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Pernambuco protocola processos para IGs de abacaxi, mel e café: leia série do ME

Pedidos protocolados no INPI incluem o abacaxi de Pombos, o mel do Sertão do Araripe e os cafés de Triunfo e Taquaritinga do Norte. Análise deve durar até 18 meses
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  1. Pernambuco protocola quatro pedidos de Indicação Geográfica para abacaxi, mel e café no INPI.
  2. Parceria entre Sebrae Pernambuco e Adepe trabalha para ampliar produtos certificados no estado.
  3. INPI analisará documentação em até dezoito meses para conceder reconhecimento de Indicação Geográfica.
  4. Certificação agrega valor comercial, preserva tradições e aumenta competitividade no mercado nacional e internacional.
  5. Pequenos produtores de café de altitude em Pernambuco buscam reconhecimento de Denominação de Origem.
cafés de Pernambuco PE origem
Indicação geográfica vai beneficiar pequenos produtores, como Vanda Gonçalves, que produz café especial em Triunfo, em uma propriedade de apenas dois hectares – Foto: Divulgação

Pernambuco deu mais um passo na estratégia de valorização de produtos tradicionais ao protocolar, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), quatro novos pedidos de reconhecimento por Indicação Geográfica (IG). As solicitações contemplam o abacaxi de Pombos, o mel do Sertão do Araripe e o café produzido nas cidades de Triunfo e em Taquaritinga do Norte.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Sebrae Pernambuco e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), que trabalham para ampliar o número de produtos certificados no estado.

Com o protocolo dos pedidos, os produtos entram em uma das etapas mais relevantes do processo de obtenção do registro. Caberá ao INPI realizar a análise técnica da documentação apresentada, verificando se todos os requisitos necessários para a concessão da Indicação Geográfica foram atendidos. A expectativa é de que essa fase seja concluída em até 18 meses.

O reconhecimento por Indicação Geográfica identifica produtos cuja reputação, qualidade ou características estão diretamente relacionadas ao território onde são produzidos. Além de agregar valor comercial, o selo também fortalece a identidade regional, preserva modos tradicionais de produção e contribui para ampliar a competitividade dos produtores no mercado nacional e internacional.

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Série de reportagens abordou a busca pelas IGs

O Movimento Econômico publicou a série de reportagens “DNA regional: produtos de Pernambuco avançam rumo à IG”, que mostra como pequenos produtores agropecuários do estado estão se capacitando para melhorar seus produtos e alcançar a certificação nacional. As três culturas foram tema das matérias.

A primeira reportagem aborda como produtores de café de altitude de Pernambuco se prepararam para solicitar ao INPI o registro de Indicação Geográfica, na modalidade Denominação de Origem, para os cafés cultivados em Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Taquaritinga do Norte e Vertentes.

A certificação pretende reconhecer que a qualidade dos grãos está diretamente ligada às condições naturais dessas regiões, como altitude, clima, solo e relevo, além do conhecimento tradicional dos produtores. A expectativa é agregar valor ao produto, ampliar o acesso a novos mercados e fortalecer a produção, predominantemente baseada na agricultura familiar.

Em Triunfo e Santa Cruz da Baixa Verde, a produção de cafés especiais já alcança cerca de 100 toneladas por ano e envolve aproximadamente dez produtores certificados, com potencial de expansão para cerca de 30. Já na Serra do Taquari, em Taquaritinga do Norte e Vertentes, mais de 20 cafeicultores produzem café arábica acima de 600 metros de altitude, em muitos casos sob sombra da mata nativa. Para obter o selo, os produtores precisarão cumprir critérios técnicos rigorosos, como avaliações sensoriais e padrões de cultivo, reforçando a identidade e a competitividade do café pernambucano.

Já na segunda reportagem, abordamos como os pequenos agricultores de abacaxi, na cidade de Pombos, estão se destacando no cultivo e ampliando a profissionalização da cadeia produtiva. Reconhecido como a Capital do Abacaxi de Pernambuco, Pombos responde por 32,3% da produção estadual da fruta, com 16.590 toneladas colhidas em 2024.

A atividade é sustentada por cerca de 200 agricultores familiares, que cultivam principalmente a variedade Pérola e produzem entre 20 e 22 milhões de frutos por ano. A concentração de produtores formou um arranjo produtivo local que favorece a troca de conhecimento, fortalece a cadeia produtiva e abastece mercados de todo o Nordeste por meio da Ceasa-PE.

Para ampliar a competitividade, os produtores avançam na implantação de sistemas de rastreabilidade, certificações e no processo de obtenção da Indicação Geográfica. Um grupo de 30 agricultores já adota mecanismos que permitem identificar a origem e as práticas de cultivo da fruta, etapa considerada essencial para acessar mercados mais exigentes e até exportar.

O terceiro texto destacou a produção de mel de Pernambuco, o Sertão do Araripe, região que concentra cerca de 70% da produção de mel do Estado. Com aproximadamente mil toneladas anuais, o Araripe consolida-se como o principal polo apícola do estado. Araripina lidera a produção estadual, seguida por municípios como Bodocó, Exu, Trindade e Ouricuri.

A qualidade do mel está diretamente relacionada às características da Caatinga, cuja flora nativa fornece néctar e pólen para as abelhas, além das condições de altitude e floração da Chapada do Araripe. Apesar dos impactos das estiagens, a apicultura tornou-se uma importante fonte de renda para centenas de famílias da região.

Para fortalecer a cadeia produtiva, produtores investem em certificações sanitárias e na obtenção da Indicação Geográfica do Mel do Araripe. Paralelamente, apicultores têm apostado na produção de derivados, como hidromel, pães de mel e sabonetes, além de iniciativas de reflorestamento da Caatinga, associando a preservação ambiental ao desenvolvimento sustentável da atividade.

Estratégia amplia número de pedidos

Os novos protocolos dão continuidade ao trabalho desenvolvido pelas duas instituições para ampliar o mapa das Indicações Geográficas de Pernambuco. Apenas em junho deste ano, outros três pedidos já haviam sido encaminhados ao INPI. Eles contemplam o artesanato em barro do Alto do Moura, o artesanato em madeira de Sertânia e a renda renascença produzida em Poção.

Com isso, sete processos de reconhecimento foram protocolados em um intervalo de pouco mais de um mês, reforçando a estratégia estadual de valorização de produtos ligados à identidade cultural, econômica e produtiva de diferentes regiões pernambucanas.

Ao todo, 16 produtos típicos do estado participam atualmente da iniciativa de estruturação de Indicações Geográficas coordenada pelo Sebrae/PE e pela Adepe. O objetivo é consolidar cadeias produtivas, promover o desenvolvimento regional e ampliar a inserção desses produtos em mercados mais exigentes.

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