam em nichos de engenharia até então restritos a operadores globais.
No caso da Carrilho, o domínio de soluções adaptadas a ambientes com desafios ambientais — como variações hidrológicas extremas, acessos fluviais e restrições logísticas — permitiu consolidar uma expertise própria para projetos de alta complexidade em regiões de menor densidade de investimentos tradicionais.
Novo terminal
O novo terminal em Pecém também dialoga com uma mudança estrutural no mapa logístico do Nordeste. O porto cearense vem se consolidando como um dos principais hubs de movimentação portuária do país, não apenas por sua localização estratégica para rotas internacionais, mas também por ser um dos vetores de expansão do setor energético e industrial no Nordeste.

Com a intensificação dos projetos de transição energética, ampliação da produção de combustíveis sustentáveis e o potencial do hub de hidrogênio verde que começa a se desenhar na região, a demanda por armazenamento e movimentação segura de insumos energéticos deve crescer de forma consistente na próxima década.
Em paralelo, o Nordeste passa a assumir maior protagonismo na estrutura logística nacional, não apenas como origem de exportações de commodities, mas também como corredor de escoamento para o agronegócio do Centro-Oeste, que busca alternativas aos portos do Sudeste e Sul, já saturados. A conectividade dos portos do Norte e Nordeste, aliada à diversificação dos modais hidroviário, ferroviário e marítimo de cabotagem, tem impulsionado investimentos em novos terminais privados e atraído operadores especializados como a Carrilho Infraestrutura.
Neste contexto, a atuação da empresa no Pecém não representa apenas mais um contrato de engenharia, mas uma consolidação de posicionamento em um segmento de infraestrutura logística que tende a crescer no Nordeste com forte demanda por operadores capacitados, especialmente em obras sob condições técnicas adversas. A diversificação de portfólio, o domínio de métodos construtivos avançados e a adoção de modelos internacionais de gestão de obras, como o Advanced Work Packaging (AWP), posicionam a Carrilho dentro de uma nova geração de empresas nacionais aptas a disputar projetos estratégicos em energia, combustíveis e logística integrada.
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